Poucas mortes eram tão esperadas. Quer dizer: de pouca gente se sabia com tanta antecedência que, em questão de meses, talvez um ano, ela partiria desse mundo para o outro. Mesmo assim, foi impossível conter a comoção mundial com o anúncio da morte de Steve Jobs.
Uma das frases mais famosas atribuídas ao gênio da Apple era: “Quero deixar minha marca no universo”. De certo modo, é o que todo mundo persegue. Afinal, todo mundo pensa – ou deveria pensar – que veio a este plano com algum motivo, algum propósito. Nascer, viver e morrer é muito pouco. Entre o nascimento e a morte, deve-se buscar algo para marcar a sua existência e, de certa forma, eternizar-se para as gerações posteriores.
Steve Jobs conseguiu. Se há coisas que podem ser divididas em “antes e depois”, uma delas é a tecnologia nossa de cada dia. Ela foi uma antes de Steve Jobs. E é outra completamente diferente depois dele.
Steve foi um visionário. Poucas pessoas se disporiam a abandonar a faculdade e a chance de uma vida normal, com algum dinheiro garantido e uma sobrevivência digna, para abandonar tudo e estudar coisas como caligrafia. Como ele mesmo contaria anos mais tarde, foi graças a esse curso que o computador pessoal saiu daquelas letrinhas verdes num fundo preto para a verdadeira míriade de fontes e tamanhos que existe hoje em dia.
Sem dúvida, sua grande revolução foi o Mac. Para entendê-la, é necessário saber que, em 1984, computador era coisa de nerd, freak mesmo. Pessoas ordinárias não se arriscavam a mexer com computador nem viam muito sentido em ter um em casa. Para elas, não passava de uma curiosidade, no máximo um luxo. Depois do Macintosh, o computador entrou de vez nos lares de todo o mundo.
Como toda saga épica, Steve Jobs teve seu momento de queda. Em 1984, foi demitido da empresa que criara. Ele estava fora e, como ele gostava de repetir, “muito publicamente fora”.
Steve não desistiu. Seguiu com sua carreira e foi tentar outras coisas da vida. Fundou a Next e – vejam vocês – um estúdio de cinema chamado Pixar. Com o tempo, a Next cresceu tanto que acabou fundindo-se novamente à Apple, quando esta passava por maus bocados. A Pixar, como todo mundo sabe, praticamente inventou o segmento de cinema da animação computadorizada com Toy Story e sucessos seguintes como Procurando Nemo. Filmes fantásticos pela produção, mas mais ainda pela história que contavam.
Já de volta, Steve foi responsável por levar a Apple de uma empresa relativamente mediana de tecnologia a valer, mesmo que por alguns dias, mais do que a Exxon, líder de mercado desde 1900 e bolinha.
Jobs criou o Iphone e revolucionou o mercado de smartphones. Jobs inventou o tablet. E só Deus sabe o que mais inventaria se tivesse mais tempo na Terra.
Tudo bem. Steve Jobs pode até ter partido cedo, mas com certeza deixou sua marca no universo.
Abaixo, vai o seu famoso discurso na Universidade de Stanford, em que conta em 15 minutos sua vida toda. É para ouvir e inspirar-se.
Stay hungry. Stay foolish.