Os 10 melhores filmes do Blog

Anteontem, saiu mais uma daquelas famigeradas listas de “Melhores de todos os tempos” em matéria cinematográfica. Dessa vez, a pérola foi cometida pela Holywood Reporter, que supostamente elaborou o cânone baseada nos votos de “integrantes de Holywood”. Noves fora o fato de que “integrantes de Holywood” pode englobar desde o faxineiro do estúdio até o diretor da grande produção, a verdade é que listas dessa natureza são uma baboseira desde sempre.

Em primeiro lugar, não há qualquer critério objetivo que se possa estabelecer quando a matéria é qualidade. Quer dizer, o que faz um filme melhor do que o outro? Ou, de maneira mais objetiva, quais critérios seriam utilizados para definir que um filme é melhor do que outro? Bilheteria? Nesse caso, o sujeito terá de explicar como Avatar é o melhor filme de todos os tempos, mais de 50 posições à frente de O Poderoso Chefão.

Em segundo lugar, como comparar qualidade de filmes produzidos em épocas e contextos históricos diferentes. Cidadão Kane foi, sem dúvida, uma das maiores revoluções da história do cinema. Mas, quem o assiste hoje, fica se perguntando como é que um filme tão chato sempre ostenta as primeiras posições nos rankings de greatest of all time.

Em terceiro lugar, em imediata correlação com o segundo, há de se ter em vista que boa parte dos “eleitores” desse ranking usam descaradamente o teorema do alemão na hora da votação. É dizer: boa parte sequer viu todos os filmes, mas arrisca um Sétimo Selo em terceiro lugar porque teme ser tachado de analfabeto cinematográfico caso não inclua certos totens na lista.

No fundo, no fundo, como o que está em jogo é o gosto – uma medida por definição subjetiva – as pessoas deveriam parar de se preocupar em seguir rankings de filmes, músicas, óperas ou seja lá o que for e começar a seguir as suas próprias idiossincrasias. Ninguém deixará de ser inteligente, nem se transformará em ogro da telinha caso diga não gostar, por exemplo, de 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Da mesma forma, ninguém será tido como intelectual ou gênio da arte por colocar Sindicato dos Ladrões no seu Top Five. Gostou? Inclua na lista. Não gostou? Diga que não gostou e risque o filme da sua cinemateca.

E, para não dizerem que não falei dos filmes, vou mandar abaixo o meu ranking particular, com os dez melhores filmes que eu já assisti:

10º – Matrix

Matrix

Se há um filme que pode reclamar o título de “paradigmático”, este filme é Matrix. A trama existencialista por trás da obra dos irmãos Wachowski mudou para sempre a cara do cinema, principalmente com a introdução da câmera de 360º e do bullet effect, parodiado e copiado em vários filmes que vieram depois. Apesar das sequências serem duas monumentais porcarias, o original não perdeu seu brilho.

Pulp Fiction

Pulp Fiction

Outro filme revolucionário. Se os outros filmes são iguais, Pulp Fiction é em tudo diferente. Enquanto nas produções regulares a linguagem é escorreita e a sequência é cronológica, Quentin Tarantino mistura tudo no liquidificador e nos apresenta a linguagem dos guetos americanos, filmada entre idas e vindas no tempo. Poucos filmes marcaram tanto uma geração com cenas icônicas, como Uma Thurman dançando ao som de Girl, You’ll be a woman soon, e ela e um ressuscitado (e gordo) John Travolta dançando no palco ao som de Chuck Berry.

Curtindo a vida adoidado

Curtindo a vida adoidado

Nenhum jovem dos anos 80 foi mais o mesmo depois que Ferris Büller resolveu gazear um dia na escola. Há quem diga que a história em si é implausível e que Matthew Broderick está longe de ser um bom ator. Mas quem em sã consciência não ficou com uma pontinha de inveja dele ao aprontar todas em Chicago no seu day off? Para quem viveu os inesquecíveis eighties, trata-se do marco de uma geração.

