Como se formam os furacões

Hoje, mais um furacão – o Sandy – vai atingir a costa norte-americana. Como sempre ocorre nesses casos, a destruição é imensa, muita gente sofre e o governo corre para minimizar os prejuízos e as vítimas do desastre. Nessas horas, normalmente vem a pergunta: como se formam, afinal, os furacões?

Todo mundo aprende na escola mais ou menos o mecanismo de formação das nuvens e das chuvas. Os raios de sol aquecem a água – seja de rios, lagos ou do oceano – e ela evapora. Como o vapor d’água é leve, ele tende a subir na atmosfera. À medida que sobe, como se sabe, a temperatura cai. E quanto menor a temperatura, maior a possibilidade de o vapor d’água transformar-se em nuvens, grande parte formada por gotas de chuva. E, obviamente, quanto maior for a área de evaporação e maior a condensação de vapor d’água, maior será o tamanho da tempestade.

“Então o furacão é uma tempestade muito grande?”

Não exatamente.

À diferença das tempestades digamos, “normais”, os furacões precisam adicionalmente de dois fatores: a pressão atmosférica na região tem de ser muito menor do que ao redor e a temperatura do ar deve ser ligeiramente maior. É isso que potencializa a convecção atmosférica.

“E o que é convecção atmosférica?”

Seguinte: como explicado acima, quando o ar por cima dos oceanos esquenta, ele fica menos denso e tende a subir, como acontece com os balões. Quando esse ar sobe e se condensa em altitudes mais elevadas, o calor que ele continha se dissipa, tornando o ar ao redor ainda mais quente. Ou seja: inicia-se um processo endógeno segundo o qual quanto mais ar é aquecido, sobe e se condensa, mais rapidamente o ar aquecido subirá e se condensará.

Convecção térmica

Forma-se, assim, um verdadeiro turbilhão de “tempestades” subindo rapidamente para a atmosfera.

O problema é que, como muito ar sobe rapidamente para a atmosfera, o ar “lá embaixo”, isto é, próximo ao oceano, fica “raro”. Traduzindo: a pressão atmosférica tende a despencar na área formadora da “tempestade”. Daí pra frente, a física se encarrega de fazer o resto.

A diferença entre as pressões atmosféricas da região do furacão e o ao redor favorece o “transporte” de ar de uma parte a outra (a chamada força de gradiente de pressão). Resultado: ventos. Muitos ventos.

Aí surge outro problema: o vento trazido de outras áreas para equilibrar a pressão atmosférica é mais úmido do que o da região do furacão. Quanto mais ar úmido, mais condensação e mais liberação de calor. Resultado: um processo de retroalimentação da tempestade.

Mas, para se ter o furacão formado, há ainda de aparecer mais dois fatores.

Primeiro, o wind shear, isto é, uma mudança na velocidade do vento um curto espaço na atmosfera. Quer dizer: no furacão, há de haver grande diferença na velocidade do vento entre o “topo” e o “piso”. Do contrário, a tempestade não se sustenta.

Fora isso, o furacão é formado também pela ação de uma força fictícia denominada “Força de Coriolis”. Esse é um bocadinho difícil de explicar, até porque, do ponto de vista estritamente físico, ela não existe. É apenas um movimento explicado a partir do efeito da rotação da Terra. Para facilitar o entendimento, basta saber que é ela que faz com que os ventos “girem” ao redor do olho do furacão.

A propósito, é justamente a Força Coriolis que nos salva dos furacões. Na Linha do Equador, a Força Coriolis é nula. Logo, por mais que se tenha temperaturas altas no Oceano e grandes níveis de condensação de vapor d’água, elas acabam não formando um furacão. No máximo, uma grande tormenta.

Do mesmo modo, não se podem formar furacões sobre continentes, pois se torna impossível um processo de convecção atmosférica grande o suficiente para formação do furacão.

Bom, uma vez formada a tormenta, resta somente medir o tamanho do estrago que virá. Normalmente, adota-se um escala de acordo com a velocidade dos ventos. Acima de 60 km/h, temos um ciclone (nível 1). Daí pra cima, vai piorando, até chegar ao nível de supertempestade ciclônica, com ventos superiores a 220km/h (nível 5).

Até o começo deste milênio, acreditava-se que somente no Atlântico Norte formavam-se ciclones. No entanto, em 2004, o furacão Catarina quebraria esse paradigma. Hoje, já não se pode mais dizer que o Brasil está inteiramente livre dessas catástofres ambientais.

Sinal dos tempos. Quem mandou não cuidar da natureza?

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