7 de dezembro de 1941: o dia que viverá na infâmia

Há exatos 70 anos, o Império do Japão cometeria o maior erro de toda a sua guerra. Pode não ter sido o maior erro da história – geralmente designado como invadir a Rússia, em qualquer época – mas certamente estaria numa lista dos “10 mais”.

Como quase todo erro histórico, parecia inevitável à época. Japão e Estados Unidos disputavam o domínio do Pacífico, o maior oceano do planeta. Embora os americanos não estivessem em guerra, Roosevelt sempre dava um jeito de dar uma mãozinha aos aliados na Europa, seja enviando mantimentos, seja enviando, por debaixo dos panos, tropas e munições. Mas, no caso do Pacífico, estavam sós.

E o Japão também. Itália e Alemanha estavam pouco se lixando para o que acontecia no Pacífico; sua guerra era no continente europeu. A Ásia parecia mais uma curiosidade distante, mas tanto melhor se estivesse nas mãos de um aliado. Daí a formação do Eixo Roma-Berlim-Tóquio.

Desde a Restauração Meiji (pano de fundo do filme O último samurai), o Japão deixara para trás seu isolamento medieval e promovera um mini-milagre econômico. Industrializara-se rapidamente e montara uma armada digna de fazer inveja a boa parte dos países do mundo. Atacou todos os seus vizinhos próximos: Rússia, China e Coréia. Nos dois últimos casos, a ocupação deixou marcas ainda não cicatrizadas.

Restava, contudo, o Pacífico.

Do outro lado do mundo, estava aquela que emergia como a nova superportência mundial, a superar sua antiga metrópole: os Estados Unidos. Dentro da estratégia de dominação mundial, controlar as rotas marítimas do Pacífico era condição sine qua non para controlar o mundo.

Valendo da posição estratégica do arquipélago havaiano, exatamente no meio do caminho entre a América e a Ásia, os americanos decidiram instalar no Porto das Pérolas (Pearl Harbor) uma base avançada e ali concentrar boa parte do seu poderio naval. Incrustada numa baía suficientemente funda para ancorar navios de guerra de grande porte, mas com arrecifes rasos o suficiente para impedir a entrada de submarinos ou o disparo de torpedos, Pearl Harbor parecia desenhada pela natureza para ser uma base naval.

Depois do estouro da guerra, vendo o Japão avançar Pacífico a dentro, os americanos não titubearam. Proibiram o tráfego de navios japoneses e com destino ao Japão pelo Canal do Panamá e – o que um golpe fatal no esforço de guerra japonês – cortaram todas as linhas marítimas pelas quais passava o petróleo importado pelo Japão.

Importando à época 90% do petróleo que consumia, os japoneses viram uma única alternativa: atacar os Estados Unidos. Planejaram, para isso, um dos mais exitosos ataques-surpresa da história.

O Almirante Yamamoto, pessoalmente contra o ataque, foi encarregado de planejar e executar um ataque rápido, cirúrgico e letal à base naval americana em Pearl Harbor. Por aproximadamente 10 meses, Yamamoto estudou a geografia do terreno, treinou suas tropas e preparou a ação. 6 porta-aviões, cada um carregando quase 80 bombardeiros Zero, saíram do Japão com ordens de silêncio total no rádio.

Evitando as rotas mais óbvias e navegando em silêncio, os japoneses conseguiram chegar à beira de Pearl Harbor sem serem notados. Embora o serviço de intelgência da marinha relatasse vários indícios de um ataque japonês iminente, ninguém deu lá muita atenção. Muito menos alguém acreditava que os nipons atacariam justamente Pearl Harbor.

Na madrugada de 7 de dezembro de 1941, Yamamoto deu a ordem de ataque. Na primeira onda, os japoneses atacaram parte dos navios fundeados na baía e, principalmente, as bases aéreas, de modo a impedir a resposta imediata ao ataque. Na segunda onda, o ataque concentrou-se em destruir o que restava da frota americana ancorada. Poderia haver ainda uma terceira onda, destinada a destruir as instalações em terra e os depósitos de combustíveis e suprimentos. Mas Yamamoto negou-se a fazê-lo. O objetivo – inutilizar a frota americana no Pacífico – tinha sido atingido. E a quantidade de aviões derrubados na segunda onda foi o dobro do registrado na primeira. Fora isso, Yamamoto não sabia do paradeiro dos porta-aviões americanos, que poderiam aparecer a qualquer momento e causar severas baixas aos japoneses. Com uma canja de galinha em punho, decretou o sucesso da empreitada e ordenou a retirada.

Para sorte dos americanos, todos os quatro porta-aviões da frota do Pacífico, que deveriam estar em Pearl Harbor na hora do ataque, tinham saído dias antes para um exercício militar. Com isso, os americanos ainda mantiveram um poderio militar considerável no Pacífico.

Somando-se a salvação dos porta-aviões e da infraestrutura de terra em Pearl Harbor, o ataque japonês acabou por não destruir totalmente a capacidade militar americana no Pacífico. Um grande baque, sem dúvida, mas do qual o gigante adormecido – que Yamamoto temera acordar – se levantaria rapidamente.

Em retrospecto, o ataque a Pearl Harbor foi um sucesso militar estupendo e um fracasso estratégico sem tamanho. O objetivo foi alcançado, com perdas mínimas para a armada japonesa. Mas arrastou os americanos – até então fora do conflito direto – para a Guerra. No longo prazo, os japoneses deveriam saber que jamais poderiam fazer frente à força industrial dos Estados Unidos. Com o tempo, e também graças à determinação do General Douglas MacArthur, os americanos foram tomando, uma a uma, as posições conquistadas pelos japoneses no Pacífico. Até “coroarem” sua revanche com o bombardeio atômico a Hiroshima e Nagasaki.

Abaixo, um trecho do discurso de Roosevelt no dia seguinte, discurso que entraria para a história:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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