Disque M para Matar

Disque M para matar

Nenhuma lista de melhores filmes que se preza pode prescindir de um Hitchcock para chamar de seu. No meu caso, nem Psicose nem Pássaros. O eleito é Disque M para Matar, um de seus roteiros mais intrigantes, com atuações soberbas de Ray Milland e da belíssima Grace Kelly. Infinitamente melhor, registre-se, do que sua refilmagem dos anos 2000, com Michael Douglas e Gwyneth Paltrow.

O Sexto Sentido

O Sexto Sentido

E já que o negócio é suspense, como não lembrar o melhor, o mais envolvente e o mais aterrorizante filme de todos os tempos? O Sexto Sentido ocupa todos esses lugares e mais um: o de filme mais injustiçado da história de Holywood. Não à toa, não levou nenhuma estatueta pra casa. Sem problema. M. Night Shyamalan produziu uma das maiores obras-primas de todos os tempos. Contra isso, a Academia de Holywood pouco pode fazer.

5º Cidade de Deus

Cidade de Deus

Muita gente gosta de menosprezar e de falar mal do cinema brasileiro. O que pouca gente se dá conta é de que aqui também se produzem filmes de excelente qualidade. O problema é que nem sempre a gente sabe lhes dar o devido valor. No contexto normal das coisas, Cidade de Deus tinha tudo para ser um fracasso de público e de crítica: câmera desfocada e não linear, emprego maciço de linguagem das favelas e nenhuma estrela pra contar a história. Pois Fernando Meirelles conseguiu reunir um elenco quase desconhecido e produzir um filme à altura dos melhores filmes de máfia de todos os tempos. Simplesmente obrigatório.

Meia-noite em Paris

Meia-noite em Paris

Assim como Hitchcock, nenhuma lista será completa se não tiver um filme do Woody Allen no Top Five. Fico com Meia-noite em Paris, não só porque é um dos seus mais recentes trabalhos, mas porque talvez Gil Pender seja o retrato mais perfeito da principal personagem do diretor americano: o alter ego de Woody Allen. Serão poucos os filmes que te tocarão e te farão sair da sala com um renovado amor íntimo pela vida. Meia-noite em Paris é um deles.

Blade Runner

Blade Runner

O que dizer da saga futurista de Ridley Scott? Um filme no qual a metáfora de Harrison Ford caçando replicantes serve como pano de fundo para o desvelo finamente irônico de uma sociedade vil e decadente, em que o consumismo desenfreado acaba por enterrar qualquer resquício de valores éticos existentes na raça humana. Tudo em Blade Runner é soberbo: o elenco, a direção, a trilha sonora… Fora isso, a mistura improvável de ciberfuturismo com o toque noir traz a toda a produção um aspecto inquietante, o que torna o filme atemporal. Uma obra sem paralelo na história do cinema.

O Poderoso Chefão

O Poderoso Chefão

Lamento, meus caros, mas aquele que é tido por 9 em cada 10 listas como o melhor filme de todos os tempos fica em segundo lugar na minha modesta relação. Não por qualquer demérito do filme, muito pelo contrário. Francis Ford Coppola conseguiu reunir um elenco simplesmente genial e extrair o máximo de cada um deles, desde feras consagradas como Marlon Brando como novatos de primeira superprodução como Al Pacino. Nunca mais o cinema foi o mesmo depois que foi contada nas telas a história da famiglia Corleone.

E o vento levou…

E o vento levou…

Muitos filmes já estouraram nas bilheterias. Maior ainda é a quantidade de produções que reivindicam o adjetivo de “épico”. Mas, em relação a E o vento levou…, o filme de Victor Fleming não é somente uma saga épica. Foi ele quem inventou o conceito de saga épica. Não bastasse ter sido baseado na obra-prima de uma escritora renomada (Margaret Mitchell), o que dizer de uma produção que teve roteiristas do naipe de um Scott Fitzgerald e de um William Faulkner? Ou de um filme cujos efeitos especiais ainda hoje surpreendem a quem os assiste? Ou, ainda, da poderosa trilha sonora, que emociona até os corações mais insensíveis? Isso, claro, para não falar do casal ícone do cinema: Rett Butler e Scarlet O’Hara, vividos por Clark Gable e Vivien Leigh, ambos no auge de suas carreiras. Se há um filme que eu não me canso de rever, este filme é E o vento levou…

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