Cidades do mundo: Copenhagen

Ok. Aqui a gente faz o que o cliente deseja. E se o público quer mais dicas de viagem, vamos a ela: Gå til København.

Capital da Dinamarca, Copenhagen é uma cidade encantadora. A começar pelo povo: bonito, lindo e joiado. Parece que todo mundo saiu de um comercial de TV. Os bebês, então, assemelham-se àqueles presentes nas campanhas publicitárias de garrafões d´água. Tudo bem que pra quem está acostumado à paisagem brasileira, diversa, multiforme e igualmente fascinante, aquele mar de loiros parece um tanto monótono. Mas há uma diferença: não há gente feia, feia mesmo, como vemos por aqui de vez em quando. Ou, se há, eu mesmo não vi.

Fazendo parte da Escandinávia, a Dinamarca é um verdadeiro modelo de civilização. Um estado de bem-estar social na melhor acepção do termo: rico, desenvolvido, igualitário, mas longe, muito longe, de ser deficitário. Reza a lenda que, certa vez, um dono de uma empresa consultou um de seus empregados sobre a possibilidade de tornar-se sócio. Dando de ombros, o empregado disse que continuaria melhor como empregado, pois a diferença salarial era tão baixa que não compensaria a responsabilidade maior do cargo. Não à toa, uma recente pesquisa indicou a Dinamarca como o país onde a população é mais feliz. Lá, todo mundo parece estar permanentemente de bem com a vida.

Gentil e educado, o povo danês é extremamente hospitaleiro. Embora o dinamarquês seja uma língua um tanto estranha, até mesmo o vendedor da barraca de cachorro-quente fala inglês. Nesse aspecto, dificilmente você terá problemas. Além disso, por não fazer parte do circuito Elizabeth Arden, não há aquele ar de enfado com os turistas que acomete alguns parisienses. Turista, ainda por cima brasileiro, é mais um objeto de curiosidade para o cidadão local do que outra coisa.

Mas não espere também a disponibilidade que você encontraria, por exemplo, em Londres. Se você estiver perdido olhando um mapa, ninguém vai parar e te ajudar espontaneamente. Aliás, dificilmente vão olhar pra você ou sequer te notar. Os dinamarqueses são low profile, totalmente “na deles”; não se intrometem na vida dos outros. No entanto, não se acanhe de perguntar em caso de necessidade. Acredite: do outro lado estará um sujeito pronto a abrir-lhe o sorriso.

Visitar Copenhagen requer planejamento. Entenda-se: requer juntar muito, mas muito dinheiro. A Dinamarca não entrou na canoa furada do Euro, e sua moeda – a Coroa – mantevesse como uma das mais caras do mundo. Almoçar num bom restaurante não sai por menos do equivalente a EU$ 60,00 o casal. As hospedagens também são um tanto proibitivas. Até porque, mesmo os hotéis mais vagabundos são melhores do que os top de linha de outros países europeus (ex: Itália). Portanto, se quiser visitá-la, prepare o bolso.

Escolher a época do ano também convém. Mesmo nas épocas mais agradáveis (primavera e outono), o clima é mais frio do que o habitual no resto da Europa. Fuja do inverno e do verão: ou você terá -8º ou 80º.

Andar pela cidade é fácil. A cidade é plana, o que ajuda nas caminhadas. Você também pode andar de bicicleta, meio de transporte muito popular por lá (embora menos do que Amsterdam). As distâncias das atrações turísticas, contudo, recomendam ou um carro ou o velho e bom ônibus do sightseeing para ajudar nos deslocamentos.

Sem mais, vamos a um breve roteiro de quatro dias pela capital dinarmaquesa:

Primeiro dia: dia de quebrar o gelo com a cidade. Saia do hotel e siga para a Rådhuspladsen, coração da cidade. Siga em frente, andando a esmo, mesmo, só pra sentir o pulso da cidade. Com alguma disposição, vá andando até a catedral da cidade, onde estão as estátuas de Jesus Cristo e seus doze apóstolos feitas pelo famoso escultor local chamado Thorvaldsen. Almoce, e depois à tarde siga para o Castelo de Rosenborg. Visite o palácio e a coleção de relíquias de Coroa Dinarmaquesa. Ao sair, descanse um pouco e aproveite a sombra debaixo de uma das árvores do belíssimo jardim do palácio. À noite, volte à Rådhuspladsen e, se estiver com disposição para gastar e comer bem, vá ao Restaurante Vesuvio, que fica numa das esquinas da praça. O preço é bem salgado, mas a comida é deliciosa.

Segundo dia: quebrado o gelo, dia de divertir-se. Siga direto para o Parque Tivoli, no centro da cidade. É um belíssimo parque de diversões, à la Disney, embora mais low profile. Se quiser subir numa das montanhas-russas, recomendo seriamente que o faço de barriga vazia, para não ter, digamos, “surpresas” depois do passeio. São muitos os brinquedos, e a visita pode durara facilmente o dia inteiro. Olhe a programação do parque, pois à noite normalmente há atrações, como shows e espetáculos de ballet.

Terceiro dia: se não tiver alugado um carro, compre o passe de um ônibus sightseeing para andar o restante da cidade. Vá até a estátua da Pequena Sereia, tirar fotos e conhecer o porto da cidade. Desça na Ópera da cidade, um belíssimo e arrojado prédio na beira do mar, para conhecê-la. Faça o mesmo com a Biblioteca Real, mais conhecida como “Diamante Negro”, um prédio conceitual em direção oposta à Ópera. Aproveite a viagem para visitar também o Palácio de Amelienborg, onde a rainha fica hospedada. Com alguma sorte, você pegará a troca de guarda do palácio. De lá, diga a pé até a Marmorkirken, uma belíssima igreja toda construída em mármore bruto. À noite, siga para o Nyhavn, ou Porto Novo, a área boêmia da cidade. Se o clima ajudar, tome uma bela cerveja enquanto senta num dos vários bares ao redor do canal.

Quarto dia: dia cultural, porque ninguém é de ferro. Siga para o Statens Museum for Kunst, ou Museu Nacional de Belas Artes. Não é o Louvre, nem a National Gallery, mas ainda assim impressiona pela variedade e beleza do acervo. Obras de Rubens, Rembrandt, Picasso e Matisse unem-se para formar um belo relicário da pintura mundial de todas as épocas. Vale a pena visitá-lo. À tarde, se estiver de carro, você pode seguir para Malmo, uma cidade sueca ligada à Copenhagen pela ponte Oresund, uma maravilha arquitetônica de causar inveja à nossa Rio-Niterói. Você pode ainda fazer uma excursão até Elsinore, visitar o castelo de Hamlet, isto é, o castelo onde supostamente a história teria se passado.

Bom, acho que era isso. Tá certo que ainda tem muita cidade pra conhecer. Mas – convenhamos – é melhor guardar um pouco para a próxima vez. Toda vez que você se sentir deprimido e achar que a vida não vale mais a pena, vá a Copenhagen renovar os ânimos. Não há remédio melhor contra a depressão.

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2 Responses to Cidades do mundo: Copenhagen

  1. Avatar de José Tarcísio A. Santos José Tarcísio A. Santos disse:

    Concordo com quase tudo, exceto quanto aos preços de alimentos, que não achei tão proibitivos. Fiquei por lá quatro dias, em Julho passado, andei muito e realmente concordo que é um belo antídoto contra não só a depressão, como também à falta de civilidade tão comum por aqui.

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