Trilha sonora do momento

E vamos à luta.

Sem baixar a cabeça.

Em nenhum instante.

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Pensamento do dia

Quando chove merda, nunca é garoa.

#TragoVerdades

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Trilha sonora do momento

“Você é comunista?”

“Não, sou anti-fascista”.

“Desde quando?”

“Desde quando entendi o que era fascismo”.

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Pensamento do dia

As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras que sinceridade demais às vezes choca e faz com que você pareça arrogante.

By Jô Soares

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O desastre humanitário em Gaza, ou Estamos diante de um genocídio?

Toda vez que alguém de bom coração assiste a documentários ou filmes sobre a II Guerra Mundial, especialmente quando chega na famigerada parte dos campos de concentração nazistas, a pergunta natural que se faz é: “Como foi possível chegar a essa tragédia?”Guardadas as devidas proporções, talvez a resposta para essa fatídica pergunta esteja sendo relevada agora.

Já se passam quase dois anos desde os terríveis ataques produzidos pelo Hamas contra os israelenses. Naquele fatídico 8 de outubro, 1.200 israelenses foram covardemente assassinados por terroristas do grupo palestino. Trata-se do maior número de judeus mortos desde o Holocausto nazista. Para piorar, cerca de 250 reféns foram capturados e levados para o enclave palestino em Gaza.

A reação do governo israelita, liderado pelo infame Benjamin Netanyahu, foi a esperada: brutal e indiscriminada. Com uma campanha nascida originalmente para vingar o ato terrorista, “eliminar” o Hamas e resgatar os reféns, o exército israelense basicamente terraplanou o que antes eram cidades minimamente habitáveis por seres humanos na Faixa de Gaza.

Sem mais nada a destruir naquele pedaço de terra esquecido por Deus, o governo de Bibi Netanyahu alega que a guerra continua enquanto os reféns não foram resgatados. Beleza. Falta, contudo, explicar o seguinte:

Desde o começo da campanha, apenas quatro – QUATRO – reféns foram resgatados com vida pelo exército israelense. Fora esses, outros 22 corpos de reféns já mortos também foram resgatados das mãos do Hamas. Isso dá pouco mais de 10% do total de reféns sequestrados. Do outro lado, 123 reféns foram libertados após acordos de cessar fogo entre as partes. Outros quatro foram libertados espontaneamente pelo Hamas. No total, 127 (metade dos reféns) foram libertados através de negociação. E só quatro (3% de 127) foram de fato salvos por ação das tropas de Israel. Só isso demonstra, portanto, o fracasso da operação israelense.

Do ponto de vista estritamente militar, a coisa não muda muito de figura. Pelo contrário. Além da desproporção evidente de forças, Israel tem bloqueado toda e qualquer ajuda humanitária ao enclave palestino. Estima-se que apenas 30% da comida necessária para manter algum grau de dignidade aos 2,5 milhões de pessoas que se encontram por lá efetivamente chegou por lá. Resultado: um amplo e indiscriminado surto de fome se abateu sobre toda a população de Gaza. O cenário é tão desolador que o comissário geral da UNRWA, a agência da ONU para os refugiados palestinos, descreveu assim as pessoas que encontra pelo caminho:

“Elas não estão mortas nem vivas. São cadáveres ambulantes”.

Como se isso não bastasse, acumulam-se denúncias de disparos covardes de tropas israelenses a multidões de famintos que correm desesperados quando algum caminhão com comida consegue chegar até eles. Após negar por várias vezes essas ações e ver-se obrigada a reconhecê-las depois da divulgação de vídeos por entidades independentes, Israel limitou-se a dizer que essas ignomínias não passam de “casos isolados”.

Que isso tudo resulta numa tragédia humanitária, ninguém discute. Parece fora de causa também que inúmeros crimes de guerra foram cometidos pelas forças israelenses (como o deslocamento forçado de populações). Isso, porém, não diz tudo. É preciso ir além. Estará acontecendo um genocídio em Gaza?

Do ponto de vista estritamente técnico, o artigo II da Convenção para Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio (1948), caracteriza o crime quando atos são cometidos com “intenção específica de destruir total ou parcialmente um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Esses atos podem ser, por exemplo: assassinato indiscriminado de membros do grupo; lesão grave à integridade física ou mental da população subjugada; submissão intencional a condições de vida destrutivas e transferência forçada de crianças. Se não gabaritou, o governo de Bibi chegou muito próximo disso na ofensiva deflagrada desde 8 de outubro contra a população palestina em Gaza. A única dúvida aí seria caracterizar a “intenção específica” de destruir o povo de Gaza.

Nada disso minora ou significa passar pano para a crueldade dos atos cometidos pelo Hamas em 8 de outubro do ano passado. O que não pode acontecer é que, a pretexto de punir os terroristas pelos crimes cometidos, a governo de Israel puna coletivamente mais de 2 milhões de pessoas – incluindo milhares de mulheres e crianças indefesas -, inclusive através do expediente desumano de negar comida a essa gente toda.

Seria historicamente irônico e verdadeiramente triste concluir um dia que o Estado de Israel, nascido e concebido para evitar que um novo Holocausto viesse a se abater sobre o povo judeu, fosse o responsável pelo primeiro genocídio do século XXI.

“Como foi possível chegar a essa tragédia?”

Porque pouca gente de fato se importa com isso.

Infelizmente…

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Trilha sonora do momento

Uma prece pelas crianças famintas de Gaza.

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Pensamento do dia

O problema não é trabalhar muito. É viver pouco.

By Mia Couto

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Trilha sonora do momento

Michael Jackson.

Profético.

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Pensamento do dia

Quem é inocente pede justiça, não pede anistia.

