Pensamento do dia

Eu não posso exigir reciprocidade de todo mundo, mas tenho direito de me afastar quando o prato servido for descaso.

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Recordar é viver: “A futilidade das colunas sociais, ou A grande sacada de Mark Zuckerberg”

Com uma geração cada vez mais doente e medicada – resultado direto das redes insociáveis -, talvez seja uma boa hora para resgatar um post do começo da década passada.

É triste verificar, porém, que nada mudou de lá pra cá. Aliás, piorou; e não foi pouco.

É o que você vai entender, lendo.

A futilidade das colunas sociais, ou A grande sacada de Mark Zuckerberg

Publicado originalmente em 22.1.13

Outro dia, estávamos eu e Ana O. a discutir sobre o conceito existencial das colunas sociais. “Cicrano e Beltrana batizam seu novo pimpolho”; “Fulana recebe amigos em petit comité para festejar aniversário”;  “Beltrano e Cicrana recebem 400 convidados para suas bodas”, e por aí vai.

Assim como a duplicata e a jabuticaba, as colunas sociais são um produto tipicamente nacional. Alguém pode argumentar que em outros países também há revistas e programas de TV especializados em fofocas. Fora isso, há coisas universais, como revistas de “amenidades” com capas do tipo: “Após separação, Fulana recolhe-se no Castelo do raio que o parta para se reencontrar consigo”. No entanto, nesse tipo de exemplo, as fofocas ou as “matérias” sem sentido são produzidos com base no cotidiano de pessoas famosas. Famosas porque suas atividades as tornou conhecidas, ou famosas pelo simples fato de serem ricas, ou mesmo ambas. Há, claro, o rebaixamento em certos casos para subcelebridades, mas até nestes a fama momentânea justificaria o suposto interesse do público em saber o que determinada pessoa conhecida faz no seu dia-a-dia.

Já na coluna social, não. Expressão máxima do provincianismo, as colunas sociais não trazem pessoas famosas. Trazem pessoas que querem ser famosas. Como ainda não alcançaram a fama, suprem a necessidade de “reconhecimento” pagando a “jornalistas” para “cobrirem” eventos sociais íntimos. No meio de sorrisos falsos e fotos corrigidas pelo photoshop, a fina flor do high society local se esbalda nas páginas dos jornais locais.

Isso explica, ao menos em parte, a existência das colunas sociais. Os jornais não precisam de leitores para elas. Elas pagam-se a si mesmas. Há, claro, quem deva se interessar sobre qual foi a decoração da Igreja no batizado do filho de Fulana, ou o vestido que Cicrana utilizou no seu casamento. Mas isso deve ser a minoria. Trata-se, no fundo, de uma “autopropaganda paga”.

Foi provavelmente isso que Mark Zuckerberg percebeu. Rejeitado pelos clubes sociais de Harvard por ser “só mais um nerd”, Zuckerberg resolveu criar seu próprio clube. Quem assistiu ao filme Rede social, deve se lembrar de um diálogo no qual Zuckerberg explica a Eduardo Saverin qual seria o sentido de sua rede social: “Seria como ter o nosso próprio Phoenix (clube social). Só que nós seríamos os presidentes”.

Bingo.

O que é o Facebook, senão a criação de sua própria “coluna social”? Como “presidente”, você sozinho pode definir a “pauta”: quais eventos vai “cobrir” (Eu na praia; Eu ouvindo som em alto volume para encher o saco dos vizinhos) e que pessoas vai mostrar (Eu e fulana indo ao cinema; Eu e Beltrano bebendo cerveja). Tudo isso com uma vantagem adicional: você não precisa ser famoso nem precisa pagar dinheiro para outra pessoa “cobrir” os seus eventos. Instantaneamente, todos os seus “amigos” da rede social terão acesso ao seu mais novo “evento”, e poderão “compartilhar” a experiência com você. Tudo ao alcance de um clique no computador.

Pode parecer revolucionário (e provavelmente é). Mas tenho pra mim que redes sociais como o Facebook não fizeram nada além de disseminar o provincianismo. Se antes ele era escamoteado pelo “glamour” das páginas de jornal, agora é travestido da “modernidade” da Internet. A grande sacada de Zuckerberg é, pois, essa: a futilidade deixou de ser privilégio das elites. High tech, agora ela se tornou democrática. E todos podem ter a sua própria coluna social.

Resta, contudo, uma dúvida: o que leva as pessoas a quererem compartilhar momentos íntimos com outras que mal conhecem?

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Trilha sonora do momento

Ele não foi consultado, mas estou certo de que Sebastião Salgado aprovaria esse clássico de Chico Buarque como despedida…

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Pensamento do dia

A luz é o primeiro elemento da fotografia, mas é a emoção que dá vida à imagem.

By Sebastião Salgado

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Trilha sonora do momento

Cada vez mais em voga, nesses tempos de Segunda Era Laranja…

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Pensamento do dia

In life, it never gets easier. You just have to get better.

