9 anos Dando a cara a tapa – Semana especial de aniversário: O mundo em 2020

Encerrando esta semana especial de comemorações do nono aniversário do Dando a cara a tapa, resta saber o que o Blog espera deste complicado mundo no ano de 2020.

Qualquer análise internacional que se preze começa sempre pelos Estados Unidos. Maior potência econômica e militar do planeta, o país ainda é o único com capacidade de, sozinho, balançar o coreto mundial. Ainda que esse peso tenha sido contrabalançado nos últimos anos com a ascensão da China e uma certa saliência da política externa russa – que ainda mantém grande parte do arsenal atômico da ex-URSS -, o fato é que os americanos continuam a dar as cartas no planeta. E se isso é verdade em anos, digamos, “normais”, com mais razão ainda deve ser observado em ano de eleição americana.

Em novembro deste ano, Donald Trump tentará mais um mandato na Casa Branca. Se na eleição passada o empresário com fama de vigarista era tido como azarão mesmo para conseguir a candidatura dentro do seu Partido Republicano, hoje ele flana pelo cenário eleitoral na condição de franco favorito para mais quatro anos em Washington. Os democratas brigam entre si e é impossível saber até onde os embates entre Joe Biden, Bernie Sanders e Elizabeth Warren deixarão feridas difíceis de cicatrizar.

Há, claro, o fator impeachment. No entanto, com uma sólida maioria no Senado, atuando quase como um bloco monolítico para impedir qualquer aprofundamento do escândalo ucraniano, é difícil acreditar que os democratas consigam virar o jogo a tempo de desgastar Trump o suficiente para uma reviravolta eleitoral. Ademais, seria de extrema ingenuidade achar que os senadores republicanos sacrificariam Trump no altar da opinião pública em pleno ano eleitoral, entregando a presidência de bandeja para os democratas. Salvo algum tipo de intervenção divina que faça surgir alguma evidência extremamente forte, do tipo “batom na cueca”, o jogo está jogado.

Se no plano político-jurídico não há muito a fazer, na economia reside, talvez, a última esperança dos democratas. Falar isso a essa altura do campeonato, com o desemprego mais baixo da história e as bolsas batendo máximas por cima de máximas, pode soar maluquice, mas o cenário atual não é assim tão distante do experimentado por George W. Bush antes do crash de 2008. Qualquer economista que saiba juntar lé com cré consegue enxergar que os excelentes índices econômicos ostentados por Trump derivam de uma economia anabolizada artificialmente por um inconsequente corte de impostos para os mais ricos e um déficit fiscal que, sozinho, é maior do que muito PIB de país grande por aí.

Obviamente, ninguém sabe quando a bomba vai explodir e é possível que o estourou só venha com a virada da folhinha do calendário. Pode ser. Mas Bush II pensava da mesma forma, e deu no que deu.

E por que a eleição norte-americana será o norte do que ocorrerá no mundo em 2020?

Para além do óbvio fato de que os americanos mandam no mundo, todas as outras questões internacionais estão inseparavelmente ligadas a ela. A trade war com a China, a (ainda não) guerra real com o Irã e até mesmo assuntos relativamente esquecidos, como o Estado Islâmico e a crise na Síria, podem ser diretamente afetados pelo resultado das pesquisas eleitorais americanas. Se, por acaso, Trump se vir em apuros, nada impede que, de um supetão, ele jogue fora a fase 1 do acordo com a China ou mande alguns mísseis em direção a Teerã. Tudo dependerá dos humores eleitorais do imprevisível presidente norte-americano e da leitura que ele fizer de como as jogadas internacionais poderão mudar a opinião dos eleitores a seu respeito em caso de necessidade.

Todos os olhos, portanto, devem estar voltados para a Roma dos tempos modernos, pois é de lá que soprarão os ventos que jogarão o mundo numa direção ou na outra.

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