#FicaaDica

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Recordar é viver: “Um mundo difícil”

Quase 10 anos depois, a resposta a essa pergunta continua em aberto.

É o que você vai entender, lendo.

Um mundo difícil

Publicado originalmente em 22.12.16

Trump presidente dos Estados Unidos. Putin tentando ressuscitar a Grande Mãe Rússia. A Europa infestada de partidos de extrema-direita pregando abertamente a xenofobia. Um caos econômico que parece não ter mais fim. E a pergunta que toda a gente deve estar se fazendo no final deste ano é: o que há de errado com o mundo?

É verdade que o mundo sempre viveu fases cíclicas: uma hora estava bem, outra estava mal, outra hora, ainda, estava pior. Altos e baixos, subidas e descidas não são exatamente novidade no cenário global. Para quem já passou por II Guerras Mundiais, duas crises do petróleo, pestes de toda a sorte, o panorama atual nem chega a ser dos mais apavorantes, é verdade. Mesmo assim, há algo de particularmente inquietante nos dois lados do Equador.

Em primeiro lugar, há um inverno econômico que promete rivalizar com as maiores crises que o capitalismo já experimentou. É certo que se evitou o desastre de uma nova depressão à la 1929 depois da quebra do Lehman Brothers, mas as perspectivas para a Economia estão longe de ser animadoras, aqui e alhures. Bancos Centrais do mundo inteiro pisam no acelerador por meio de políticas expansionistas que fariam corar o mais esquerdista dos socialistas contemporâneos. Ou alguém por aí vai dizer que imprimir dinheiro a rodo e praticar taxas de juros negativas representa alguma coisa da doutrina liberal?

Em segundo lugar, há uma tendência generalizada de repúdio à política. Somente isso pode explicar como ambientes tão distintos quanto São Paulo e Estados Unidos tenham produzido fenômenos tão semelhantes: Donald Trump e João Dória. Não se pode sequer chamar esse movimento de “direitização” do mundo, porque não há como sustentar que um sujeito “de direita” possa ser contra o livre comércio e a favor de barreiras alfandegárias (Trump). Tampouco pode-se dizer que as jornadas de junho de 2013 ou mesmo o Occupy Wall Street possam, mesmo que vagamente, serem identificados com a “direita”. O que há, na verdade, é algo muito mais profundo. Não há somente um repúdio à política. Há um repúdio ao próprio establishment, do qual Hillary Clinton era talvez o exemplo mais emblemático.

É aqui provavelmente que os dois fenômenos encontram seu ponto de intercessão. De certo modo, a crença de um mundo sem fronteiras, com ampla liberdade de movimentação de pessoas, parece ter se perdido e sua recuperação não está à vista. Quando se vê os britânicos votando pela saída da União Européia e os americanos elegendo um sujeito que promete fazer tudo ao contrário do que os liberais clássicos defendem, é porque alguma coisa de errado se passou com a tal da “globalização”. Na verdade, a débâcle econômica é que está conduzindo à descrença geral com o “sistema” (ou establishment, como queiram).

Nada que não pudesse ser antecipado. A rigor, talvez fosse até de se esperar que algo assim acontecesse. A integração econômica e a ampla liberdade de movimentação de pessoas dependem de um equilíbrio virtualmente impossível entre fluxo de capitais e aumento de produtividade. Na medida em que se transferem indústrias de países mais desenvolvidos para países em desenvolvimento, seria necessário que os trabalhadores desempregados (já devidamente qualificados) fossem realocados em atividades de menor exigência e nas quais suas habilidades pudessem render ($$$) mais e que os empregados nos países em desenvolvimento recebessem a qualificação necessária para poderem trabalhar menos ganhando mais (a tal da “produtividade”).

Pois não aconteceu nem uma coisa nem outra. Os trabalhadores dos países desenvolvidos ficaram simplesmente desempregados, ao passo que os empregados dos países em desenvolvimento continuaram a ser explorados em seus trabalhos braçais a um custo vil. Enquanto isso, quem aplicava na ciranda financeira continua a sorver quantidades boçais de dinheiro sem empurrar um prego numa barra de sabão. Não por acaso, o número de milionários e até de bilionários só aumenta, mesmo em tempos de crise, e é recorde em toda a história da humanidade.

Tudo considerado, não chega a ser nenhuma surpresa a eleição de figuras como Donald Trump ou o voto pelo Brexit no Reino Unido. O povo em geral está fulo da vida com o “sistema”. E a melhor forma expressar essa raiva é fazendo tudo ao contrário do que o pessoal do establishment quer. Não é demais recordar que, nesses dois casos, a mídia jogou claramente para um dos lados (Hillary Clinton, nos EUA, e a favor da permanência da Grã-Bretanha na UE), mas o povo em sua maioria foi para o outro.

Não há como profetizar com razoável grau de segurança um grande cataclismo no sistema econômico mundial que conduza a rupturas políticas de toda ordem terminando em guerras, se for o caso. A única certeza é de que, diferentemente do mundo pós-II Guerra (equilibrado entre duas superpotências) e do mundo pós-Guerra Fria (estruturado ao redor de uma única superpotência), o mundo de agora parece um amontoado de cacos absolutamente dispersos entre si. É como se estivéssemos diante de um enorme quebra-cabeças cujas peças pertencem a paisagens diferentes; não haverá força no mundo capaz de uni-las.

A verdade – é triste dizer – é que aquele mundo de 1945 ou de 1991, com todas as dificuldades que lhe eram intrínsecas, representa apenas um retrato amarelado na parede. O mundo de hoje, com todas as cores vivas que o 4k full HD permite, é um mundo muito mais difícil.

Como vamos conviver com ele?

Só Deus sabe.

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