Da Guerra do Yom Kipur até os dias atuais

Da Guerra do Yom Kipur, os árabes meio que entregaram os pontos. Afinal, ficou claro que não haveria nada que pudessem fazer para varrer Israel do mapa. Israel estava lá, e tinha vindo pra ficar.

O primeiro a se tocar disso foi Anwar Sadat. Com a intermediação de Jimmy Carter, Sadat arquitetou com Menachem Begin, primeiro-ministro israelense, o reconhecimento do Estado de Israel e a devolução da Península do Sinai ao Egito. Disso resultaram os Acordos de Camp David, em 1978. Ao se aliarem aos americanos, os egípcios automaticamente se isolaram dos demais países árabes.

Abandonados, aos palestinos restou somente tocar sua OLP e seus atentados terroristas. Seu novo comandante, Yasser Arafat, acreditava piamente que poderia derrubar o Estado judeu por meio de pequenos ataques. De bases no sul do Líbano, organizava ataques esporádicos contra alvos civis e militares em Israel.

Em resposta, Israel invadiu o Líbano em 1982 e praticamente devolveu-o ao tempos dos fenícios. 20 mil libaneses morreram a pretexto da destruição das bases da OLP. Pra piorar, 3500 refugiados palestinos e libaneses foram chacinados por uma milícia líbia em uma área sob controle do exército israelense. O Massacre de Sabra e Chalita produziu um resultado no mínimo irônico: Israel foi condenado por genocídio pela ONU, o mesmo crime que motivara a criação do Estado judeu.

A isso se seguiram fricções menores (atentados básicos) e maiores (Intifadas), além, é claro, de algumas guerras menores contra os vizinhos.

Aparentando exaustão, os dois lados iniciaram um processo de acomodação que resultou nos Acordos de Paz de Oslo. Israel retiraria a ocupação militar da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, e as deixaria sob o controle palestino. Em troca, a OLP reconhecia o direito de Israel existir e renunciava ao terrorismo. Desse acordo derivou a histórica foto de Ytzhak Rabin e Yasser Arafat dando-se as mãos, sob o olhar satisfeito de Bill Clinton.

 Nenhum dos lados cumpriu o que prometera. Israel continuou com seus assentamentos ilegais nos territórios ocupados e os palestinos continuaram pipocando bombas. Pra piorar, um extremista radical israelense assassinaria Ytzhak Rabin com dois tiros pelas costas em 1995.

Depois disso, as brigas com os vizinhos e as atitudades unilaterais dos israelenses só aumentaram seu isolamento na região. Os palestinos, nesse aspecto, contam com uma causa politicamente mais simpática: seu reconhecimento como Estado. No entanto, isso não deve acontecer enquanto os Estados Unidos tiverem poder de veto na ONU. Ou seja: nunca.

De certo modo, americanos e israelenses têm razão quando dizem que não há chance de paz senão com um acordo com Israel. No entanto, a recente decisão de expandir os assentamentos ilegais bem mostra o quanto é difícil chegar a um acordo de paz com políticos que dependem do voto de uma população que quer mais que os palestinos se danem.

“Haverá paz na Terra Santa?”

É difícil dizer. O ódio e o ressentimento de lado a lado já atingiram tal nível que é difícil achar que possam retroceder. Ademais, as dificuldades econômicas israelenses e as contingências políticas internas do Estado judeu tornam praticamente impossível a retiradas dos assentamentos nos territórios ilegalmente ocupados. Sem isso, dificilmente os palestinos aceitarão um acordo de coexistência pacífica.

O mais provável é que as fricções continuem, maiores e menores, por muito tempo. A paz – o bem mais precioso naquelas bandas depois da água – deve ainda continuar sendo somente uma miragem no deserto.

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