O significado teológico da ressurreição de Cristo

Como todo mundo sabe, estamos na semana santa. Na próxima sexta-feira, ocorrerá a data em rememoração à morte de Cristo na cruz. No domingo de Páscoa, celebra-se – para os que professam a fé cristã – a ressurreição de Jesus dos mortos. É a data mais importante do calendário cristão, pois é em torno dela que se estrutura toda a doutrina cristã. Mas por que a Páscoa é tão importante? Ou, mais importante, qual é o seu significado teológico?

São perguntas um pouco difíceis de responder, especialmente para aqueles que – como eu – não exatamente versados em Teologia. Mas vamos lá.

A Páscoa é tão importante porque é ela que se diz se o sujeito é ou não cristão. É dizer: se o sujeito não acredita que Jesus Cristo morreu e ressuscitou dos mortos, pode dizer que é tudo, menos cristão. Aliás, o “Creio em Deus-Pai” resume bem a profissão da fé, pelo menos para os católicos:

Creio em Deus-Pai, todo poderoso,
criador do céu e da terra
e em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo
nasceu da Virgem Maria
Padeceu sob Poncio Pilatos
Foi crucificado, morto e sepultado
desceu a mansão dos mortos
ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus
está sentado à direita de Deus Pai
de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos[…]

Mas por que, do ponto de vista teológico, Jesus teve de morrer e ressucitar dos mortos?

Seguinte: na antiga aliança, celebrada entre Deus e Moisés, o Todo Poderoso prometera libertar o povo hebreu e dar-lhes a posse da Terra Santa. Em troca, Deus pediu duas coisas: primeiro, que reverenciassem somente a Ele, como único Deus; segundo, que seguissem os seus mandamentos.

Como o povo hebreu continuou a contrariar os mandamentos de Deus – ou, em termos teologicamente mais claros, continuou a pecar – Deus viu que seria necessário estabelecer uma nova aliança. Para isso, fez-se carne e passou a andar por entre os homens para explicar o seu projeto divino. E, mais do que isso, Jesus, seu filho encarnado, seria responsável por redimir todos os pecados do mundo. Tal qual o antigo “bode expiatório”, o cordeiro oferecido em sacrifício para aplacar a ira divina pelos pecados humanos, Cristo pagaria com sua vida os pecados de toda a humanidade. Daí atribuir-lhem o epíteto de “Cordeiro de Deus”.

Mas Deus tinha um plano um bocadinho mais “ousado”. Cristo pagaria com sua vida pelos pecados do mundo. Só que, ao contrário do que ocorreria com qualquer um, ressuscitaria dos mortos. É isso que faz Cristo diferente dos demais profetas. Milagre por milagre, muitos profetas e santos posteriormente fizeram. Mas voltar dos mortos, só Jesus Cristo.

Com isso, Deus passou duas mensagens à humanidade.

Primeiro, quem acreditar no perdão divino e seguir os caminhos do Senhor, viverá eternamente no Reino dos Céus, como provou Jesus ao voltar dos mortos.

Segundo, não pequem, porque todo vez que um sujeito contraria o mandamento divino é como se estivesse colocando Jesus na cruz novamente para expiar por seus próprios pecados. Esse talvez seja o mais “pesado” mandamento divino, pois obriga cada cristão a pensar que, ao pecar, está condenando o próprio Deus ao martírio para pagar por seus erros.

Difícil? Sem dúvida. Mas como diria meu amigo FB, ser católico não é para quem quer, mas para quem pode.

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