Recordar é viver: “Como fazer uma coisa grudar na sua cabeça”

As Artes sempre foram um ponto alto aqui no Blog. Não só pela convicção do Autor de que elas talvez sejam a forma mais singular de expressão da humanidade, mas também por conta da mediocridade generalizada que reina hoje em dia.

Em tempos de “Sertanejo Universitário” e rabiscos sem sentido a que atribuem o epíteto de “arte abstrata”, lembrar que caminhou por este mundo um sujeito como Salvador Dalí não deixa de ser um bálsamo para a alma.

E uma esperança de que a verdadeira arte volte a imperar um dia…

Como fazer uma coisa grudar na sua cabeça

Publicado originalmente em 14.2.11

Salvador Dalí era um sujeito inquieto. Havia algo na realidade que não se dava com sua personalidade arredia. Havia algo de errado com o mundo. Ele não sabia o que era, mas estava ali, à espera de alguém que fosse ao seu encontro.

O surrealismo, ao contrário do cubismo, não rompe com a realidade. Não é um outro mundo; é o mesmo mundo, só que libertado das amarras da lógica e da razão.

Dalí sabia o que queria. Ele queria que as pessoas sentissem as obras dele, e não simplesmente a admirassem. A beleza plástica da tela é importante, mas mais importante do que isso é fazer com que a tela transmita a quem a vê um sentimento. A lógica é simples: o que você vê, logo pode esquecer; o que você sente, é muito mais difícil.

A síntese perfeita da obra de Dalí é o quadro A Persistência da Memória:

A persistência da memória

Alguns pintores passam a vida toda querendo pintar a obra, a tela que irá marcar as suas vidas, que fará com que mesmo quem não goste e não entenda nada de pintura, ao vê-la, possa dizer: “Esse é o quadro de Fulano”.

Pois é. Dalí pintou um desses quadros. Em duas horas.

A Persistência da Memória é um dos quadros mais famosos do mundo. Tem esse nome justamente pela impressão que Dalí queria causar nos que a vissem: algo que não poderia ser esquecido. Não pela beleza simplesmente, mas pelo sentimento de desconforto que ela transmite. Não por acaso, é uma das obra mais parodiadas também:

A persistência da memória – SImpsons

Há algo na obra que faz você refletir sobre a relatividade do tempo, sobre a vida, sobre a inevitabilidade do andar dos ponteiros, sobre o quão inexorável é o destino que lhe aguarda. É difícil vê-la e ficar simplesmente impassível a seu respeito.

Dalí tinha esse talento. Sabia tirar o sujeito de sua passividade natural. Era um eterno confrontador da inércia.

Quer saber como fazer uma coisa grudar na cabeça das pessoas?

Supreenda-as. Faça-as refletir. Eis a razão de você ter vindo ao mundo.

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