Eixo x Aliados

Antes de falar do início da II Guerra, é necessário explicar os dois grandes lados do confronto e como eles se formaram.

De um lado, estavam as potências governadas pela extrema-direita. Meramente anti-políticas – como no caso da Itália – ou anti-políticas e racistas – como no caso de Alemanha e Japão – tinham a uni-las o sentimento de vingança e o desejo de restabelecer as “injustiças” cometidas contra elas na I Guerra Mundial.

De outro lado, estavam os aliados. Egressos da Entente da I Guerra Mundial, França e Inglaterra, unidos estavam, unidos ficaram. Depois da queda da França, em 1940, a Inglaterra ficou sozinha no caminho da vitória alemã, até o dia em Hitler decidiu invadir a União Soviética (junho de 1941) e o Japão decidiu bombardear Pearl Harbor (dezembro de 1941). Aí ingressaram do lado aliado, respectivamente, União Soviética e Estados Unidos.

Embora houvesse muitos outros países envolvidos na Guerra (o Brasil, por exemplo entrou do lado aliado em 1944), estas eram as principais potências responsáveis pelo conflito.

Para Alemanha, unir-se à Itália fazia sentido. Afinal, tinham em comum governos que expurgaram a classe política e, em seu lugar, puseram uma intrincada mistura de militares e tecnocratas. Ambas desejavam expandir seus territórios e suas possessões coloniais. E, pra piorar, enquanto a Alemanha guardava consigo o rancor da humilhação do Tratado de Versalhes, a Itália sentia-se traída após ter sua virada de lado “comprada” durante a I Guerra Mundial e o preço combinado não ter sido pago pela Entente (leia-se: possessões territoriais, como Malta).

O Japão entrou na jogada por basicamente dois motivos, além das semelhanças ideológicas racistas (achavam o resto dos asiáticos uma raça menor a ser dominada). Primeiro, funcionaria como contrabalanço a uma eventual virada de jogo da URSS. Segundo, manteriam os americanos mais ocupados como seu domínio do Pacífico de modo a desviar suas atenções da Europa.

Para ingleses e franceses, a aliança serviria exatamente como serviu na I Guerra Mundial: um contraponto a eventual tentativa de hegemonia alemã no continente. Os soviéticos juntaram-se depois, obviamente, por conta da invasão de seu país. Mas, desde sempre, eles desconfiavam das promessas de paz alemãs. Eles sabiam que, na doutrina alemã, toda a imensa área da União Soviética, rica em terras férteis, minerais e petróleo, fazia parte daquilo que os tedescos chamavam de “espaço vital alemão”. Ou seja: mais hora, menos hora, a Alemanha tentaria invadi-los. E Stalin sabia disso.

Os americanos entraram na guerra oficialmente em 8 de dezembro de 1941, um dia após o bombardeiro-surpresa de Pearl Harbor (a date which will live in infamy). “Oficialmente”, porque antes já manejavam por debaixo dos panos seus vários pauzinhos. Com uma mão, apoiavam a Inglaterra, suprindo-a com mantimentos, armas, munição e até mesmo com pessoal. Com outra, cortavam as linhas navais de suprimento de petróleo ao Japão. Não porque fossem bonzinhos, mas porque não queriam concorrentes à altura. A eles não interessava uma Alemanha dona da Europa inteira, a rivalizar sua influência no Ocidente, assim como não interessava um Japão expansionista, dominando a infinitude de ilhas e territórios do Pacífico e, por conseqüência, dominando as rotas do maior oceano do planeta.

Com variados interesses e pelos mais diversos motivos, esses países lançariamo mundo no maior e mais mortífero conflito de sua história. Sem querer, mudariam-no para sempre, reorganizando a correlação de forças entre as potências mundiais e estabelebecendo uma nova ordem de coisas durante o Breve Século XX (Hobbsbawn).

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