Trilha sonora do momento

Cabra macho, há de se reconhecer.

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Pensamento do dia

Eu aceito desculpas, mas retiro a confiança.

#FicaaDica

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Haja hipocrisia, ou A trágica semana da Câmara dos Deputados

La Rochfoucauld dizia que a hipocrisia é o tributo que o vício presta à virtude. No Brasil desgovernado do século XXI, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, parece querer inverter o ditado. Depois do que aconteceu nesta semana na Câmara, pode-se afirmar sem medo de errar que, para a maioria dos deputados, a hipocrisia é uma virtude tributada pelo vício.

Para quem não acompanhou o noticiário, tudo começou quando Motta, a pretexto de “limpar a pauta” de votações da Câmara, resolveu colocar em votação um monte de coisas “pendentes”. A lista é grande e a polêmica, maior ainda. Entrou no xepão de fim de ano da Casa as cassações de dois deputados condenados pelo STF (Carla Zambelli e Alexandre Ramagem) e, claro, o tal do “PL da dosimetria”, redigido sob encomenda para beneficiar Jair Bolsonaro e sua trupe de golpistas. Com o propósito de fingir “isenção”, Motta colocou também para votar o pedido de cassação do deputado Glauber Braga, que revidou com violência uma agressão injustificada de um membro do MBL.

A farsa da isenção, contudo, durou pouco. Sabendo-se cassado – afinal, Glauber Braga comprou briga com quase todos os colegas por denunciar a farra do Orçamento Secreto -, o deputado carioca resolveu assenhorar-se da cadeira de presidente da Câmara. Emulando o motim bolsonarista ocorrido em agosto, Glauber Braga pediu, ironicamente, que Motta desse a ele “1% do tratamento cordial” que o presidente da Câmara dispensara aos amotinados da extrema-direita. Como “resposta”, Hugo Motta mandou a polícia legislativa remover Glauber Braga à força da cadeira, arrastando-o para fora do plenário. Não sem antes mandar cortar o sinal da TV Câmera e expulsar os jornalistas do plenário, providência inédita desde a redemocratização em 1985.

Escancarado o método de “dois pesos, duas medidas”, Motta acionou o rolo compressor do Centrão para tratorar a tropa de choque governista com o famigerado projeto de “dosimetria” das penas definidas pelo Supremo aos golpistas de 8 de janeiro. Contando com o auxílio luxuoso da oposição bolsonarista – que subitamente esqueceu-se da pauta da “anistia” -, a Câmara aprovou o monstrengo legislativo parido pelo deputado Paulinho da Força.

A coisa é um primor de desfaçatez. Além de “unificar” as penas por golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Paulinho ainda fez a gracinha de conceder a Bolsonaro uma redução no cálculo para progressão da pena. Se antes o ex-presidente somente poderia pedir regime semiaberto após cumprir 1/4 da condenação, agora bastará 1/6 da pena para que ele ganhe, na prática, o meio fio.

Mas os problemas não param por aí. Na parte em que altera a Lei de Execução Penais, o deputado Paulinho fez constar o seguinte:

“I – Se o apenado for primário e for condenado pela prática de crimes previstos nos Títulos I e II da Parte Especial do Código Penal mediante exercício de violência ou grave ameaça, deverá ser cumprido ao menos 25% (vinte e cinco por cento) da pena;”

À primeira vista, parece um dispositivo “ok”. Afinal, ele determina que os condenados por crimes contra a pessoa e contra o patrimônio permaneçam tendo de cumprir 1/4 da pena para progredir. À segunda vista, contudo, o buraco é mais embaixo. Ao limitar a restrição aos condenados por crimes contra pessoa e o patrimônio, o nobre deputado deixa de fora, por exemplo: os crimes contra a dignidade sexual (estupro e afins) (título VI); crimes contra a incolumidade pública (incêndio, etc.) (título VIII); e, claro, os crimes contra a administração pública (corrupção e afins) (título XI).

É dizer: no afã de beneficiar Bolsonaro com menos de tempo de regime fechado, a Câmara está abrindo as portas das cadeias para um monte de gente que ainda teria de cumprir muito tempo de prisão até pleitear a progressão para o semiaberto. Nesse rol, entram também – certamente não por acaso – os condenados por corrupção (ativa e passiva). Às vésperas do começo do julgamento dos casos de desvios de emendas parlamentares, não será exagero afirmar que o projeto tem uma pontinha de safadeza corporativa dos senhores deputados. Se isso já seria ridículo numa situação normal, torna-se o suprassumo da hipocrisia para uma Casa que, há menos de dois meses, aprovou uma nova rodada de aumento nas sanções penais para criminosos diversos.

Muita água ainda há de rolar até que esse descaramento seja materializado. Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quisesse votar o troço a toque de caixa, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, levou o pé à porta e disse que o projeto teria de passar antes pela comissão. Ainda que o Senado venha a chancelar a sem-vergonhice, Lula ainda poderá vetar a excrescência.

Não se pode, entretanto, deixar tudo ao Deus dará. Assim como no caso da PEC da Blindagem, esse Congresso que está aí já deu fartas provas de que faz coisas que até o Tinhoso duvida se a população deitar em berço esplêndido. É preciso – mais uma vez – ir às ruas para protestar contra esse verdadeiro atraso legislativo que se está perpetrando contra o país. Parlamentar só age sob pressão. É preciso mostrar que a pressão das ruas é maior do que a da extrema-direita golpista. Ou se faz isso, ou depois não vai adiantar reclamar.

