13 dias que abalaram o mundo

Provavelmente nenhum dos seguidores deste blog era nascido nessa época, mas por um curto período de tempo de 13 dias, em outubro de 1962, o mundo prendeu a respiração e ficou em suspense.

Um avião-espião americano flagrara os soviéticos instalando mísseis nucleares em Cuba. O problema? Àquela distância, com os mísseis instalados, os soviéticos teriam a chamada first strike capability, ou seja, a capacidade de atacar o inimigo primeiro, causando danos tão consideráveis ao oponente que tornariam o contra-ataque muito menos doloroso.

John Kennedy, então presidente dos EUA, viu-se diante um dilema: atacar ou negociar com os soviéticos?

Contra ele e seu irmão, Bob Kennedy – Attorney General, um tipo de Advogado-geral da União misturado com ministro da Justiça – pesava a desconfiança herdade de seu pai, Joseph Kennedy, um dos arquitetos do Acordo de Munique. Por esse acordo, as potências aliadas concordaram com a anexação da Áustria pela Alemanha de Hitler (Anchluss, em 1938). Daí vem o termo maldito em relações internacionais: apaziguamento. A tese é simples: o apaziguamento só torna o agressor mais agressivo.

Kennedy e seu staff mais próximo foram colocados contra a parede pelos militares. Eles queriam se redimir pelo desastre da Baía dos Porcos, em que cubanos exilados, com apoio americano, desembarcaram em Cuba para tentar derrubar Fidel Castro (1961). Na hora do pega pra capar, Kennedy negou-se a dar apoio aéreo aos invasores, o que acabou detonando o plano de invasão. Essa era uma oportunidade única.

Andando no fio da navalha e desviando-se de todas as cascas de banana que jogavam em seu caminho, Kennedy consegue evitar que a crise dos mísseis acabe num holocausto nuclear.

O drama desse período foi resumido magnificamente num filme chamado 13 Dias. Produzido por Kevin Costner, 13 Dias revela o quão próximo o mundo chegou perto do fim naqueles dias tensos de outubro de 1962.

Ok. Kevin Costner supervalorizou seu próprio papel, atribuindo a Kenny O´Donnell – assessor especial do presidente – uma relevância que não corresponde fielmente à verdade histórica. Mas as interpretações dos demais atores, principalmente de Bruce Greenwood como John Kennedy, já valem o filme. Se puder, não deixe de vê-lo. São duas horas de entretenimento com o bônus de servir de aula de história.

Na melhor dos hipóteses, você vai ver como a determinação de um único homem foi capaz de tirar o mundo das portas da 3ª Guerra Mundial. Na pior, vai ter um curso rápido de como conduzir reuniões, coisa na qual Kennedy revela-se um mestre.

Abaixo, o trailer do filme:

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6 respostas para 13 dias que abalaram o mundo

  1. Kellyne disse:

    Pelo visto Kennedy era mesmo mestre em gerenciar conflitos, pois foi também no governo dele que se começaram as denominadas políticas de ação afirmativa para combater a discriminação racial que, nos E.U.A., trazia mesmo a iminência de uma guerra civil. Ainda não vi o filme, vou procurar… Bjos

    • arthurmaximus disse:

      É, Kellyne, acho que o Kennedy anteviu, com alguns anos de antecedência, a transformação pela qual o mundo ia passar em 1968. Tentou se antecipar aos fatos. Coisa de verdadeiro estadista. Mas, infelizmente, não deixaram. Bjos.

  2. Mourão disse:

    Dos seus seguidores, eu estou incluído entre os que existiam à época. Por sinal já era um garoto crescidinho.

  3. Milton Santana Lima Filho disse:

    Apesar de toda a competência de Kennedy no episódio, não custa lembrar que em 1961 ele foi “esmagado” por Kruschev na Cúpula de Viena, na construção do muro(os russos não queriam. Só o fizeram por insistência dos alemães-orientais e a certeza da não reação americana. Além disso, Kennedy reconheceu explicitamente a divisão da Alemanha em dois países, atrasando por 30 anos a reunificação da Alemanha e a libertação dos países-satélites da URSS. E acrise dos mísseis s[o aconteceu pela percepção dos soviéticos da fraqueza de Kennedy. Se não fosse esse 13 dias,ele teria passado para história como um presidente fracassado.

    • arthurmaximus disse:

      Que Kennedy cometeu besteiras em seu Governo, não há qualquer dúvida Milton. Até mesmo no seu momento mais épico – a crise dos mísseis – JFK e seu irmão Bobby aprontaram das suas. Mas, a meu ver, os erros que cometeram foram de longe sobrepujados pelos seus acertos. Não comungo da opinião da parcela revisionista da história que pretende reduzir o papel dele ao de um “playboy que deu sorte” na presidência dos Estados Unidos. De todo modo, o contraponto é sempre bem-vindo por aqui. Um abraço.

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