O caso Rita Lee

Confesso que sobre Rita Lee gostaria de escrever um post na seção de música, não como sublegenda do noticiário policial. Mas o que aconteceu em Aracaju não me deixa outra alternativa.

O caso é o seguinte: durante o show de despedida – em princípio, o último de sua carreira – Rita Lee teria ficado fula da vida com PM´s infiltrados na multidão que combatiam o baseado amigo fumado livremente pela galera que assistia à apresentação. Para Rita Lee, a ação policial era uma “truculência”. Como resposta, valendo-se da condição de estrela do espetáculo, Rita começou a pronunciar palavras de baixo calão contra os policiais. E desafiou: “Quero ver vir aqui me prender no palco!”

Pedido feito, pedido atendido. Depois do show, os policiais foram até o camarim e levaram Rita para a delegacia, onde foi autuada por desacato e apologia ao crime. Surpreendente não foi a prisão, mas o sangue-frio e a inteligência dos policias de aguardarem o fim do show para prendê-la, já que uma prisão durante a apresentação provavelmente detonaria uma revolta generalizada na platéia, de repercussões imprevisíveis.

O que esteve em jogo em Aracaju não foi liberdade de expressão. Muito menos o “direito” de Rita Lee de querer que seus fãs não sejam importunados em seus show por fumarem maconha. O que esteve em jogo foi a autoridade do Estado em promover o respeito às regras vigentes quando confrontado diretamente por uma cidadã tida como “especial”.

A conduta da polícia e do Governador de Sergipe, até agora, tem sido exemplares. A ninguém é dado o direito de ofender gratuitamente policiais, ainda mais quando se encontram no estrito cumprimento do dever legal. Se Rita Lee quiser dar uma festa em sua casa e distribuir cannabis na porta da entrada, problema dela. Fora o risco de uma batida policial, estaria no direito dela. Mas daí a admitir que em apresentações públicas o baseado seja liberado vai uma grande distância.

Já escrevi algo parecido quando tratei da invasão da Reitoria da USP pelos estudantes de filosofia, por conta de algo semelhante. Não se trata de garantir ao cidadão a liberdade de expressar o desejo de alterar uma norma penal reputada como ultrapassada. Trata-se de fazer com que todo e cada cidadão respeite as regras do jogo, dentre as quais se inclui a proibição de fumar maconha (em casa ou num show de rock).

Rita Lee bem que poderia ter promovido um espetáculo menos deprimente para despedir-se de sua gloriosa carreira. Espera-se, todavia, que o tempo – senhor da Razão – devolva à grande Rita um pouco do senso perdido. Nesse caso, a ovelha negra do rock nacional acabará caindo em si e descobrirá que cometeu uma tremenda burrada. Como conseqüência, organizará um novo show de despedida, algo à altura de seu imenso talento.

É o desejo sincero deste que vos escreve e, certamente, de boa parte do público visitante do blog.

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