Pensamento do dia

Quem não luta contra o racismo, sustenta-o.

#ProntoFalei

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A encrenca do Banco Master, ou Essas “coincidências” da vida

Não foi surpresa pra ninguém.

Cambaleando há mais de um ano, o Banco Master – fintech comandada pelo agora notório Daniel Vaccaro – era o principal candidato a bater no guichê de “quebrados” do Banco Central. A única dúvida era quando. A despeito da imensa articulação política feita nos bastidores para salvar Vaccaro e sua casa bancária, não teve choro nem vela: o BC decretou a liquidação extrajudicial do banco.

Ao contrário das empresas, digamos, “comuns”, os bancos não quebram propriamente. Ou, para ser mais preciso, eles não vão à falência de cara. Com vistas a assegurar a solvência do sistema financeiro como um todo, o Banco Central não pode esperar pela Justiça para que uma ação falimentar seja proposta e, só depois de muita discussão, encerre-se as atividades do banco quebrado. Assim, ele decreta diretamente, de forma administrativa, a liquidação da casa bancária insolvente. Daí pra frente, a coisa segue mais ou menos o esquema da falência: apura-se quanto há de ativo e de passivo, e depois se divide o que há de patrimônio entre os credores.

Desde a crise bancária posterior à implementação do Real, quando duas dúzias de bancos falidos foram à bancarrota com o fim da ciranda inflacionária, pensou-se numa solução para “restaurar a confiança” no sistema. De um lado, a Viúva – sempre generosa – enterrou uns bons bilhões no famigerado Proer, que nada mais era senão uma forma elegante de enterrar dinheiro público para salvar banqueiros encalacrados, sem promover a devida responsabilização penal dos fraudadores. Do lado dos correntistas, criou-se o Fundo Garantidor de Crédito, o agora famoso FGC. Até um determinado patamar, que hoje é de R$ 250 mil por CPF, mesmo que o banco quebre, os demais garantem que o crédito será honrado.

No caso do Banco Master, o que houve foi uma espiral financeira muito semelhante a um esquema de pirâmide. Enquanto os bancos tradicionais ofereciam alguma coisa entre 90 a 100% da taxa de depósito interbancário (o tal CDI) a quem decidisse aplicar dinheiro neles, o Master oferecia de 120 a até 150% de remuneração sobre o mesmo patamar. Considerando uma taxa de juros anual média de 10% ao ano, isso significa, com arredondamentos grosseiros, que, se o sujeito investisse R$ 1 mil em um CDB do Banco Master, tiraria ao final do período algo como R$ 1.150,00, ao passo que o mesmo investimento em um banco tradicional traria um retorno de apenas R$ 1.100,00.

Para quem sabe fazer conta, parecia claro que em algum momento esse esquema de bicicleta iria à breca. Quando os novos investidores parassem de aportar seus dinheiros na casa de Daniel Vaccaro, não haveria como remunerar aqueles que tinham investido há mais tempo. Para maquiar o buraco patrimonial, sabe-se agora que o Master resolveu maquiar o balanço, inventando uma carteira fictícia de aproximadamente R$ 12 bilhões de reais.

Até aqui, tem-se “apenas” mais uma mandrakaria financeira dos “jênios” da Faria Lima. O problema são as coisas que começaram a acontecer depois disso.

Sabe-se que Vaccaro ofereceu sua carteira bichada para o Banco Regional de Brasília. Os R$ 12 bilhões da carteira fictícia do Master seriam comprados pelo BRB com R$ 2 bilhões bem reais do banco estatal. Uma vez que jabuti não sobe em árvore, não é preciso muito esforço para ver que há caroço nesse angu.

Como a diretoria do BC remanchasse a autorização da compra, o Centrão dinheirista do Congresso apresentou um projeto para permitir ao Parlamento demitir os diretores do Banco Central. Tratava-se de uma chantagem explícita. Pior. Expoentes do Centrão pretendiam votar o projeto à la Lira, isto é, tratorando os ritos procedimentos normais e produzindo uma norma como se assa um sanduíche no microondas. Felizmente, a idéia foi abatida em vôo. Numa outra ponta, o Senador Ciro Nogueira propôs uma emenda na legislação do FGC, para aumentar a garantia do fundo de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. Não só isso. Batalhou entre seus pares para enterrar um CPI para investigar Vaccaro e o Banco Master.

Parecem muitas coincidências para um caso só?

Mas elas não param por aí.

