A volta do vinil

Esse não é mais um episódio da série A volta dos que não foram. Não, nada disso. É fato: o LP era uma espécie extinta. Quer dizer, não se (re)produzia mais. Salvo sebos e colecionadores, era difícil encontrar por aí os famosos bolachões.

Quem tem menos de 25 anos, já nasceu num mundo dominado pelos CD´s. Não me esqueço nunca de uma vez quando, xeretando no armário da avó, o Homem-Tupish exclamou impávido ao encontrar aquela coisa grande, redonda e preta:

“Vó, o que é isso?”

Sim, meus caros, sem querer ser saudosista, mas ouvir música naquela época era bem mais legal. Seja por que não tínhamos a opção de simplesmente passar as músicas adiante, seja por que todo mundo aparentemente tinha mais tempo, o fato é era fácil encontrar quem comprasse um LP e o escutasse até o final. Podia até mesmo ser um caso de one hit wonder, não importava; o sujeito escutava faixa por faixa do disco em busca de alguma outra pérola musical.

Dizimado pelo CD, o LP aparentemente está ressurgindo. Aos poucos, é verdade, mas é o tipo de onda tsunami: é baixa, você não dá nada pra ela, mas é extensa e vem com uma força fenomenal.

A coisa começou pelos audiófilos de plantão. No mundo dos musicfreaks, ninguém nunca tinha se conformado com a substituição do LP pelo CD.

“Por quê?”

Por um simples fato: por mais que tenham tentado, o som do CD nunca chegou perto da fidelidade do som do LP.

“Oooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!” (Onomatopéia indicativa de espanto do leitor)

É verdade, creiam-me. A questão é a seguinte: o disco de vinil é gravado analogicamente. No CD, o processo é digital; ou seja, transforma-se o áudio original em números “0” e “1”. É, mal comparando, como se o vinil “guardasse” a fisionomia de uma pessoa como uma estátua de cêra da Madame Tussaud: algo idêntico ao original. Enquanto isso, o CD reproduziria simplesmente um holograma em 3D. Por melhor que seja a tecnologia, você ainda consegue ver uns “bugs” na imagem. E não consegue “tocá-la”.

Nesse processo de transformação, alguns sons de transição repentina, como baterias ou trompetes, sofrem distorção por causa da velocidade da captura. Nos aparelhos de CD e DVD domésticos, a gravação digital é convertida em sinal analógico e enviada ao amplificador. O amplificador eleva a voltagem desse sinal a um nível alto o suficiente para reproduzir o áudio através dos auto-falantes. Os discos de vinil possuem entalhes que refletem as ondas do áudio original. Isso significa que nenhuma informação é perdida. O resultado de um toca-disco é analógico, enviado diretamente ao amplificador sem ser convertido. Em outras palavras: as ondas sonoras de um disco de vinil podem ser muito mais precisas e podem ser apreciadas de maneira mais agradável. (Howstuffworks)

Além disso, exatamente por conta do tamanho, a produção das capas dos discos era algo extremamente elaborado, artístico mesmo. Os exemplos são vários: desde o antológico Dark side of the moon, do Pink Floyd, até o último disco dos Beatles: Abbey Road:

Não sei quanto a vocês, mas eu mal posso esperar para comprar uma nova vitrolinha e começar a ouvir as raridades que “herdei” do meu tio. De certa forma, é um modo de voltar no tempo, e ouvir nos originais os ruídos dos tempos que não voltam mais.

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