The Masters of the Universe

Não, não é o He-man. Os Senhores do Universo a quem se refere o título deste post são os engomadinhos yuppies de Wall Street, o centro financeiro dos Estados Unidos.

Nos anos 80, um novo estilo de vida imperava na América. Vencer a qualquer custo era o lema. Os meios, pouco importavam, mas pisar na cabeça de alguém pra subir na vida era o preferido. O objetivo? Juntar 1 milhão de dólares antes dos 30 anos.

Essa era a geração Yuppie. Seus representantes eram os operadores do mercado que pintavam e bordavam no cassino financeiro, fabricando e destruindo fortunas a partir do nada. Sem jamais empurrar um prego numa barra de sabão, os yuppies “se achavam”. Eram os caras.

Foi então que um jornalista da época, Tom Wolfe, resolveu dar-lhes o apelido de Senhores do Universo. Fê-lo de modo magistral. Escreveu aquele que seria a grande novela da literatura americana daquele tempo: A fogueira das vaidades (Bonfire of the vanities).

A fogueira das vaidades é o melhor retrato da sociedade americana dos anos 80. Se não de toda, pelo menos daquela parte que habitava a rua estreita entre a Ponte do Brooklyn e o Memorial dos Mortos no Vietnam.

O livro conta a ascenção e queda de Sherman McCoy, um típico Senhor do Universo. Casado com uma dondoquinha que gasta o tempo entre festas e coquetéis, Sherman, como não poderia deixar de ser, tem uma amante: Maria (não, não é a do BBB).

Um dia, ao pegá-la no aeroporto, erra o caminho de Manhattan e acaba indo parar no Bronx. Com medo de um assalto, acaba atropelando um dos assaltantes.

Desse episódio e da união de um jornalista bêbado e fracassado (Peter Fallow, o narrador da história), um promotor de justiça ambicioso (Kramer) e um advogado inescrupuloso (Killian) resulta a desgraça de Sherman.

Em cada linha da novela, Tom Wolfe imprime seu tom sarcástico aos personagens. Nem mesmo a imprensa, da qual ele fazia parte, escapa às suas tiradas. Numa das passagens, Peter Fallow questiona-se acerca da ética jornalista. Como ele sabe que a história toda é uma grande farsa – e ele é o grande arquiteto dela – Fallow fica meio que numa crise de consciência. Mas ela é logo superada:

If you work on a whorehouse, there´s only one thing to be: the best whore in the house“.

(Se você trabalha num prostíbulo, só há uma coisa a fazer: ser a melhor prostituta da casa).

A fogueira das vaidades lançou Tom Wolfe para o estrelato instantâneo. E nunca mais se voltou a escrever tão bem sobre a geração yuppie americana.

Tempos depois, a novela de Tom Wolfe foi transformada em filme. No elenco, Tom Hanks, Bruce Willis, Mellanie Griffith e Morgan Freeman. O filme foi um desastre (recebeu 5 indicações para o Framboesa de Ouro), talvez por ter alterado em muito a história, para torná-la mais palatável ao público cinéfilo.

Apesar das alterações na história original, eu pessoalmente gosto do filme. Pra quem quiser ver para criticar depois, aí vai o trailer dele:

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2 respostas para The Masters of the Universe

  1. César Mourão disse:

    Serve de exemplo para o bem e para o mal, na minha concepção. No primeiro caso, refiro-me ao propósito de ser o melhor, pelo menos como ideal, em qualquer coisa que se queira empreender com seriedade; no segundo a falta de , não digo ética, palavra que está ficando surrada de tanto uso indevido, mas sim de escrúpulo para se atingir objetivos, seja quais forem, em detrimento de terceiros.

    • arthurmaximus disse:

      É possível, Comandante. Inclusive no livro, logo no começo, Peter Fallow inicia sua descrição do tosco Sherman McCoy nesses termos: For what will it profit a man if he gains the whole world and loses his soul? (De que vale para o homem se ele ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?) Mateus 16:26
      Ao final, Peter Fallow, que fica rico ao escrever um livro contando a história da ascenção e queda de Sherman, ironicamente volta a essa frase e diz: For what will it profit a man if he gains…Well, it has its compensations. (De que vale para o homem se ele ganhar…Bem, tem lá suas compensações). Abraços.

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