Cidades do mundo: Roma

Faz tempo que não posto novas cidades por aqui. E, já que boa parte dos freqüentadores do blog é andarilha, voltemos às viagens. No episódio de hoje, uma das cidades mais divertidas, caóticas e alegres do mundo: Roma, la città eterna.

Alright, bad news first: Roma não é para novatos. Se você é passageiro de primeira viagem, evite começar por Roma. Em certos aspectos, é muito parecido com estar no Brasil. E é exatamente isso que é ruim em Roma.

A começar pelos taxistas. De tão enrolões, já fizeram até comercial-piada com os city tours que você costuma usufruir, sem pedir, quando pega uma corrida. É capaz de você ficar tonto com tanta volta que o motorista dá antes de chegar ao destino. Não raro, uma corrida de EU$ 15 sai por EU$ 50. Por isso, se chegar lá de avião, prefira pegar os ônibus ou, na pior das hipóteses, contrate um transfer antes de viajar numa agência de viagem. Economizará algumas eurotas preciosas fazendo isso.

Mas enrolar não é privilégio dos taxistas romanos. Sempre – mas sempre MESMO – pergunte o preço da mercadoria no bar ou no restaurante antes de pedir. Caso contrário, você pode ser agradevelmente surpreendido pela Coca-cola mais cara de sua vida (EU$ 8). Além diso, confira sempre a conta antes de pagar. É muito comum encontrar, digamos, “erros” na quantidade de coisas pedidas e até na soma dos preços.

Pra terminar o rol de más notícias, os italianos são geralmente muito mal-educados. Descorteses, negam-se a dar as informações mais básicas da cidade. Além disso, costuma ser rudes mesmo em lugares como nos hotéis, onde se espera pelo menos um treinamento de boas maneiras. Quanto mais ao sul você vai, pior. Por isso, prefira viajar para o norte da Itália, onde o povo é mais civilizado.

Chega de más notícias, se não vou acabar espantando os turistas e os farei de desistir da visita, o que seria um tremendo erro. A despeito dos italianos, Roma é uma cidade belíssima. São poucos os lugares do mundo em que você pode respirar a história assim de forma tão presente. Não fossem os carros e as vestimentas, você poderia perfeitamente achar que estava andando na própria Roma dos césares. Cada pedra, cada tijolo, cada pedaço de chão da cidade tem uma história imensa a contar. Basta que você tenha um pouco de disposição e paciência para ela revelar-se.

Fora isso, Roma ainda traz dentro de si toda a riqueza arquitetônica e cultural da cidade do Vaticano. Só isso já valeria a visita.

O deslocamento em Roma é um tanto difícil. Há apenas duas linhas de metrô, que se cruzam em X no Termini, a estação central de trens. Mesmo assim, ele serve bem para você ir aos principais pontos turísticos da cidade. Ônibus são difíceis e o trânsito é verdadeiramente caótico. Táxis, nem pensar. Só se for em último caso, por conta do que falei antes. Por tudo isso, prepare um bom tênis e esteja em forma para andar bastante quando for à cidade.

A propósito, se tiver que escolher um hotel, prefira um razoável perto do Termini. Além da facilidade de deslocamento (metrô e trens para fora da cidade), lá ainda há várias lojas e restaurantes baratos onde comer bem.

Uma boa notícia é que, comparada a cidades como Londres e Paris, Roma é relativamente barata. As atrações não são muito caras e a comida é bastante acessível. O transporte – à exceção do táxi – também oferece preços módicos.

Uma última dica: ande como se estivesse no Brasil. Isto é: evite jóias, relógios, objetos de valor, e esteja sempre atento. Não é tão violento como as capitais brasileiras, é claro, mas é muito mais do que o padrão médio europeu.

Sem mais, vamos a um roteiro básico de quatro dias pela cidade eterna:

Primeiro dia: vá direto e reto para o Vaticano. Visite a Praça de São Pedro e prepare-se para a extraordinária fila dos Museus do Vaticano. 1h30m, por baixo. Coma antes ou leve um lanche, porque a visita é demorada. Na visita, você passará por quase todos os aposentos papais, visitará algumas das maiores relíquias da história e terminará dentro da capela sistina. Lá, delicie-se com o teto e as paredes, que guardam as mais belas pinturas da história, graças a Michelangelo. De lá, você ainda pode escapar para a Basílica de São Pedro, a maior e mais bela do mundo. À noite, volte para jantar perto do hotel, mesmo, porque seus pés estarão pedindo arrego.

