Game over, ou E agora, Bolsonaro?

Demorou, mas aconteceu.

Menos de três anos depois do famigerado 8 de janeiro de 2023, Jair Bolsonaro e sua trupe de generais golpistas tiveram suas sentenças transitadas em julgado – o que, traduzindo para o português, significa que não cabe mais recurso. Com uma singela canetada, Alexandre de Moraes decretou o fim do histórico processo em que os réus foram condenados e determinou o início do cumprimento das suas penas.

É verdade que Bolsonaro já estava recolhido à sede da Polícia Federal em Brasília desde o último sábado, por conta da bizarra tentativa de violar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Mas a prisão aí era apenas preventiva. Agora, trata-se de execução da pena em definitivo. Oficialmente, portanto, Jair Bolsonaro é agora um interno do sistema carcerário brasileiro.

Não que isso fosse inesperado, que fique claro. Não só porque Xandão imprimira uma marcha célere e inabalável para o processo do golpe, mas, também, porque a última bóia de salvação na qual os bolsonaristas se agarravam foi esvaziada na semana passada. Da mesma forma que Donald Trump impusera tarifas indiscriminadas aos produtos de exportação do Brasil por conta da suposta “perseguição” a Bolsonaro, ele as retirou sem mais nem menos.

Com direito a menção expressa na ordem executiva que removeu a taxação, Lula sem sombra de dúvidas saiu por cima nesse episódio. Não só não cedeu à pressão dos norte-americanos, como ainda viu o Laranjão abandonar seu avatar brasileiro ao léu. Perguntando sobre a prisão de Jair, Trump limitou-se a comentar que “não sabia” e que isso era “uma pena”. Para quem – como Eduardo Bananinha – sonhava com um porta-aviões ianque atracado no Lago Paranoá em Brasília, convenhamos, é um tremendo balde de água fria.

Parece que foi numa outra era geológica, mas o ecossistema de desinformação do bolsonarismo sempre foi muito eficaz em construir alucinações coletivas tão bem elaboradas que mesmo gente não alinhada era capaz de acreditar nelas. Depois da derrota em 2022, era natural que essa eficácia diminuísse. Afinal, sem a máquina do governo na mão e sem o bully pulpit garantido pelo cargo de presidente, a influência de Bolsonaro tenderia naturalmente a refluir para o mesmo tamanho que tinha antes do meteoro de 2018: um nicho radicalizado e paranóide, mas, por isso mesmo, bastante diminuto.

Essa última semana, portanto, marca o fim de todas as fantasias incensadas pelo bolsonarismo. Houve quem imaginasse que o “Mito” era um portento eleitoral imbatível (perdeu para Lula). Com a derrota, houve quem sonhasse com uma quartelada que impedisse a posse do “Nove-dedos” e um revival de uma ditadura à la 1964 (a quartelada malogrou e todos foram processados). Diante do processo, houve quem confiasse no tradicional costume nacional de apaziguamento (a anistia foi enterrada). E, por fim, houve quem vendesse a tese que a prisão de Bolsonaro “pararia o país”. A realidade, como sempre, se impôs.

Bolsonaro chega ao fim de sua trajetória política tendo de enfrentar todos os demônios que, durante os mais de trinta anos de carreira, acabaram sendo colocados de lado. Sem atividade política relevante (não construiu sequer um partido para chamar de seu), tendo uma longa lista de aliados abandonados pelo caminho em favor de salvar a própria pele, ao ex-presidente restou tentar barganhar com o Centrão o aval à candidatura de Tarcísio de Freitas em troca de um “possível-talvez-quem-sabe” indulto de seu ex-ministro se – e somente se – ele for eleito em 2026. É triste o fim de quem um dia tentou se arvorar como “líder da Direita brasileira”.

Lançada a lápide, resta a Bolsonaro apenas escrever o epitáfio da sua carreira política:

“Viveu de forma ridícula. Morreu de forma patética”.

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Trilha sonora do momento

“Acabou, p****!”

#Piadapronta

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Pensamento do dia

Sei o que me salva e sei o que me mata. Só não sei a dose exata.

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Trilha sonora do momento

E hoje nos deixa uma das maiores lendas da música mundial.

Figurinha carimbada aqui do Blog, Mr. Jimmy Cliff era único, em muitos aspectos.

Obviamente não o consultei, mas creio que ele estaria de acordo que a trilha sonora da partida fosse esta aqui:

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Pensamento do dia

Um mapa sem o passo é apenas um traço.

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Trilha sonora do momento

Tradicionalmente, os finais de semana não trazem atualização aqui no Blog.

Todavia, como hoje é um dia especial, vamos quebrar um pouco da tradição, porque o povo brasileiro merece.

