O asteróide na Rússia

Não foi exatamente como os maias previram, nem tampouco foi na data supostamente propalada pelos catastrofistas de plantão. Mas o fato é que o meteorito que caiu na Rússia na sexta-feira passada deixou meio mundo em polvorosa e ressuscitou as velhas crenças sobre o fim dos tempos.

Não que tenha ocorrido nada de novo. Meteoritos dos mais diversos tamanhos atingem a Terra desde sempre. O último grande impacto – coincidência ou não – foi na própria Rússia, em 1908. Um meteorito ou um cometa de aproximadamente 100m de diâmetro destruiu 2000 km2 de floresta na Sibéria. Como se tratava de uma região inabitada, ninguém se feriu.

O objeto que caiu na semana passada era bem menor. Estima-se que tivesse algo em torno de 50m, metade daquele que caiu no século passado. Mas, pra quem viu as imagens cinematográficas da queda no Youtube, deu pra ter uma idéia do tamanho do estrago que um objeto desse pode causar ao cair. Calcula-se que a explosão do meteorito no ar liberou uma energia equivalente a 30 quilotons. Para efeito de comparação, a bomba de Hiroshima tinha “apenas” 13 kt.

Alguém pode ficar se imaginando: “como é quem um objeto relativamente pequeno pode causar tamanha destruição?” O problema está na combinação entre a segunda Lei de Newton e a Teoria da Relatividade de Einstein.

De acordo com a segunda Lei de Newton, F=m.a. Ou, traduzindo, força é igual a massa vezes aceleração. Portanto, quanto maior a massa e quanto maior a aceleração de um determinado objeto, maior a força. Apesar de a massa do meteorito não ser lá grande coisa – em torno de 10 toneladas – a aceleração dessa massa a mais de 50.000km/h faz com que a força desse objeto seja algo verdadeiramente boçal.

Fora isso, a famosa equação de Einstein E=m.c2 ensina que a energia é igual à massa vezes o quadrado da energia cinética da luz. Portanto, um mísero grama de massa já contém uma quantidade absurda de energia. Somando-se a aceleração do meteorito com a energia íntrinseca contida nele, não fica difícil entender por que o estrago na Rússia foi tão grande.

A pergunta que todo mundo se faz agora é: “E se um cometa ou um meteorito de dimensões maiores estiver na direção da Terra? Haverá algo a fazer?”

Quem assistiu Armageddon ou Deep Impact vai ficar tentado a dizer que sim. Basta chamar o Bruce Willis e tudo estará resolvido. Infelizmente, na vida real, o buraco é mais embaixo.

Hoje, não há tecnologia suficiente para destruir e/ou alterar a trajetória do asteróide. A hipótese mais comentada – destrui-lo com nosso imenso arsenal de mísseis nucleares – não é viável. Ainda que fosse possível dirigir os mísseis para o asteróide, eles teriam que atingi-lo a uma distância de mais de 150.000km da Terra. Do contrário, os fragmentos dele atingiriam a Terra do mesmo jeito, com o inconveniente de que estariam todos contaminados pela radiação. De qualquer maneira, nenhum míssil nuclear percorre semelhante distância com a atual tecnologia.

Com alguma sorte, se o asteróide fosse descoberto pelo menos uma década antes do impacto, seria possível desenvolver algum tipo de estratégia específica para tentar evitar o fim do mundo. Como se sabe, a necessidade opera milagres. Com apenas alguns anos, não restaria outra coisa senão rezar e preparar a sobrevivência da humanidade para o pós-holocausto espacial.

Não à toa, centenas de astrônomos e osbservatórios varrem o céu diariamente à busca desses objetos. Dos asteróides identificados, o único que representa séria ameaça à Terra só deve colidir com o planeta em 2880. Até lá, espera-se que a tecnologia já tenha se desenvolvido o suficiente para evitar o pior.

Mas não devemos ficar inteiramente confortáveis. O Universo é um ambiente inóspito. As coisas vivem se batendo, e asteróides e cometas podem mudar sua trajetória de uma hora pra outra. Por isso, na dúvida, é melhor ficar observando as estrelas.

Pois nunca se sabe quando um bicho desses virá nos visitar…

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