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Naquela estação

Aproveitando que não há de nada de muito novo nas seções mais costumeiras aqui do Blog – Política Nacional e Política Internacional – vamos retomar uma das seções mais queridas deste espaço. Porque, embora sempre presente na Trilha sonora do momento, a Música nem sempre é contemplada com um post digno para chamar de seu. E, para não fazer feio, vamos falar daquela que é, na modesta opinião deste que vos escreve, a canção metaforicamente mais bonita da Música Popular Brasileira: Naquela estação.

Composta pelo trio João Donato, Caetano Veloso e Ronaldo Bastos, Naquela estação tornou-se nacionalmente famosa na voz melodiosa de Adriana Calcanhoto. Integrada à novela Rainha da Sucata, a canção compunha a trilha sonora da personagem Mariana, interpretada pela atriz Renata Sorrah. Só que, ao contrário da malvada Nazaré (outra personagem famosa vivida por ela), Mariana era a doce menina rica seduzida por um inescrupuloso alpinista social, só interessado na sua herança. A música em si não retratava muito bem o que era a relação entre os dois (amor de um lado e puro interesse do outro). Mas talvez captava como poucas a melancolia da personagem.

A metáfora, como todo mundo sabe, é uma figura de linguagem que estabelece uma comparação implícita entre duas coisas aparentemente não relacionadas. Através dela, é possível criar sentidos figurados que tornam a comunicação, embora menos intuitiva à partida, mais profunda após alguma reflexão. Assim é que dizer que uma pessoa que “tem um coração de pedra” (o que implicaria, no sentido literal, uma pessoa morta) é um sujeito avesso a sentimentos e incapaz de sentir empatia. Com poucas palavras, acaba-se dizendo mais do que o vernáculo “limpo” e “seco” seria capaz de dizer.

A canção narra o sofrimento de um amor em despedida. Ela começa com a moça reclamando que “você entrou no trem”, enquanto ela ficou “na estação vendo um céu fugir”. Obviamente, o sentido local de “estação” aí é puramente metafórico. O que a mulher diz é que o sujeito foi embora e ela, coitada, ficou ali sofrendo, a ver “um céu fugir”.

Tentando convencer-se a si mesma, a moça fala que “também não dava mais para tentar lhe convencer a não partir”. “E agora”, segue ela, “tudo bem”. O cidadão “partiu para ver outras paisagens”, isto é, ir atrás de outras mulheres com quem se relacionar. A despeito das tentativas, a moça ainda não foi capaz de esquecê-lo. Daí o trecho – numa belíssima construção indireta – segundo o qual “e o meu coração embora finja fazer mil viagens fica batendo parado naquela estação”.

A música prossegue basicamente numa repetição desses dois versos. Pode-se até questionar se o trio responsável por ela não poderia ter se esmerado em fazer uma construção um pouquinho mais longa. Não importa. O fato é que poucas canções na MPB conseguem transmitir de forma tão elegante e profunda toda a melancolia contida em um coração partido.

Abaixo, a versão original, para quem quiser tirar a prova dos 9:

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Trilha sonora do momento

Revelação de zap tá dando até demissão, agora.

É bom ficar esperto com o que você posta… #piadapronta

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Pensamento do dia

O tempo revela tudo: quem se importa, quem nunca se importou e quem sempre vai estar lá.

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É o fim das Crônicas do cotidiano?

Quando comecei a escrever meus “causos” nas Crônicas do Cotidiano, minha idéia desde sempre era de que, compilados, esses textos viessem a se tornar um livro.

Pois bem. Depois de aproximadamente noventa crônicas escritas, o livro está em fase de produção. Daqui até o segundo semestre deveremos ter novidades a esse respeito.

“Será o fim, então, da seção de Crônicas do cotidiano?”, alguém pode se perguntar.

A resposta sincera é “não sei”. Ou, pelo menos, não sei ainda.

A criatividade deste que vos fala é absurdamente limitada. Apesar de não parecer, todas as crônicas são escritas a partir de histórias reais, não necessariamente vivenciadas por mim. Minha, digamos, “reserva” de histórias para contar foi praticamente esgotada. Será preciso, portanto, algum tempo para renovar o estoque de causos. Até para que a coisa não caia na vala comum, um aggiornamento é não só necessário como também saudável.

Quem tiver tempo e curiosidade sempre poderá voltar aqui na seção correspondente do Blog e ler de graça o que já foi escrito. Enquanto isso, vou pensar em um novo ritmo de postagens aqui no Dando a cara a tapa. Se antes todas as semanas eram abertas com uma Crônica do cotidiano, intermediadas por um post de alguma das outras seções e encerradas com a série Recordar é viver, com a saída das crônicas talvez seja o caso de repensar duas postagens semanais, ao lado da Recordar é viver às sextas-feiras. Seria, ao menos, uma forma de compensação para quem acompanha este espaço com frequência. Veremos como a coisa caminha daqui pra frente.

Meantime, deixo desde logo meu muito obrigado por vossa audiência e compreensão. Foi para vocês que este espaço foi criado.

Cordialmente,

O Autor

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