Há dois meses, a Polícia Federal e o Gaeco de São Paulo deflagraram a Operação Carbono Oculto. Atingindo o coração financeiro do Primeiro Comando da Capital, a Operação descobriu que mais de R$ 40 bilhões estavam sendo lavados através de fundos de investimento na Faria Lima. A mesma avenida que abriga os famosos operadores de “o Mercado”, que adoram arrotar palavras como “compliance” e “eficiência”, ao mesmo tempo em que condenam a distribuição de dinheiro do orçamento para os pobres. Há registro de que pelo menos um desses fundos usou o Banco Master para operar a lavagem do dinheiro do PCC.

Na outra banda, como resposta à Operação no Rio de Janeiro, o governo federal enviou um projeto destinado a combater as facções criminosas. Hugo Motta, o presidente da Câmara, repassou o projeto para Guilherme Derrite. Deputado federal licenciado, Derrite ocupa a Secretaria de Segurança de Tarcísio de Freitas, principal candidato ao posto de “anti-Lula” nas eleições do ano que vem.

Como relator do projeto, Derrite produziu um desastre. Além de quatro versões diferentes em menos de uma semana, o resultado final do relatório do Secretário de Segurança de Tarcísio é no mínimo curioso. Além de tirar dinheiro da PF, principal responsável pelo combate às grandes redes de lavagem de dinheiro, Derrite tornou mais dificultosa a retomada dos bens adquiridos com o produto do crime pelas facções. Se a idéia era atacar facções criminosas como o CV e o PCC, por que asfixiar financeiramente a PF? E por que tornar mais difícil o sequestro dos bens dos criminosos?

Com as conexões políticas que tem, Daniel Vaccaro sabe muito bem que, se abrir o bico, pode detonar um processo de barata-voa épico na capital federal. Numa fase em que os tubarões ainda tateiam a água para saber se o mar está pra peixe, uma hecatombe dessas proporções pode bagunçar definitivamente o coreto das autoridades.

Afilhado político de Arthur Lira, Hugo Motta pode ter pensado que estaria dando uma grande ajuda para Tarcísio de Freitas quando nomeou seu Secretário de Segurança para relatar o projeto contra as facções. Mas quem é que estava se articulando para ser vice de Tarcísio na chapa oposicionista no ano que vem?

Ciro Nogueira.

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Trilha sonora do momento

E tem gente que continua achando que só tem bandido nas favelas.

Não conseguem enxergar os que são boa-pinta e andam por aí engravatados, em convescotes com políticos e flanando por Brasília…

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Pensamento do dia

As pessoas inteligentes não se ofendem. Elas apenas tiram suas conclusões.

#FicaaDica

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Trilha sonora do momento

Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, dizem que o clima em Brasília tá mais ou menos assim…

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Pensamento do dia

Falar de mim é fácil. Difícil é falar com coesão, coerência, pontuação, acentuação, concordâncias verbal e nominal, riqueza de vocabulário e estilística impecável.

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Trilha sonora do momento

Uma pequena homenagem do Blog ao Jards Macalé.

E o nome dela é Gal, pra quem não lembra.

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Pensamento do dia

Mounjaro emagrece porque, depois de você comprá-lo, fica sem dinheiro para comprar comida.

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Recordar é viver: “As tarifas de Donald Trump contra o Brasil, ou O falso patriotismo bolsonarista”

As tarifas ainda não caíram todas, mas é questão de tempo.

Enquanto isso, vale a pena recordar qual a posição dos “patriotas” nesse imbróglio todo.

É o que você vai entender, lendo.

As tarifas de Donald Trump contra o Brasil, ou O falso patriotismo bolsonarista

Publicado originalmente em 23.3.25

No Brasil das correntes de Zap, das bandeiras hasteadas em carros de luxo e dos discursos inflamados sobre “amor à pátria”, existe uma regra não escrita: quanto mais alguém grita “Brasil acima de tudo”, mais provável é que esteja prestes a vender o país por um punhado de likes. Tal é a sensação de quem observa o comportamento dos bolsonaristas após a imposição de tarifas de importação a produtos brasileiros por Donald Trump.

Para quem não sabe, o Nero dos nossos tempos resolveu aplicar uma tarifa de 25% sobre alumínio, chapas de aço e produtos metalúrgicos em geral exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. Mesmo que a corrente de comércio entre os dois países seja largamente superavitária para os ianques, ainda assim o Brasil entrou de roldão no bolo das tarifas retaliatórias do Laranjão. Com dinheiro e, mais importante, empregos brasileiros em jogo, os “patriotas” da Bozolândia saíram em defesa de….Donald Trump.