Porque aí já será tarde demais…

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Trilha sonora do momento

Não tem outro nome.

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Pensamento do dia

Toda vez que eu tento agir sem coração, uma voz dentro de mim sussurra: “Esse não é você”.

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Trilha sonora do momento

Sem mais.

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Pensamento do dia

O primeiro passo para ver é ver que há coisas que você não vê.

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Trilha sonora do momento

O homem que diz vou

Não vai

#piadapronta

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Pensamento do dia

Não é possível desatar os nós sem ferir as mãos.

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Recordar é viver: “Xeque-mate, ou As entranhas do Zap bolsonarista”

Não foi nas 48h então imaginadas, mas o dia chegou.

É o que você vai entender, lendo.

Xeque-mate, ou As entranhas do Zap bolsonarista

Publicado originalmente em 21.8.25

Não que tenha sido surpresa, mas, mesmo para quem não é bolsonarista de carteirinha, abala um pouco.

Às vésperas do julgamento do núcleo principal da trama golpista, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo, o famoso “Bananinha”, por coação no curso do processo e (uma nova) tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Trata-se de desdobramento da última ação contra Bolsonaro pai, que, ao receber uma série de medidas cautelares para não ser preso, teve seu telefone apreendido pela PF. O que saiu agora é resultado dos dados extraídos do aparelho de Jair.

Fora o emprego intensivo de vocabulário de baixo calão – o que, de resto, não constitui novidade pra ninguém -, o que emerge das conversas trocadas no escurinho do Zap bolsonarista é aquilo que a toda a gente já sabia, mas só os zumbis da Bozolândia se recusavam a enxergar:

1 – Os Bolsonaros não estão interessados numa “anistia light” (palavras de Dudu Bananinha), assim entendida como uma anistia que salvasse os peixes pequenos que já foram condenados pela depredação do 8 de janeiro. Interessa, apenas uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, que tire o pescoço de Bolsonaro da corda e, de quebra, salve também o pescoço do filho, autoexilado na Disney. Os bagres são apenas o pretexto utilizado para alcançar esse fim;

2 – Bolsonaro não é líder de coisa alguma, nem sequer da própria família (você viu antes aqui). Para além de ser inconcebível que qualquer filho que tenha o mínimo de apreço pelo pai jamais o mandaria “chupar caju”, ao mesmo tempo em que o xingaria de “ingrato do baralho” (as adaptações em prol da boa higiene vernacular deste espaço são minhas), fica claro que Bolsonaro não tem qualquer poder de ingerência sobre os satélites que o rodeiam. O que fica claro, em resumo, é um verdadeiro processo de barata-voa, em que o Bananinha tenta se cacifar pra ser o “ungido” do clã para concorrer a presidente ano que vem, ao passo que Tarcísio – o “moderado” (risos) – tenta a mágica de comer pelas beiradas sem parecer que está traindo Bolsonaro;

3 – As tarifas têm a ver com Bolsonaro, ma non troppo. A subserviência demonstrada por Jair a Donald Trump durante toda a sua presidência é conhecida de todos, mas não deixa de chocar ver que ela é sincera e se mantém mesmo quando longe dos holofotes. Só isso pode explicar como Bolsonaro possa ter enviado mensagens tão subalternas ao advogado do Laranjão, Martin de Lucca, agradecendo pelo tarifaço e pedindo orientações sobre “como proceder”. É o tipo de sabujismo que é indigno de qualquer ser que possua coluna vertebral;

4 – Com a proximidade do julgamento e da prisão definitiva de Bolsonaro, o desespero tomou conta da família. Não sabem mais para onde atirar e, sem saída, topam qualquer parada para tentar livrar o chefe do clã da cadeia.

Liberados a duas semanas do início do julgamento da trama golpista, os áudios vadios destroem qualquer resquício de dignidade que havia na imagem pública dos Bolsonaro. Já em prisão domiciliar, Bolsonaro agora vê-se na perspectiva de ser enviado para uma dura preventiva antes de ser julgado. Motivos não faltam. Não só pela reiteração criminosa (proteção da ordem pública), como, também, por ter ficado comprovado dezenas de violações sucessivas das medidas cautelares que lhe haviam sido impostas pelo ministro Alexandre de Moraes

A se confirmar o prognóstico das 48h prometidas por Xandão, amanhã deve haver o maior “SEXTOU” da história da República. Preso, sem acesso às mordomias do lar e ficando de fato sem comunicação com o mundo exterior, a Bolsonaro só restará tentar acertar o bingo da sentença condenatória que lhe espera. A chance de reversão judicial é nenhuma e, depois das investidas de Trump, a via da anistia via Congresso parece definitivamente interditada.

Bolsonaro, enfim, será devolvido à irrelevância da qual nunca deveria ter saído. Tendo surfado a onda anti-petista de 2018, Jair finalmente descobrirá que nunca foi o “Lula da Direita”, mas tão-somente o “anti-Lula de ocasião”. Quando isso acontecer, poderá enfim refletir sobre o sábio ditado:

“Nunca voe muito alto em asas emprestadas”.

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