Grrrrraaaaannnnndddddeeeee dddddiiiiaaaa!!!

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Recordar é viver: “Un musée pour la vie entière”

Eu sei, eu sei.

Já faz algum tempo desde o roubo do Louvre.

De toda forma, vale a pena recordar um dos posts mais antigos deste espaço, que trata justamente sobre ele.

É o que você vai entender, lendo.

Un musée pour la vie entière

Publicado originalmente em 22.2.11

Esqueça National GalleryMuseo del PradoSmithsonian… Se há um museu que você tem que visitar, ao menos uma vez na vida, esse museu é o Louvre.

O Louvre é museu. Na verdade, é os museus. Sim, porque o Louvre são uns 15 museus reunidos em um só. Quer ver antigüidades egípcias? Tem. Quer ver pintura renascentista? Tem também. Arte flamenca, esculturas clássicas, pintores espanhóis, relíquias persas? Tem, tem, tem. E olha que tiraram as pinturas modernas e impressionistas dos Sex. XIX e XX e trasladaram par ao Museu D´Orsay.

Esse é um dos problemas do Louvre. Ele é grande demais. Mesmo que você queira, você jamais conseguirá visitá-lo todo em um único dia. Com muita disposição e uma certa dose de boa vontade, talvez você consiga andar por todo o museu em um único dia (isso, é claro, se você não reparar no que há nas paredes). Não sem sair com as pernas latejando e o corpo implorando por uma cama para arriar.

Antes de tornar-se um museu, o Louvre era um palácio real. Construído e reconstruído diversas vezes, passando por várias ampliações, o então “Palais des Tulleries” acabou se tornando o maior palácio real da Europa.  Seu último hóspede foi Luís Bonaparte, vulgarmente conhecido com Napoleão III. Nouveau riche como só ele, Luís Bonaparte fez decorar o palácio com que havia de mais lindo – e caro – na época. Não por acaso, parte do Louvre daquela época foi mantida, e hoje funciona como uma atração em separado, os chamados Aposentos de Napoleão III.

E aí está o outro grande problema do Louvre. O prédio em si mesmo é uma atração à parte. Por incrível que pareça, há salas onde o encanto é maior ao se olhar a estrutura e a decoração do edifício do que as obras que estão penduradas nas paredes. É por isso que muitas pessoas dizem que, como museu, o Louvre é um equívoco, porque sua beleza e imponência funcionam como distração para o visitante.

De todo modo, algumas das mais belas obras já concebidas pelo homem estão lá. A Vênus de Milo, que flutua soberana em uma sala enorme, onde só há ela:

Vitória de Samotrácia, ou Vitória Alada:

E, é claro, A Mona Lisa (se bem que você provavelmente vai se decepcionar com o tamanho da tela):

Isso para não falar do Código de Hammurabi, das relíquias fenícias, das múmias egípcias, e etc, etc, etc…

Visitar o Louvre exige planejamento.

Primeira dica: Chegue pelo metrô. A estação Palais Royal – Musée du Louvre permite que você entre direto pelo Carrossel, onde a fila da segurança é um pouco menor do que na pirâmide, que é a entrada principal. Há ainda as entradas laterais de Sully, Richelieu e Denon. Em todas você vai passar pelo mesmo esquema de segurança; o que vai diferenciar é o tamanho da fila. Aí vai um plano geral do Louvre:

Segunda dica: compre o Paris Museum Pass. Assim, você pode pular a fila do ingresso e entrar direto nas entradas. Uma fila a menos. Ou então, se você viaja on bugdet, planeje sua viagem de modo com que sua visita ao Louvre caia no primeiro domingo do mês. Nesse dia, a entrada é franca, e você poupa algumas eurotas pra gastar com bugigangas.

Terceira dica: Leve água e alguma coisa pra beliscar enquanto anda, pra não ter que ficar saindo do roteiro toda vez que sentir sede ou fome.

Quarta dica: Escolha no mapa quais as atrações que você quer ver. A não ser que você seja muito pretensioso, esqueça a idéia de conhecer tudo de uma vez só, num único dia. Veja o que você mais quer conhecer e planeje os deslocamentos dentro do Louvre. Nos mapas estão indicadas as salas e as atrações mais conhecidas, o que ajuda no seu planejamento. Aí abaixo vão os mapas de dois andares do museu:

No mais, tente conter a emoção e profitez le paysage. Acredite: nunca mais na vida você será o mesmo depois de conhecer o Louvre.

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Trilha sonora do momento

E agora virou moda fugir para os Estados Unidos…

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Pensamento do dia

Nunca minta para alguém que confia cegamente em você.

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Trilha sonora do momento

No Dia da Consciência Negra, nenhuma música é mais simbólica do que essa…

Vida de negro é difícil…

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