Segundo dia: Mais um dia de caminhadas mil. Pegue o metrô e desça em Colosseo. É a parada do Anfiteatro Flávio, o popular Coliseu. Lá, maravilhe-se com o maior estádio da antigüidade. Depois da visita, almoce por ali perto. Depois, mas caminhada em direção ao Foro Romano. Trata-se de um sítio arqueológico que reúne as principais construções da Roma Imperial: o Templo de Saturno, o Arco de Constantino, a Basílica de Maxêncio e vários outros. Se ainda houver tempo e você estiver disposto, siga para o Campidoglio, um museu de antigüidades romanas interessantíssimo, onde está, por exemplo, a famosa escultura da lendária loba que amamentou Rômulo e Remo, os supostos fundadores de Roma. À noite, siga para Travestere, onde existem muitos bons restaurantes e boates nortunas. É o lugar onde Roma pulsa quando o sol se põe.

Terceiro dia: adivinhou? Mais caminhadas. Hoje, um caminhada básica pelo centro da cidade. Pegue o metrô e desça na Piazza del Popolo. Visite a basílica de mesmo nome e tire uma foto do belo obelisco tomado aos egípcios a enfeitar a praça. De lá, hora de caminhar pela Vila Borghese, uma belíssimo parque ao ar livre, onde, além de verde e áreas de diversão, há museus como a Galeria Borghese e o Museu Nacional de Arte Moderna. À tarde, desça pela Via Veneto e passe pelo Mausoléu de Augusto. Siga imediatamente para o Panteão, a maior cúpula em diâmetro do mundo, e também a mais antiga igreja romana. De lá, siga para a Piazza Navona. Além da bela praça, onde funcionou um antigo estádio romano, há o Palácio Pamphili, sede da Embaixada do Brasil. Adquirido na bacia das almas após a II Guerra, até hoje o Governo Italiano quer porque quer retomar esse jóia arquitetônica para si. Aproveite para descansar e tomar um gellato ou um café num dos vários bares e restaurantes sediados ali. De lá, siga para o “Bolo de Noiva”, mais conhecido como Monumento a Vittorio Emanuelle, uma das contruções mais estranhas e exóticas da cidade. À noite, busque algum restaurante decente perto do hotel, para comer e descansar um pouco de tanta caminhada.

Quarto dia: só pra variar um pouco, dia de sair de Roma. Escolha alguma cidade próxima para conhecer. Uma boa dica é ir a Pompéia, conhecer as ruínas da cidade destruída pela fúria do Vesúvio. Na medida do possível, fuja de Napoli, um verdadeiro lixo de cidade, que simplesmente não vale a pena conhecer. No entanto, aproveite para almoçar e jantar por lá, porque a comida dos restaurantes é muito, mas muito mais gostosa do que em Roma.

Quinto dia: dia de despedidas. Você pode relaxar indo para as Termas de Caracala ou de Diocleciano. Pode ainda visitar o Palácio do Quirinal, a sede do Governo Italiano. E, é claro, vá até a Fontana di Trevi. Jogue uma moeda por cima do ombro direito. Com isso, reza a lenda que você voltará a Roma. Jogando duas, você achará um amor. E se jogar três, achará um amor em Roma. Bom, acredita nisso quem quiser, até porque os malacas vêem à noite e levam todas as moedas jogadas. Mas o que vale é a intenção.

Pronto. Cansado, mas extasiado, você terá conhecido uma das cidades mais importantes da história. Claro, claro, ainda ficará faltando muita coisa. Mas, convenhamos, querer conhecer 5 mil anos de história em apenas 5 dias é uma tarefa um tanto impossível.

Fica, no entanto, o desejo de que a moedinha jogada na Fontana di Trevi faça efeito, e que bons ventos te levem de volta à Città eterna. Definitivamente valerá a pena.

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