A Galleria degli Uffizi

Nem me lembro a última vez que rolou um post sobre Dicas de Viagem aqui no Blog. Anos, certamente. Quantos? Não faço nem idéia. Para reparar essa lastimável ausência, vamos “reabrir” a seção com um post à altura da falta. Andiamo, alora, a Firenze.

Florença é provavelmente a cidade mais bela da Itália. Não, ela não é tão imponente quanto Roma, muito menos tem os traços pitorescos de Veneza. Ainda assim, arrisco-me a dizer que não há nada igual na Bota em termos de junção de arte, arquitetura, história, cultura e gastronomia. Quem não se apaixonar perdidamente por Florença é porque já morreu por dentro. Objeto de post próprio aqui nos primórdios do Blog, não vale a pena repisar o que então foi escrito. Falemos, pois, de uma das principais atrações da cidade: a Galleria degli Uffizi.

Não há dúvida de que a Galleria degli Uffizi – ou simplesmente Uffizi, para os íntimos – é um dos princpais museus do mundo. Parada obrigatória de quem visita a capital da Toscana, a Uffizi não é apenas uma coleção de arte, mas uma verdadeira viagem no tempo para a Florença medieval, berço do renascimento e de boa parte do que hoje entendemos como “cultura ocidental”.

Encomendado por Cosimo de Medici ao arquiteto Giorgio Vasari em 1560, o edifício que hoje abriga o museu foi inicialmente construído para receber os escritórios administrativos e judiciais da cidade. Daí o nome “Galeria dos Ofícios”, ou, no toscano (que hoje chamamos de “italiano”), Galleria degli Uffizi. O longo prédio forma uma espécie de U, se estendendo da Piazza della Signoria (onde se encontra o famoso Palazzo Vecchio) até o rio Arno. Arquitetonicamente, entretanto, o prédio não traz nada de mais.

Alguns anos depois, porém, os Medicis resolvem transferir sua imensa galeria de arte para o primeiro andar do edifício. Foi assim que o prédio até então banal, quase desimportante, transformou-se em uma Meca para os amantes das artes.

Para os marinheiros de primeira viagem, a Uffizi oferece uma atmosfera bastante convidativa. A apresentação das obras de arte segue uma linha cronológica, o que permite ao visitante “assistir” a evolução das artes de uma época para a seguinte. Embora comece no século XIII, o museu brilha justamente quando chega ao período mais áureo que Florença jamais conheceu: o Renascimento.

Na ala correspondente da Uffizi, é possível embasbacar-se, por exemplo, a magnífica Vênus, de Sandro Botticelli, uma das pinturas mais famosas do mundo:

Ainda na parte do Renascimento, é possível ver, ainda, a Anunciação, de outro filho da terra: Leonardo da Vinci:

Já no final do circuito, é possível aquele que provavelmente é o “retrato” mais famoso da mitológica figura da Medusa grega: um “escudo” redondo pintado por Caravaggio.

Engana-se, porém, quem acha que ir à Uffizi significa “apenas” visitar um museu com quadros e esculturas. Ela traz consigo também verdadeiros segredos que literalmente transportam você para a Florença dos Medicis. Trata-se, aqui, do Corredor de Vasari, ou, como é conhecido em italiano, o Corridoio Vasariano.

O Corridoio Vasariano é uma passagem elevada e fechada, com cerca de um quilômetro de extensão. Ele foi construído a pedido de Cosimo de Medici em 1565, todo-poderoso grão-duque de Florença. A idéia era permitir que a corte dos Medicis saísse da sua residência oficial (o Palazzo Vecchio), passasse pela sua coleção de artes (a Galleria degli Uffizi), atravessasse o rio Arno (por cima da Ponte Vecchio) e chegasse até sua gigantesca nova residência (o Palazzo Pitti) em total segurança e sem se misturar com a escumalha florentina. Se quisessem, os Medicis poderiam até parar para rezar no caminho, já que o Corridoio dava acesso também ao camarote real da Chiesa della Santa Felicità.

Obviamente, depois que os Medicis deixaram de ser os bambambãs de Florença, o Corredor Vasari perdeu sua função e acabou esquecido. Alguém, no entanto, teve a grata idéia de reviver os tempos da Florença renascentista e reabrir o Corridoio para visitação dos turistas. Reaberto no final de 2024, o corredor imaginado por Vasari encontra-se disponível para visitação aos turistas.

Mas atenção. Para visitar o Corridoio Vasariano, é preciso antes reservar um horário de acesso. Você deve fazê-lo juntamente com a compra do ingresso da Uffizi, seja online, seja na bilheteria do museu. É uma experiência única, que te transporta 500 anos no passado, para um tempo em que Leonardo, Michelangelo, Maquiavel e Dante caminhavam por Florença.

Se você vai a Florença, não deixe de visitar tanto a Uffizi quanto o Corredor Vasari. Garanto que você não vai se arrepender.

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