Dicas de direção

Todo mundo já deve ter visto a propaganda: no Brasil, a cada ano, morrem no trânsito mais pessoas do que as que se foram na Guerra do Vietnã.

Imprudência e álcool são disparado as principais causas dessas tragédias. Mas boa parte das mortes ocorre sem que o sujeito seja realmente imprudente ou esteja alcoolizado. Às vezes, simplesmente não tem perícia suficiente para o volante ou – o mais comum – não foi ensinado como se deve nas escolas de direção.

A par das dicas de sempre (dirija com cuidado, faça revisão do carro, durma bem antes de dirigir, etc.), vou dar quatro dicas específicas – principalmente para direção em estrada – que podem evitar acidentes futuros e fazer com que você, que está lendo este post, não venha se juntar a essa triste estatística.

1 – Freio motor: algo que pouca gente usa e virtualmente esquecido pelas auto-escolas do país (pelo menos no Nordeste). Para isso, é necessário treinar um pouco de meia-embreagem. Meia-embreagem é quando você pisa na embreagem de tal modo que nem o carro estanca nem fica na posição de engate. Como o nome indica, fica no meio termo entre a pisada funda e o não pisar nela.Você pode saber onde é a meia embreagem do seu carro numa reta sem desnível. Engate o carro em primeira e, sem pisar no acelerador, vá soltando-a devagarzinho. Quando o carro começar a andar pra frente, pronto; ali é a meia embreagem. Aliás, é justamente ela que te salva nas famosas “ladeiras”, impedindo que o carro desça. Mas, nesse caso, normalmente se usa o acelerador em conjunto.

Pois bem. Freio motor é um modo de desacelerar o veículo sem pisar no freio. Solte o pé do acelerador, reduza a margem e use a meia-embreagem. Você notará o motor “freando o carro”. Isso porque, quando você reduz a marcha, as rotações do motor se elevam e, ao mesmo tempo, passam a impor uma velocidade controlada ao automóvel. Isso ajuda a evitar o travamento das rodas e o uso excessivo dos freios, que podem ficar superaquecidos e não funcionar adequadamente quando você mais precisar deles.

Por isso, nunca – NUNCA MESMO – desça ladeiras ou serras em ponto morto (na banguela). Você ficará à mercê da gravidade e, se os freios falharem, já era.

2 – Retorno em estrada: Essa é uma das mais simples e, por incrível que pareça, uma das falhas mais recorrentes em motoristas de estrada. Em estradas “simples” – é dizer, com uma mão indo e outra vindo – os retornos só podem ser feitos de uma única maneira. Você dá a sinaleira para a direita (sim, isso mesmo, para o acostamento) e retira o carro da via. Parado no acostamento, você olha para os dois lados, vê se vem alguém, dá a sinaleira para a esquerda e depois faz o retorno. Faz-se assim para evitar que alguém venha por trás e se choque contra a traseira do seu carro, algo infelizmente muito recorrente.

3 – Curvas: Erro dos mais comuns, também. Prefira SEMPRE entrar na curva tracionando. Sim, isso mesmo; curva não combina com freio. Quer dizer, você deve frear ANTES de entrar na curva. Estando nela, você deve usar a aceleração do carro a seu favor. Lembre-se de que 99% dos carros têm tração dianteira. Isso significa que as rodas dianteiras, dobradas, “ajudam” você a ficar firme na curva, ao invés de escapar dela (tendência natural por conta da força centrífuga). Isso não significa afundar o pé no acelerador. Significa o seguinte: você vem a 100km/h, e há uma curva de aproximadamente 50km/h a fazer. Reduza para 50km/h antes de entrar na curva e, quando estiver nela, mantenha o pé unicamente no acelerador, mantendo o carro em 50km/h. Se você entra a 80km/h e pisa no freio no meio da curva, a tendência do carro é seguir a inércia e ir em frente (ou seja, escapar da curva). Fazendo desse jeito, os riscos da inércia são anulados.

4 – Ultrapassagens: Coisa difícil de aprender, senão quando se faz nós mesmos. Uma primeira dica é deixar sempre o espaço “de um carro” para o automóvel que está à frente. Assim, você tem espaço para manobrar e, eventualmente, voltar à sua faixa caso desista da ultrapassagem. Depois, você só sabe se ultrapassou com segurança no caso concreto, ou seja, em cada ultrapassagem feita. Uma forma de saber é a seguinte: depois que você ultrapassar o carro e voltar para sua faixa, conte o tempo que o carro que vem na direção contrária leva para cruzar o seu carro. Se for menor de 5 segundos, a ultrapassagem foi arriscada. Se foi maior, foi segura.

“Por quê?”

Pelo seguinte: indo a 100km/h, você estará indo a aproximadamente 27m/s. Em 10 segundos, percorre-se a distância de quase 280m. Como a distância de frenagem de um carro a 100km/h é de aproximadamente 140m, significa que, numa emergência, você e o carro que vem na mão contrária conseguiriam frear antes de se chocarem. Para fazer isso, no entanto, é preciso prática. Só com tempo e experiência você vai conseguir saber “no olhômetro” se a distância para ultrapassagem é ou não segura.

5 – Sinalização: Fora as clássicas sinaleiras para a direita (“ultrapasse”) e para a esquerda (“não ultrapasse”), uma dica é, sempre que vir à frente algum acidente, animal, parada, ou qualquer coisa que implique uma parada total do carro ou diminuição severa na velocidade, acender o pisca-alerta. Assim, quem vem atrás saberá que está acontecendo alguma coisa, e reduzirá a velocidade, evitando o choque com a sua traseira.

São dicas simples, é verdade. Mas que podem fazer a diferença no momento de aperreio.

Quem tiver mais alguma, sinta-se à vontade para postar nos comentários.

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