Até aí, nada de novo. Jair Bolsonaro e sua trupe transformaram o “patriotismo” em um triste espetáculo de hipocrisia. E isso não é de agora. Quando assumiu como presidente, o primeiro lugar para o qual o ex-presidente se abalou foi justamente os Estados Unidos. Tal qual um fanboy diante de um ídolo de reality show – o que, ironicamente, não estava muito distante da realidade –, Bolsonaro sorriu e tirou fotos ao lado do seu “amigo”.

E qual foi a retribuição de Trump a esse espetáculo grotesco de tietagem explícita? Impor tarifas sobre a importação do alumínio brasileiro. O que faria um verdadeiro patriota diante de um escárnio desses? No mínimo reclamar, né? Bolsonaro, ao revés, preferiu manter-se em obsequioso silêncio, com receio de contrariar seu ídolo. O mesmo homem que acusa esquerdistas de “entreguismo” não titubeou em entregar nosso alumínio — e nossa dignidade — a um governo que enxergava o Brasil como mero fornecedor de commodities baratas.

Não espanta, portanto, que agora, quando o Laranjão volta a impor tarifas de importação contra produtos brasileiros, Bolsonaro venha a público defendê-lo. Ao ser questionado sobre seu “patriotismo” depois de mais esse ataque de Donald Trump ao país que supostamente ele defende, Bolsonaro – com todo seu “conhecimento” de economia – tuitou que os Estados Unidos estavam “taxando empresas estrangeiras, não o próprio país”.

Se o pai continua um mestre na arte da subserviência, o filho Bananinha, Eduardo Bolsonaro, elevou o nível da bajulação à décima quinta potência. Enquanto o Brasil tenta reconstruir sua imagem após os anos de negacionismo e ataques à democracia, o deputado federal decidiu fazer uma turnê pelos EUA para difamar as próprias instituições brasileiras. Sim, você leu certo: um representante eleito do Brasil viajou ao exterior – com despesas pagas pelo Congresso – para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e qualquer órgão que tenha se insurgido contra os desmandos do desgoverno bolsonarista.

Em eventos ao lado de figuras da extrema direita americana — incluindo adeptos de teorias conspiratórias e negacionistas —, Eduardo transformou-se em um lobista da desordem. Seu discurso? Um mix de vitimismo, fake news e ataques à Justiça brasileira, apresentada como “ditatorial” simplesmente porque não se curvou aos interesses da família Bolsonaro. É como assistir a um filme de terror onde o vilão é o próprio protagonista, que sabotou a casa onde mora e depois culpa os bombeiros pelo incêndio.

O mais grotesco é que essa campanha de difamação ocorre em solo estrangeiro, alimentada por dinheiro público e apoio de grupos que desprezam a soberania nacional. Enquanto Eduardo acusa o STF de “ativismo”, ele mesmo pratica o ativismo mais sujo: o de quem mina a credibilidade do país lá fora para alimentar teorias fantasiosas sobre uma suposta perseguição. Supondo que houvesse de fato uma perseguição injusta aqui dentro, um patriota de verdade lutaria por reformas dentro das regras do jogo, não participando de conferências de teóricos da conspiração contra o “globalismo” e o “marxismo cultural”.

É nesse contexto que se conclui que o núcleo duro do bolsonarismo ama símbolos nacionais, desde que sejam vazios de significado. Bandeiras do Brasil são usadas como cortinas para esconder a falta de políticas públicas; hinos são entoados para calar críticos; verde e amarelo viram cores de um clubismo que exclui quem ousa pensar diferente. Mas quando a questão é defender interesses reais do povo brasileiro, a retórica patriótica se transmuta em claque para o Nero Laranja dançar.

No fundo, Bolsonaro e sua trupe transformaram o Brasil num reality show de hipocrisia, onde o enredo é sempre o mesmo: gritar “ame-o ou deixe-o” enquanto sabotam o que há de mais valioso no país. Resta aos verdadeiros patriotas — aqueles que trabalham, protestam e acreditam na democracia — limpar a sujeira deixada por quem confunde nação com ego e proselitismo político.

No século XVIII, o escritor inglês Samuel Johnson escreveu que o “patriotismo é o último refúgio do canalha”. Não contava ele, contudo, que o adágio seria complementado aqui no Brasil pelo genial Millôr Fernandes, que acrescentou:

“Mas no Brasil é o primeiro”.

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Trilha sonora do momento

E não é que o Laranjão acabou abrindo?

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