Sobre línguas e outras formas de comunicação

Inspirado pelo post sobre a abominável língua alemã, acho que convém escrever uma palavra ou duas sobre as vantagens e as reais necessidades de se aprender a língua de um país para se visitá-lo.

Muita gente gosta de dizer: “Ah, na França ninguém fala inglês. E, quando fala, diz que não sabe só pra não te ajudar. Você tem que saber francês pra ir à França”.

Com algumas variações, coisa semelhante é dita sobre a Itália, a Alemanha e a Espanha.

Isso é uma grande bobagem.

Salvo pra quem vai fazer alguma graduação ou pós-graduação nesses países, o conhecimento da língua é dispensável, pelo menos no circuito turístico. Basta falar bem inglês.

Claro, claro, se você souber falar a língua deles, tanto melhor. Mas não é absolutamente imprescindível sabê-la, nem você vai ficar num mato sem cachorro se o seu francês não for muito além de bonjour e bon appetit.

No circuito turístico, todo mundo fala – ou pelo menos arranha – inglês.  Além disso, as placas de indicação e os menus dos restaurantes quase sempre possuem uma seção à parte, em inglês.

Certa vez, meu avô – um sujeito então com muito dinheiro no bolso – viajou para a Alemanha. Era janeiro, pleno inverno europeu, e a cidade era Munique, se não estou enganado.

No quarto em que ele se hospedara o aquecimento do chuveiro não funcionava. Como bom pernambucano, desceu à recepção para reclamar. Queria um outro quarto, ou então que consertassem o chuveiro. Apesar de ser um sujeito muito viajado, meu avô não era muito versado em línguas estrangeiras. Inglês? Falava só o básico. E o alemão da recepção, pedante como só ele, remanchava para entender o que meu avô falava.

“What are you saying? I don´t understand you. Can you please explain again?”

Na terceira vez, a paciência do meu avô atingiu o limite. Tirou o Credicard da carteira, jogou-o com violência sobre o balcão e, gesticulando com a mão e os dedos sobre a cabeça na forma de chuveiro, gritou bem alto, em bom português:

“EU-QUE-RO-CHU-VEI-RO-QUEN-TE! EN-TEN-DEU, A-GO-RA?!?”

Acabrunhado, o recepcionista respondeu:

“Yes, sir”.

Em meia hora, tudo estava resolvido.

E assim nós aprendemos uma grande lição: com dinheiro no bolso ou um cartão de crédito na mão, qualquer estrangeiro aprende português.

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2 respostas para Sobre línguas e outras formas de comunicação

  1. Amaral disse:

    Arthur, você veio!
    Mais uma história do seu avô, hein? Muito boa, por sinal. Espero que ele esteja com boa saúde. Abç

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