O mais comum entre as pessoas que desejam ir à Itália e visitar Roma. Coliseu, Foro Romano, Vaticano…
Ok, a città eterna exerce um fascínio quase hipnótico para quem pretende visitar um dia a bota. Mas, se é encantamento que você procura, deve subir um pouco mais ao norte.
Alora, andiamo a Firenze!

Florença é sublime. Poucas cidades do mundo conseguem reunir, num espaço tão pequeno, uma quantidade tão colossal de belezas culturais e arquitetônicas. Não à toa, a definição mais usual em qualquer revista de viagens sobre Florença é museu a céu aberto.
E é isso mesmo. À distância de menos de 10km de uma ponta a outra, você encontrará maravilhas como o Davi de Michelangelo, o Palácio Vecchio, a Catedral de Florença e a Galleria degli Uffizi. Da escultura à pintura, da engenharia da Ponte Vecchio à magistral arquitetura do Duomo, nada parece ter escapado de quem planejou aquele pedacinho de mundo.
Se isso não bastasse, a beleza natural é de embasbacar qualquer um. Florença é capital da Toscana, talvez a mais bela região da Itália. Campos verdes, apinhados de vinhedos, encontram espaços entre montanhas e vales que se estendem até onde a vista não alcança mais. A cidade, em si, fica numa planície, entrecortada por algumas montanhas, como a que a abriga a vizinha Fiesole, uma daquelas cidadezinhas simpáticas da Europa que parecem recheadas de casas de bonecas.
Nesse pedacinho iluminado do mundo nasceram alguns dos maiores gênios da humanidade: Leonardo da Vinci, Michelangelo Buonarroti, Nicolau Maquiavel, Dante Alighieri e Galileo Galilei. Parece que há algo no ar e na água que deixa os nativos mais propensos a também eles iluminarem o mundo.
Apesar da pequenez territorial, conhecer Florença demanda tempo. Se você planeja conhecê-la juntamente com Roma, o mínimo a fazer é deixar a mesma quantidade de dias reservada para Firenze. Talvez até uns dois dias a mais, tal é a quantidade de coisas a conhecer. Menos que isso, você vai ficar com uma pontinha de frustração: “Putz, como eu deixei mais dias para Roma e não para Florença?!?”
E aqui eu falo por experiência própria.
Embora seja bem fácil chegar por trem desde Roma, não é má idéia pensar em alugar um carro. Não para andar na cidade, é claro, porque as ruas são bem estreitas e os estacionamentos, inexistentes. O carro convém porque são tantas as cidadezinhas interessantes a conhecer por perto que o deslocamento ficará bem mais fácil se você estiver motorizado. Fora isso, você ainda poderá curtir a paisagem da Toscana enquanto anda a esmo pela maravilhosa paisagem.
Tá bom de papo. Vamos a um roteiro básico de 4 dias por Firenze:
Primeiro dia: Pra começar bem a visita, o recomendado é ir direto ao Duomo, a Catedral de Florença, que ostentava o título de maior cúpula da Itália até a construção da Basílica de São Pedro. Visite-a por dentro e, se tiver gás, tome fôlego para subir o campanário, para admirar a cidade de cima. Depois do almoço, com a energia recobrada, siga para a Ponte Vecchio, uma curiosíssima construção arquitetônica, em que há diversas joalherias vendendo a preços não tão módicos, mas com qualidade indiscutível. Admire o pequeno rio que corta a cidade – Arno – e, se puder, vá até outra ponte para poder tirar fotos com a Ponte Vecchio ao fundo. Estique depois para o Museo Galileo, também conhecido como Instituto e Museu da História da Ciência. É possível ver os aparelhos originalmente usados por Galileo para observar o universo, e é um passeio por toda a história da ciência. À noite, procure uma pizzaria honesta para jantar e preparar para ficar em pé muito tempo no dia seguinte.
Segundo dia: dia de atrações que demandam paciência, por causa das filas. Comece a caminhada indo direto à Galleria della Academia, onde está uma das mais perfeitas esculturas de todos os tempos: Davi, uma das obras-primas de Michelangelo. A fila é de tirar o juízo, pois os guardas limitam a entrada, em virtude de o espaço interno ser muito pequeno. Uma dica é comprar antecipadamente o ingresso no site. Aí, você escapa da fila. De lá, siga para o Palazzo Vecchio, que por séculos foi a residência oficial dos Médicis, donos daquelas terras. Sem parar, engula um lanche qualquer, atravesse a praça e chegue na Galleria degli Uffizi, um dos museus obrigatórios para você conhecer antes de morrer. Fique boquiaberto com a Vênus de Botticelli e as demais maravilhas da pintura reunidas naquele prédio acanhado. Depois de um dia cheio, procure um bom restaurante para jantar e compensar o lanche engulido no almoço.
Terceiro dia: Ok. O tempo é curto. Mas você tem que tirar um dia para sair de Florença. Vá à estação de Santa Maria Novella e pegue um trem para Pisa, para conhecer a famosa torre inclinada da cidade. Passe a manhã inteira conhecendo os arredores do Duomo da cidade (onde fica a torre). Depois do almoço, siga para Lucca, uma daquelas cidadezinhas que parecem perdidas no mapa, mas que esconde um verdadeiro tesouro medieval, com suas muralhas e seus velhinhos simpáticos. À noite, volte para Florença e jante uma bela lasanha.
Quarto dia: de manhã, eu recomendaria seguir para Fiesole, uma pacata e bonita cidade vizinha a Florença. Perca-se por ali por algumas horas. É um passeio que vale a pena. À tarde, depois do almoço, volte para Florença para conhecer algumas atrações que você ainda não tenha visitado. Uma boa dica é ir à Santa Croce, uma igreja que reúne os mausoléus das maiores celebridades florentinas. Ali estão Maquiavel, Rossini e – contra a vontade – Michelangelo, que queria ser enterrado em Roma. Outra possibilidade é ir ao Mercato Nuovo, onde se vendem frutas e iguarias típicas da região. Se sua vontade for conhecer mais museus, a recomendação é o Palazzo Pitti, no qual, além de pinturas renascentistas, há também uma galeria de arte moderna.

Quatro dias é pouco, sem dúvida. Mas Florença é muito segura de si para achar ruim que você passe tão pouco tempo com ela. Generosa, ela permite que você dê umas escapadinhas para conhecer suas vizinhas. E estará sempre de braços abertos para recebê-lo de volta.