A verdade sobre o esporte de alto rendimento

Não é segredo pra ninguém que este que vos escreve é um fã declarado de esportes. Não à toa, há aqui no Blog uma seção dedicada única e exclusivamente a eles. Também não é segredo pra ninguém que defendi várias vezes a promoção de políticas públicas para o desenvolvimento dos esportes, até mesmo com a injeção de dinheiro estatal na parada, de maneira a trazer mais e mais jovens para as práticas esportivas. Até aqui, tudo bem. As premissas e as conclusões continuam mais ou menos as mesmas.

Mas há algo que nunca foi falado neste espaço e que, agora, com o escândalo do dopping de atletas do mais alto escalão do atletismo, torna-se incontornável. Algo que só é falado à boca pequena e nunca é admitido em público por atletas ou jornalistas responsáveis por cobrir os eventos esportivos: o esporte de alto rendimento faz mal à saúde.

“Esporte faz mal à saúde?!? Como assim?!?”

Palma, palma, não criemos cânico, como diria Chapolin Colorado. Esporte faz bem à saúde, sim. Mas o esporte de alto rendimento, aquele que fabrica os personagens pelos quais torcemos ao vivo ou pela televisão, este causa muito mais danos do que benefícios à vida do sujeito.

Primeiramente, deve-se compreender que a atividade física em geral – nela incluídos os esportes – é algo necessário e saudável para todo ser humano. No entanto, como tudo na vida, ela deve ser praticada com moderação. O corpo humano foi feito para movimentar-se, sem dúvida, mas não foi desenhado para suportar cargas, excesso de treinos e alto impacto todo santo dia. E olha que eu não estou aqui falando de “esportes” de pancada, como boxe, UFC, MMA ou qualquer outra sigla do gênero. Trata-se aqui de esportes bem mais prosaicos, como vôlei, basquete, atletismo e etc.

Para alcançar níveis de alto rendimento esportivo, o sujeito tem de se dedicar dia e noite à atividade. Isso significa que, quando ele não está desempenhando o esporte para o qual se dedica, está treinando para fazê-lo. O nível de desgaste físico imposto a quem se dedica ao esporte como meio de vida é, via de regra, algo não só desumano como degradante. Na verdade, algumas das condições às quais alguns atletas são submetidos chocariam fácil, fácil qualquer organização promotora dos direitos humanos.

Imagina o sujeito que joga vôlei e basquete. Os saltos imensos que o cidadão tem de fazer para alcançar a tabela ou superar a rede provocam, quando ele volta ao chão, um impacto equivalente a três vezes o seu próprio peso. Impacto este que é distribuído entre pés, pernas e joelho. Nem preciso dizer o resultado disso em termos de lesões das articulações. Pra piorar, os exercícios praticados normalmente são repetitivos; quase sempre praticados com o mesmo movimento. Resultado? Tendinites e as famosas “lesões por esforço repetitivo”(LER). Não por acaso, 11 em cada 10 atletas profissionais, ao serem entrevistados, afirmam que sua maior superação é “conviver com a dor”, amiga nada fraterna de quem se submete a esse tipo de coisa.

Mas há casos piores. Os atletas que participam do Ultraman, por exemplo, têm de obedecer a uma dieta alimentar estrita, antes e depois da competição. Após trocentos milhões de quilômetros de natação, corrida e bicicleta, o corpo humano produz toxinas que, se não eliminadas corretamente, podem resultar na morte do sujeito.

Aliás, a alimentação é um caso à parte no esporte de alto rendimento. Poucos são aqueles que mantêm “dieta de gente”. A maioria é submetida a um coquetel hipercalórico destinado a enfrentar a maratona de competições e treinamentos, de maneira a não morrer por inanição. Isso dá certo enquanto o cara está na ativa. Quando pára, no entanto, o corpo cobra seu preço, na forma de sobrepeso. Por isso mesmo, boa parte dos atletas de alto rendimento aposentados desenvolvem obesidade. Está aí o exemplo do Ronaldo, que não me deixa mentir.

Associando-se tudo isso à pressão da mídia, da torcida e dos patrocinadores pelos resultados, não é difícil imaginar por que tanta gente se dopa no esporte de alto rendimento. Além da necessidade do dinheiro, há o ópio da fama. Todos ficam acostumados a ser reverenciados e idolatrados por onde quer que passem. Porém,  ninguém é treinado para lidar com a falta de tudo isso quando o auge da carreira passar. Por isso mesmo, fica ainda mais fácil entender por que tantos atletas sofrem com distúrbios psicológicos, antes e depois de se aposentarem, resultando em casos graves de alcoolismo e consumo de drogas ilícitas.

A verdade – é triste dizer – é que o esporte de alto rendimento é um mal à saúde. Que isso fique bem claro para quem quiser seguir a carreira de atleta profissional.

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7 respostas para A verdade sobre o esporte de alto rendimento

  1. julya disse:

    gostei muito,so diz a verdade para quem quer ser atleta profissinal

  2. Aquiles disse:

    Cara, valeu muito por esta informação.Eu sou ex jogador de futebol, passei 12 anos nessa pegada tive 2 cirurgias de ligamentos anterior, operei pubis. Hoje em dia sou professor de Educação Física. Meu amigo eu estou tendo uma serie de contusões quando vou jogar minha bola com os parceiros aqui. Tem 2 anos que jogo e machuco, joga e machuco. Hoje mesmo estou indo ao Ortopedista para olha meu outro joelho, acho que lesionei o ligamento colateral direto. Do nada as contusões estão surgindo. Este artido abriu minha mente sobre o que realmente esta acontecendo. OBRIGA. me chamo Aquiles.

  3. Sara de Freitas Barbosa disse:

    A pratica do esporte deve ser estimulada a fim de promover a saúde individual..
    Pode-e incluir competições como laser… Mas, infelizmente, o que vemos no esporte é a ganância do lucro exagerado.E a saúde que se dane!!!

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