O panorama político para 2015

Em tempos de eleição, todo mundo só costuma se preocupar com quem vai ganhar o pleito. Natural, pois tudo em um sufrágio gira em torno da expectativa de poder que o envolve. “Quem está no poder vai se manter?”, “A oposição vai ganhar dessa vez?”, são as perguntas que todo eleitor faz aos seus botões entre os meses de agosto e outubro dos anos pares.

Não que isso seja errado. Pelo contrário. Assim como os grandes clássicos do futebol nacional, grande parte da emoção do período eleitoral reside na dúvida sobre a vitória. O único problema desse ponto de vista é que ele transforma em tema subjacente a pergunta mais fundamental de qualquer eleição: o que será do país no próximo governo?

Análise política normalmente não orna como futurologia, mas certos aspectos permitem antever o cenário para o Brasil no ano que vem, a depender de quem ganhe as eleições. Vamos a eles:

Cenário 1: Dilma se reelege

Hoje, é o cenário mais provável. Apesar de ser quase certo que a disputa escorregará para o segundo turno, a oposição ainda não disse a que veio. Nesse contexto, a eleição deste ano pode facilmente ser vencida por W.O., caso Dilma e o PT não façam bobagens em demasia.

Mesmo que Dilma ganhe, no entanto, o prospecto para o ano que vem não é nada animador. A economia tende a ficar do jeito que está, muitos dos reajustes que estão sendo represados devem ser liberados (gasolina e energia) e, por conta do baixo crescimento do PIB, o salário mínimo deve ter crescimento real muito menor do que teve nos últimos anos. Tudo isso deve contribuir para aumentar o desgaste que Dilma já carrega pelos 12 anos de governo petista. Somando-se a isso o fato de que, mesmo que perca, a oposição sairá desta eleição maior do que entrou, não é difícil imaginar um cenário político conspurcado para 2015.

Cenário 2: Aécio Neves derrota Dilma

Do lado da oposição, Aécio é quem carrega as maiores possibilidades de vitória. Tem mais tempo de TV do que Eduardo Campos, seu partido é mais bem estruturado e é mais conhecido nacionalmente. Melhor. Sua base de apoio se alicerça no segundo maior colégio eleitoral do país (Minas Gerais) e tem apoiadores de peso em São Paulo (1º) e no Rio de Janeiro (3º).

Supondo que Aécio consiga explicar o caso do “Aécioporto” e escapar das armadilhas de campanha, o mineiro assumirá a presidência em condições muito adversas. Todos os problemas da economia lhe cairão por sobre o colo. Levando-se em conta o que pensam seus gurus econômicos, a resposta a eles será um duro arrocho monetário e fiscal. Isso aprofundará o estado recessivo da economia por pelo menos dois anos, trazendo à memória coletiva as (más) lembranças do governo Fernando Henrique. Tudo isso e mais um PT furibundo na oposição, mais radical do que nunca. Derrotado, mas ainda com força para fazer muito barulho.

Cenário 3: Eduardo Campos surpreende

De todos, esse é o cenário mais improvável. Além de ser o menos conhecido dos três, Eduardo Campos tem menos tempo de TV e seus partidos de apoio possuem diminuta inserção nacional. Pra piorar, sua maior fonte de votos enxerga no principal cabo eleitoral de Dilma uma figura mítica, quase inalcançável. Olhando-se à distância, o excelente governo que fez em Pernambuco parece pouco para Campos se contrapor à força de Lula no Nordeste.

Mesmo assim, como as eleições às vezes dão margem ao imprevisível, se Eduardo Campos ganhar, não terá vida fácil no governo.

Em primeiro lugar, terá que decidir o que fazer com Marina Silva. Pode jogá-la ao mar (o mais provável), para poder compor com setores conservadores que o observam de esguelha; ou pode fechar com ela, obtendo apoio de setores mais populares.

As duas alternativas embutem riscos nem um pouco desprezíveis. No primeiro caso, terá de saber como lidar com uma vice rompida politicamente. No segundo, terá de ter habilidade suficiente para tentar arrancar do povo a legitimidade que lhe faltará no Congresso.

Em segundo lugar, a depender da resposta à primeira alternativa, terá de decidir o que fazer com a economia. Pode seguir o pensamento econômico liberal dos gurus de Marina, Alexandre Scheinkman e Eduardo Gianetti, e fazer um ajuste à lá PSDB; ou pode tentar alguma alternativa mais suave, na esperança de conseguir trazer parte do PT e de seus aliados para sua base. Seja qual for a opção, terá de se preparar para artilharia grossa no Congresso, à direita ou à esquerda.

Analisando-se os três cenários, a única conclusão a que se chega é a seguinte: vença quem vencer, teremos em 2015 um governo politicamente fraco, arrostando uma economia claudicante e sem muitas alternativas para levantar o ânimo do eleitorado.

Fortes emoções nos esperam no ano que vem.

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