John Lennon

Há 31 anos, morria em Nova Iorque um dos maiores artistas da história: John Lennon, ou, para os íntimos, simplesmente John.

John Lennon foi uma figura única. Irreverente, ácido, irascível, genial, enfim. Ao lado de Paul McCartney, formou o coração dos Beatles, um dos maiores – senão o maior – grupo de rock da história. Juntos, foram talvez a maior dupla de compositores da história do rock, superior mesmo a Jagger/Richards (Rolling Stones), Waters/Gilmour (Pink Floyd) e Page/Plant (Led Zeppelin).

Problemático na escola, John era o sujeito que adorava contestar o professor. Achava que tudo estava errado e deveria ser diferente. Inconformado, talvez por isso mesmo tenha encontrado na música uma forma de expressar seu desejo de mudar o mundo. Como ele mesmo dizia: “I´m an artist. If you give me a fucking tuba, I´ll bring something out of it” (Eu sou um artista. Se você me der uma porra duma tuba, eu consigo tirar algo dela”.

Mesmo no começo dos Beatles, quando as canções falavam somente de amor e coisas da juventude, John dava um jeito de injetar subversão nas apresentações. Ficou famosa a sua frase dita antes do espetáculo no Royal Variety, diante da Rainha Mãe da Inglaterra: “The people in the cheaper seats clap your hands. The rest of you just rattle your jewelry” (As pessoas nos assentos mais baratos batam palmas. O resto só chacoalhe as jóias).

Pouco tempo depois, John faria uma declaração polêmica que o marcaria para sempre : “Nós, os Beatles, somos mais populares do que Jesus neste momento“.

John não se referia a Jesus Cristo. Seu objetivo era criticar a religião, ou, mais especificamente, as instituições religiosas do Cristianismo. Como muitos outros, Lennon culpava as igrejas do mundo cristão (católicas e protestantes) por boa parte do fatalismo que induzia à paralisia e à aceitação do mundo como ele era. Ficou, entretanto, a impressão de empáfia, e a frase passou para a história como “uma maldição”, como se o fim dos Beatles pudesse ser atribuído a algum tipo de vingança diniva.

Com o tempo, as músicas começaram a ganhar conotação política. Revolution e Come together são dessa época:

Depois de anos de atritos, os Beatles se separaram. Ao lado de Yoko Ono, John mergulhou de cabeça no ativismo pacifista da década de 70. Imagine transformou-se, ao lado de Give peace a chance, nos hinos de uma década marcada pela Guerra do Vietnã:

Por isso mesmo, John ficaria marcado perante o establishment como um sujeito subversivo, “acompanhado” pelo FBI e serviços de inteligência dos países ocidentais. Só mesmo eles para acreditarem que, por trás daquele pacato cidadão inconformado, escondia-se um comunista em campanha.

Mas John também se dedicou a canções de amor. Yoko Ono – vai saber por quê – era o tema de todas as suas músicas dessa época. Jealous Guy e Woman são duas das melhores dessa época romântica.

No dia 8 de dezembro do mágico ano de 1980, um imbecil chamado Mark Chapman, dizendo ter lido no livro O apanhador no campo de centeio uma mensagem para matar John Lennon, acertou-o com quatro tiros pelas costas, em frente ao Edifício onde morava (Dakota).

De certo modo, seu assassinato ajudou a difundir a necessidade de paz pelo mundo. John se fora. Morria o homem. Nascia o mito.

Em sua homenagem, duas maravilhosas canções foram escritas: Walk of Life, do Dire Straits (que está na Trilha sonora do momento de hoje); e Empty Garden, de Elton John, na qual o genial conterrâneo inglês pergunta:

What happened here, as the New York sunset disappeared?

(O que aconteceu aqui, enquanto o pôr do sol de Nova Iorque desaparecia?)

Sem entender, Elton John pergunta:

Who lived there? He must have been a gardener that cared a lot,
Who weeded out the tears and grew a good crop.

(Quem viveu ali?Ele deve ter sido um jardineiro que se importava muito ,Que arrancou as lágrimas e cultivou uma boa colheita).

E, depois, resume o sentimento de todos os fãs de Lennon:

Now we pray for rain, and with every drop that falls…
We hear, we hear your name…

(Agora, nós rezamos para chover, e a cada gota que cai…

Nós ouvimos, nós ouvimos seu nome).

E no final, implorava:

Oh and I’ve been calling. “Oh hey, hey, Johnny!”

Can’t you come out to play?

(Oh e eu estive chamando: “Ei, ei, Johnny, você não pode vir brincar aqui fora?”)

Abaixo, o clipe original, para ouvir e chorar:

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