A curiosa história do País Basco

Ontem, além da morte do Kaddhafi, foi noticiada a deposição das armas do ETA e a sua “renúncia” ao terrorismo para alcançar a independência do País Basco. Se vai cumprir a promessa, é outra história. É interessante, no entanto, explicar um pouquinho da história desse canto perdido do mundo.

Hoje, o País Basco é uma região ao norte da Espanha.

Não é uma região propriamente inóspita, mas, por alguma razão, nunca despertou grande interesse. Embora fizesse parte oficialmente do Império Romano, a colonização latina parece nunca ter alcançado-o verdadeiramente. Mesmo após a queda de Roma e as invasões bárbaras, as tribos que ali habitavam continuaram meio fora do mundo. Tanto é que o Euskara, não guarda semelhança com nenhuma das línguas neolatinas, nem muito menos com qualquer das anglo-saxônicas. Na Galícia, por exemplo, o galego é muitíssimo próximo do português. Já na Catalunha, o catalão puxa claramente para o francês.

“E o basco?” Como gostava de dizer SN, “não parece com nada”. Etimologicamente, ninguém tem muita idéia de onde surgiu, nem como se manteve. E, de certo modo, esse isolamento lingüístico talvez tenha contribuído para o isolamento político.

Na fronteira entre Espanha e França, o País Basco ficou zigzagueando como bola de ping-pong durante a história. Em determinados momentos, esteve sob domínio franco. No restante, esteve sob domínio espanhol.

Depois da unificação espanhola em 1492, com a reunião dos reinos de Castilla, León, Granada e Aragón, Fernando e Isabel iniciaram um processo de expansão territorial por toda a península ibérica. O objetivo era conquistar todos os reinos vizinhos, constituindo uma só nação de Portugal até os Pirineus.

E assim acabaram conquistando Navarra em 1524, que, por sua vez, conquistara o País Basco quatro séculos antes.

Mas os bascos jamais se contentaram em ser possessão espanhola. Aliás, os bascos, os galegos e os catalães. O conceito de Espanha como nação “unificada” nunca foi, digamos, “pacífico”. Principalmente no século XX, começaram a criar organizações visando à independência. As principais são o Partido Nacionalista Basco e o ETA (Euskadi Ta Askatasuna), organização responsável por ataques terroristas e assassinatos de políticos desde 1952.

Movidos pelo sentimento nacionalista, os bascos foram se isolando cada vez mais. A tal ponto que é difícil encontrar alguém que fale naturalmente o castellano, o espanhol standard que todos nós conhecemos. Todo mundo faz questão de falar somente o basco, que ninguém entende, e sair espalhando cartazes e pichações pelos muros com os dizeres: Esto no es España.

A despeito disso, o País Basco é uma das regiões mais ricas da Espanha. Concentra um grande pólo industrial, responsável, sozinho, por mais de 10% de todo o PIB da Espanha. Fora isso, a qualidade de vida é alta. Os bascos ostentam um dos maiores níves de IDH do mundo.

Na capital, Bilbao, fica uma das maiores preciosidades arquitetônicas modernas: o Museu Guggenheim. Não conheço, mas, segundo dizem, vale a visita.

Com a deposição das armas pelo ETA, pode-se dar por enterrada a já improvável hipótese de independência da Espanha. O caminho natural seria integrar-se cada vez mais ao país que renega e tentar, com algum tato político, um pouco mais de autonomia do governo central em Madrid.

Se isso acontecer, pode-se esperar que a paz se junte à prosperidade e torne o País Basco uma das regiões mais interessantes para se visitar no mundo. A conferir.

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2 Responses to A curiosa história do País Basco

  1. Avatar de Kellyne Kellyne disse:

    Interessante! Reza a lenda que meu sobrenome materno é de origem basca, acho que terei que dar uma chegadinha lá pra conferir essa história de perto! bjos

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