No último post, falei do último pacote econômico lançado pelo Obama. Na verdade, não passa de uma tentativa desesperada de tentar reverter o quadro negro que se pinta para ele na eleição presidencial do ano que vem. Na última pesquisa, 51% dos americanos rejeitavam Obama como presidente. A reeleição para o cargo, fato comum nos mais de 200 anos da democracia americana, parece um sonho distante para o primeiro presidente negro de sua história.
Mas o que aconteceu com o símbolo, o quase-mito, a esperança trazida pelo slogan “Yes, we can” nesses três anos? O que fez o presidente popstar transformar-se no patinho feio da política internacional?
As explicações são várias. A primeira, como diria James Carville, “é a economia, idiota”. Patinando e escorregando entre uma recessão e outra, a economia americana revive tempos que acreditava ter deixado pra trás desde os anos 30. E, convenhamos, altos índices de desemprego, crise financeira e estagnação econômica não são lá um coquetel muito bom para vitaminar o ibope de um presidente.
Só isso, contudo, não explica o problema.
Obama elegeu-se no rastro da pior presidência da história dos EUA: George Bush, o filho. Para a crise econômica, prometia crescimento e emprego. Para o atoleiro do Afeganistão e do Iraque, prometeu o retorno das tropas. Para os direitos humanos, prometia fechar a prisão de Guantánamo.
Passados três anos, Obama não cumpriu nenhuma das promessas de campanha. O tripé que constituía o conteúdo de sua mensagem “Yes, we can” acabou esquecido num emaranhado de ações e condutas erráticas, por vezes contraditórias, de um presidente que não conseguiu demonstrar ainda a que veio. Obama queria entrar para a história como um novo Franklyn Roosevelt. Hoje, seu retrato na enciclopédia assemelha-se mais a Jimmy Carter.
Todo mundo sabe que a crise econômica foi herdada do governo Bush. O problema é que boa parte dos americanos acredita que as ações de Obama não somente não resolveram a situação como fizeram-na piorar.
No front externo, já adiou por três vezes o retorno das tropas do Iraque e do Afeganistão, e ninguém acredita que o fará até o final do governo. Fora isso, meteu ainda os Estados Unidos na queda de Kaddhafi. Quando o fez, entrou de lado, acanhado, constrangido. Conseguiu desagradar aos dois setores do eleitorado: o direitista, porque não assumiu claramente a invasão, um exemplo típico da política imperialista da direita americana; o esquerdista, já saturado por duas guerras e vendo o país embarcar em uma terceira.
A verdade é que Obama foi, até aqui, um presidente fraco. Não usou o capital político e a maioria de que dispunha no começo do mandato para enfrentar a oposição da parte mais radical do Partido Republicano: o Tea Party. Se tivesse implementado as promessas de campanha no primeiro ano de seu mandato, provavelmente já estaria com a reeleição assegurada.
Eu sei, eu sei, é fácil fazer análise pelo retrovisor. Mas ninguém votou em Obama esperando a continuidade do Governo Bush. Votaram para mudar. Se Obama não entendeu a mensagem, não deveria estar sentado na cadeira de presidente.
Obama ainda tem chances de se reeleger. Mas, como se diz no futebol, não depende mais só de si mesmo. Vai precisar que o Partido Republicano dê um tiro no pé e lance algum representante do Tea Party à presidência, como a Sarah Palin. Se isso acontecer, pode ser que consiga se eleger com base no lema do candidato anão: “Vote Anão: dos males, o menor”. Do contrário, descerá ao verbete como o maior “Presidente-que-não-foi” da história americana. A conferir.