Entendendo a variação dos índices das Bolsas de Valores

Um dos indicadores mais acompanhados por quem curte economia é o sobe-e-desce das bolsas de valores. Sempre se movimentando de acordo com um “índice”, as variações percentuais diárias das bolsas são observadas com atenção por quem pretende investir, especular ou mesmo projetar cenários econômicos futuros. Mas, afinal de contas, o que são e para que servem os índices das bolsas de valores?

Em resumo, o índice são uma lista ponderada de ações negociadas nas bolsas de valores. Primeiramente, adota-se um determinado critério para definir qual ação estará dentro ou fora da lista. A partir daí, estabelece-se um parâmetro segundo o qual, a partir da variação de valor do conjunto dessas ações, será possível determinar a variação percentual do índice.

Tome-se o caso do Ibovespa, o tão conhecido índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Formado em 1968, o índice reúne as ações mais negociadas na Bovespa. Sua carteira teórica compreende 80% do número e do volume de negócios da Bolsa. Estabeleceu-se um valor-base (100) para as ações que compunham o índice quando ele foi criado e, desde então, mede-se a variação dos humores do mercado com base no reflexo que o sobe-e-desce das ações gera no Ibovespa. Para ficar mais fácil de visualizar, vamos a uma demonstração grosseira para entender como é formado o índice:

Suponha que o Ibovespa fosse formado por 5 ações: Petrobras, Vale, Eletrobras, Ambev e Telemar. Agora, imagine que cada uma dessas empresas represente, para o total do índice, os seguinte percentuais:

– Petrobras: 30%

– Vale: 25%

– Eletrobras: 20%

– Ambev: 15%

– Telemar: 10%

Pois bem. Suponha, agora, que o valor atual das ações dessas empresas seja o seguinte:

– Petrobras: R$ 20,00

– Vale: R$ 40,00

– Eletrobras: E$ 10,00

– Ambev: R$ 100,00

– Telemar: R$ 60,00

Feito isso, já se pode verificar a variação percentual em determinado dia do Ibovespa. Basta, para tanto, saber quanto cada ação subiu e desceu durante o pregão. Em um exemplo hipotético, imaginemos a seguinte variação:

– Petrobras: subiu de R$ 20,00 para R$ 22,oo (aumentou 10%)

– Vale: caiu de R$ 40,00 para R$ 38,00 (perdeu 5%)

– Eletrobras: ficou estável em R$ 10,00 (variação zero)

– Ambev: subiu de R$ 100,00 para R$ 105,00 (cresceu 5%)

– Telemar: desceu de R$ 60,00 para R$ 54,00 (escorregou 10%)

Se fôssemos apenas somar as variações individuais de cada uma das ações negociadas (+10% -5% +0% +5% -10%), a variação do índice no geral teria sido nula. No entanto, se levarmos em consideração o “peso” que cada ação tem no Ibovespa, o resultado muda. Nesse caso, o Índice da Bolsa de Valores teria subido nesse dia específico 1,5%.

Obviamente, para cada bolsa de valores existe uma série de índices para medir sua variação. Só na Bovespa, por exemplo, existem 23 índices mais conhecidos: Ibovespa (das ações mais negociadas), IbrX (os 100 papéis mais líquidos do pregão), Small Cap (empresas com menor capitalização), IEE (empresas do setor elétrico), INDX (empresas do setor industrial), e por aí vai.

Além de servirem como termômetro do mercado, os índices ainda orientam os investimentos dos agentes de mercado. Quando você, por exemplo, resolve investir em um fundo de ações atrelado à variação do Ibovespa, o banco que recebeu sua aplicação terá de, necessariamente, comprar uma quantidade de ações representativa do índice. Utilizando-se os valores acima citados, se você, por exemplo, investisse R$ 1.000,00 em um fundo de ações do Ibovespa, o banco teria de gastar, pela ordem:

– R$ 300,00 em ações da Petrobras

– R$ 250,00 em ações da Vale

– R$ 200,00 em ações da Eletrobras

– R$ 150,00 em ações da Ambev

– R$ 100,00 em ações da Telemar

É por essas e outras que as empresas em geral fazem de tudo para serem incluídas dentro dos índices mais conhecidos no mercado e, se possível, até aumentar seu “peso” nesse índice. Isso lhes garante um “público cativo” para suas ações, independentemente das variações diárias do humor do tal “mercado”. Na mão contrária, ter seu peso reduzido ou simplesmente sair do índice representa um desastre para as empresas, pois os investidores institucionais que detêm essas ações serão obrigados a vendê-las para readequar sua carteira aos novos parâmetros do índice.

Com essas informações, acredito que você possa agora investir com um pouco mais de conhecimento no mercado acionário.

Mas não se esqueça: o mercado acionário não é para qualquer um. Se você não tiver gelo correndo nas veias e não estiver disposto a correr riscos, prefira os investimentos tradicionais, mesmo. Você ganha menos, é verdade, mas pelo menos o risco de perder é menor.

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