Os riscos das más traduções das notícias

Não sei quanto a vocês, mas uma das principais funções da Internet para mim é atualizar-me sobre as coisas que se passam no mundo.

Antes restrita à grande mídia, as notícias agoram podem ser acessadas quase diretamente na sua fonte. Se você não a obtiver diretamente dela, pode pelo menos acessar a notícia em um veículo do local (país) em que ela aconteceu, o que diminui os riscos de distorção por parte da mídia nativa. Na maior parte desses casos, não há propriamente um “erro”; a alteração é deliberada, de modo a influenciar a forma com que será recebida pela população. Trata-se, portanto, de uma ação dolosa.

Mas esse não é o único porém que a Internet ajuda a afastar. Há outro, muito mais comum e, até certo ponto, relativamente indolor, exatamente por se tratar de um equívoco culposo, isto é, provocado por imperícia: os erros nas traduções.

Muita gente já sabe, mas não custa lembrar que boa parte do noticiário mundial não é produzido diretamente pela mídia nacional. Elas se valem de correspondentes, como a Reuters, ou outros veículos de comunicação estrangeiros, como o Le Monde, para encher a meia hora, uma hora de um noticiário televisivo e até mesmo páginas de jornais. Alguns veículos ainda têm a decência de dar o crédito à fonte utilizada; outros, nem isso.

O problema é que nem sempre os sujeitos responsáveis pela “importação” da notícia são versados na língua em que a notícia foi produzida. Por isso, vemos todos os dias erros escabrosos que, se não comprometem a informação, tornam-na por vezes confusa para quem a assiste ou a lê.

Veja o exemplo:

“Depois de dias de procura, as equipes de resgate assumiram que não há sobreviventes do acidente aéreo”.

Onde está o erro?

A inteligência rara que produziu a “versão” da frase traduziu “literalmente”assume em inglês para “assumir”, em português. Na verdade, to assume significa “presumir”, “supor”, não “assumir”.

Esse é só um exemplo banal. Mesmo assim, trata-se de um erro crasso na língua portuguesa.

Há casos, no entanto, em que o erro da tradução acabar por prejudicar o correto entendimento da mensagem. Veja-se o seguinte exemplo:

“Godofredo’s been retired due to illness”.

Se o sujeito traduzir “literalmente”, terá algo como “Godofredo foi retirado devido à doença”. Todavia, a tradução correta da frase é “Godofredo foi aposentado devido à doença”.

Para que você possa identificar melhor e se prevenir dos erros de tradução, vou citar aqui os 10 mais comuns:

1 – Service = atendimento, não serviço;

2 – Resume = retomar, reiniciar, e não resumir;

3 – Balcony = sacada, e não balcão;

4 – Assist = ajudar, oferecer suporte, e não assistir;

5 – Apologyze = pedir perdão, desculpar-se, e não fazer apologia;

6 – Realize = perceber, dar-se conta, e não realizar;

7 – Pretend = fingir, e não pretender;

8 – Policy = política, diretriz, e não polícia;

9 – Lamp = luminária, e não lâmpada;

10 – Magazine = revista, e não magazine, loja de departamento.

Esses foram só os que me vieram à cabeça agora. Na dúvida, se você puder, pesquise sempre na fonte original, para não correr risco de ser desinformado pela tradução errada ou preguiçosa.

Quem lembrar de mais casos assim – e certamente há muito mais – por favor se sinta à vontade para colocar nos comentários.

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2 respostas para Os riscos das más traduções das notícias

  1. Alexandre disse:

    Os velhos e bons falsos cognatos. Casca de banana para muito estagiário inexperiente, que parece ser o tipo de funcionário que as empresas de notícias empregam para manter seus sites atualizados.

    Não está relacionado à tradução de notícias, mas este erro é engraçado mesmo assim: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1278462-5602,00-ERRO+DE+TRADUCAO+FAZ+TURISTA+PASSAR+A+NOITE+TRANCADA+EM+PREFEITURA+FRANCESA.html

    • arthurmaximus disse:

      Quer dizer que a mulher queria se hospedar no Hôtel de Ville? Hahaha Muito boa, Alexandre. Mais uma prova de que é melhor ser versado em línguas estrangeiras do que ser monoglota, como é o caso da maioria dos americanos. Abraços.

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