Quando eu tinha 10 anos, minha mãe, sabendo da minha curiosidade infinita e irritante, resolveu me dar de aniversário um livro. Estranhamente, era um livro de física, matéria com a qual eu não tinha a menor intimidade. Quer dizer, eu nem sequer tive aula de física, senão a partir dos 15 anos.
Estranho. Mas mesmo assim eu me dispus a ler.
O livro chamava-se Uma breve história do tempo. Seu autor? Stephen Hawking (lema: sou torto, mas sou feliz).
Stephen Hawking é o maior físico vivo. Para alguns, é o maior desde Albert Einstein.
No livro, Hawking compila os estudos de uma vida inteira sobre Teoria da Relatividade, Big Bangs, Teoria das Cordas, e um monte de outras coisas que, ditas de forma técnica, não fazem o menor sentido para nenhum cristão.
No entanto, Hawking queria divulgar a física. Na verdade, queria ser o Malba Tahan da física, isto é, fazer o que Malba Tahan fez pela matemática: torná-la mais palatável para uma pessoa comum e menos assustadora para os estudantes.
Hawking é genial. Conseguir transformar as abstratas noções de física em algo inteligível não é pra qualquer um.
O tema central do livro – é óbvio – é a física e a noção humana de tempo. E é justamente aqui que brilha Hawking ao explicar, de modo suficientemente claro para uma criança de 10 anos, o que é o tempo.
Primeiramente, o conceito físico de tempo tem a mesma consistência do lastro do dólar: nenhuma.
“Como assim?”
O tempo é uma convenção humana. Não existe na natureza. Não há tempo na física.
Se é assim, como é que se diferencia o passado e o futuro no espaço?
Seguinte: conforme a Teoria do Big Bang, toda a matéria do Universo estava concentrado num único ponto. Ao explodir, toda a massa que antes estava comprimida naquele minúsculo ponto começou a se expandir violentamente, dando origem a tudo que existe no espaço hoje (estrelas, planetas, galáxias, etc.)
Em termos físicos, tudo que antes estava “em ordem” passou a se “desordenar” incessantemente. Obviamente, a desordem, uma vez iniciada, segue num único sentido: em frente.
Portanto, em termos físicos, o que distingue o passado do presente e do futuro é o quanto as partículas do universo já de desordenaram. Ontem, menos do que hoje; amanhã, mais do que hoje.
Nos seus estudos, provavelmente movido por um desejo pessoal de reverter a doença que paralisou todo o seu corpo (esclerose múltipla lateral amiotrófica), Stephen Hawking passou a cogitar a seguinte hipótese: e se, depois de passado certo tempo, as partículas que hoje estão se afastando umas das outras começarem a se desacelerar até o ponto de pararem? E se elas começarem a se unir novamente, num movimento inverso ao da entropia (que Hawking chama de “citropia”)? Será que o tempo começará a retroceder? Em outras palavras: seria possível que todos nos tornássemos Benjamins Buttons?
Desafortunadamente, Hawking conclui que não. Mesmo que essa hipótese se confirmasse – ou seja, que o Universo passasse a se contrair ao invés de se expandir – ainda assim o nosso “tempo” continuaria a seguir adiante.
Alguns anos depois, já neste século, Hawking voltou ao batente e escreveu um novo livro, Uma nova história do tempo.
Nesse livro, Hawking revisita algumas das teses que defendera em Uma breve história do tempo. Algumas se confirmaram; outras, não. Além disso, o físico esmiuça algumas novas teorias surgidas após a publicação do seu primeiro livro. É leitura de primeira.
Para aqueles cuja curiosidade significa uma fome interminável roncando dentro de si – seja criança ou adulto – não há livro melhor.
É fascinante, porém considero díficil o real entendimento como uma convenção humana. A desordem das partículas nós mortais não percebeemos, mas a manhã antes da tarde e esta antes da.noite, sim, ou meu caro e inspirado Senador isso também não passa de mera convenção?
É um pouco difícil de explicar, Comandante, mas, em suma, o fato de o dia e da noite se sucederem não faz com que o tempo, em si, possa adquirir consitência. No fundo, no fundo, é uma questão puramente topográfica. É por que o Sol está onde está e a Terra está onde está, e por causa dos movimentos que a Terra faz, que existem dia e noite. Basta lembrar, por exemplo, do fenômeno do Sol da Meia-noite, que ocorre nos verões polares. O dia inteiro corre, o tempo correspondente à noite chega, mas não “anoitece”; continua tudo claro. Abraços.
E de entender, embora eu saiba que é verdade .
tecnicamente, o tempo é que nem democracia e chifre: só existe na cabeça da gente. outras coisas que não vemos podem ser registradas na natureza e medidas com a devida tecnologia: gravidade, magnetismo, camada de ozonio, etc. mas o tempo como o conhecemos não existe na natureza. por uma necessidade de “medir o dia” é que criamos o tempo como o vemos no relogio. serve basicamente pra planejarmos o nosso dia a dia e para os calculos de fisica.
De fato. O tempo serve mais para nos orientarmos quanto às nossas ações do que para qualquer outra coisa. O problema são os paradoxos criados por ele. Só o homem mesmo pra criar um conceito e depois não saber como resolver os problemas que vêm embutidos, hehehe. Abraços.