Como ajudar um paciente internado

A internação de um ente ou de amigo querido é sempre um momento difícil para a família. Principalmente quando não há médicos nela. Você fica num pé e noutro, ouvindo trocentos médicos, cada um dizendo uma coisa diferente e, a depender da condição do paciente, o desespero aumento na razão direta da quantidade de informações que você recebe.

Pensando nisso, e por já ter passado algumas vezes por situações do gênero, vou compartilhar aqui algumas dicas que podem fazer a diferença entre seu parente ou amigo sair bem do hospital ou não. Assim como alguns avisos aos mais incautos, para não se perderem ou se atrapalharem com a burocracia hospitalar.

Primeira coisa: procure um médico amigo. Se for da área específica (neurologia, traumatologia, cardiologia, etc.) da doença que acomete a pessoa querida, tanto melhor. Se não for, pelo menos é alguém mais instruído para conversar com os médicos do hospital. Além disso, assim como nas outras áreas, a área médica é uma grande patotinha. Todo mundo se conhece. Na pior das hipóteses, seu amigo vai conhecer um amigo do amigo do médico que o acompanha. E um pedido desse amigo para que dê atenção especial ao paciente vale muito mais do que o da família.

Segunda coisa: em casos de internação, especialmente se for o caso de UTI, sempre – mas SEMPRE, mesmo – estabeleça um rodízio na sua família para que, em todos os horários de visita, esteja alguém da família lá. Não se engane. Em certos aspectos, a rede privada é igual ou pior do que o SUS. Se não for ninguém visitar o paciente, ou se os profissionais da área não sentirem o interesse real da família, vai acontecer o seguinte: seu ente ou amigo será tratado apenas como mais (ou menos) um. De forma puramente burocrática.

Terceira coisa: se o plano de saúde do seu ente for enfermaria, trocar por apartamento exige uma bela disposição de dinheiro. Não se paga somente a troca da acomodação. Junto com ele, vêm também a diferença dos honorários dos médicos. “Como assim? Eles não vão fazer nada de diferente do que fariam num apartamento!” Sim, eu sei, é um absurdo. Mas o fato é que funciona assim. E tem mais: se houver uma cirurgia, a diferença dos honorários será não somente do médico que acompanha o paciente, mas de TODA a equipe médica: anestesista, médicos auxilares, enfermeiros, etc.

Quarta coisa: pergunte aos médicos. Não tenha vergonha. Aliás, é sempre bom a família escolher um “porta-voz” para tratar com os médicos. Alguém desinibido, mas ao mesmo tempo educado. Médico detesta ser questionado. Acha que estão querendo decidir no lugar dele. Mas não tem outro jeito. Eles são humanos (apesar de muitos já terem se esquecido dessa condição), e podem errar como qualquer um. Veja o seguinte caso: a pessoa sofreu um infarto. É tratada no hospital por um cardiologista. Mas começa a apresentar dificuldades de fala, um sintoma de AVC. Um bom médico chamará um neurologista para avaliar o caso. Um médico prepotente ou dirá que não é nada, ou dirá que é resultado do infarto. Nesse caso, sugira “delicadamente”: “Dr., o senhor não acha que seria melhor chamar um neurologista?”É melhor fazer isso do que depois ficar com remorso por não ter perguntado.

Quinta coisa: Médicos se melindram muito facilmente. No caso acima, por exemplo, se ele insistir em não chamar o neurologista, não diga que quer “mudar de médico”. Nem faça isso diretamente com o neurologista. Você vai comprar briga com o médico assistente e ainda se arrisca a não conseguir o neurologista. Diga que precisa de uma “segunda opinião” sobre o caso. De todo modo, a depender da gravidade do caso, se você não sentir segurança ou perder a confiança do médico, não hesite: fale com a direção do hospital e peça para trocar.

Última coisa: acredite ou não, um dos piores lugares para um paciente estar é num hospital. São muito comuns os casos de pessoas que entram no hospital por um motivo (infarto, p. ex.) e morrem depois por alguma complicação decorrente da internação (pneumonia, p. ex.) Assim, se ele estiver na UTI, quanto antes sair de lá, melhor. “Ah, mas lá ele tá monitorado 24 h/dia”. Eu sei. Mas é lá que ele pode contrair uma infecção hospitalar mais grave, ter algum tipo de embolia e também trombose (por conta de ficar deitado muito tempo). Na enfermaria ou no quarto, os riscos são menores. Mas ainda assim há riscos de infecção ou algo do gênero. Portanto, fique feliz – e não preocupado – quando seu parente ou amigo sair ou da UTI ou tiver alta do hospital. Na maioria dos casos, é menos arriscado seguir com o tratamento em casa do que num hospital.

No mais, é importante ter paciência e mostrar ao paciente, sempre, o quanto ele é importante pra você e para a família. O hospital é um ambiente altamente depressivo e solitário. Pessoas mais susceptíveis podem facilmente cair numa depressão, algo que pode agravar o quadro clínico. Nada é mais importante nessa hora do que o apoio da família. É dele que surgirá a força para o paciente sair de lá o mais rápido que puder.

 

 

 

 

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2 respostas para Como ajudar um paciente internado

  1. Fernando disse:

    obrigado

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