Strauss-Kahn e a volta dos que não foram

Se arrependimento matasse, este que vos escreve não estaria mais entre vós.

Um post fiquei vos devendo acerca do caso Strauss-Kahn e do suposto estupro da camareira de um hotel em Nova Iorque na época em que o caso surgiu. De todo modo, por mais que não tenha escrito nada à época, tenho Ana O., Kellyne, LZ e LB como testemunhas da minha tese sobre o caso.

Quando estourou o escândado da acusação de estupro contra Dominique Strauss-Kahn, muitas coisas pareciam estranhas. Muita rapidez nas conclusões, muita eficiência da polícia americana e muito credibilidade emprestada às afirmações de uma mulher “sem passado”, isto é, que ninguém conhecia nem sabia de onde veio. Somando-se a isso o fato de que o então todo-poderoso Diretor-geral do FMI era favorito na corrida presidencial francesa, contra um Sarkozy debilitado, porém ami du coeur dos americanos, tinha-se um pano de fundo mais parecido a uma conspiração armada do que a uma acusação de verdade.

Uma reportagem da BBC – até onde sei, a única emissora que colocou em xeque a vero a seridade das acusações contra DSK – apontava várias coisas estranhas. Primeiro, as manchetes do escândalo chegaram à prensa antes mesmo de DSK ser formalmente acusado pela polícia. Segundo, apenas 3 horas se passaram da acusação à prisão de DSK dentro do avião, no Aeroporto JFK. Isso siginfica que a polícia de Nova Iorque recebeu a queixa, tomou o depoimento da vítima e de outras testemunhas, conferiu a veracidade dos indícios, levou o pedido de prisão devidamente fundamentado ao juiz, e depois correram pro JFK para prender o estuprador – já embarcado – na primeira classe do avião. Tudo isso em apenas 3 horas.

De duas, uma: ou a polícia de Nova Iorque é a mais eficiente (e vidente) do mundo, ou o caso já estava montado de véspera.

Após a prisão, é claro, a imprensa caiu matando. Foram cavucar a vida inteira do sujeito. Mulherengo, namorador, beberrão… só não o chamaram de bonito. Sua queda por um rabo de saia foi logo vista como “prova” de que a acusação da camareira era verdadeira. A ninguém ocorrera criticar uma história que, desde o começo, não fazia sentido. Explico:

A camareira alegara que batera à porta, ninguém respondera, e entrou no quarto para limpá-lo. Saindo do banho, de toalha, DSK teria avançado em cima dela e forçado-a a praticar sexo. Acredite nisso quem achar que um sujeito rico, com fama de “pegador”, teria um surto instantâneo por uma desconhecida fisicamente muito distante de uma Ana Paula Arosio ou de uma Juliana Paes, quando poderia cortejar uma outra mulher ou, no limite, pagar por uma.

Enxovalhado pela imprensa mundial e colocado à arena como um velho tarado, DSK não só perdera as possibilidades de se candidatar a presidente da França como ainda teve de renunciar ao cargo de Diretor do FMI. A isso acrescente-se as multas e o dinheiro, muito dinheiro, gasto com as fianças americanas (ao contrário do que ocorre por essas bandas).

Curiosamente, a casa caiu na mesma semana em que Cristine Lagarde foi eleita para o cargo que outrora pertenceu a DSK e dois dias depois de seu partido (Partido Socialista Francês) ter começado as prévias para escolher o seu candidato à presidência.

Mesmo que não se acredite em uma conspiração, há de se convir: são coincidências demais para um caso só.

Agora, já começaram a falar que a camareira fez isso movida “por razões financeiras”. Como ela poderia extorquir um sujeito denunciando-o de cara e produzindo sua ruína, só a polícia americana pode explicar.

O fato é: se houve armação na denúncia, há um mandante. E se há um mandante, há motivos que o levaram a produzir a pantomina.

“Quem foi o mandante e quais os motivos determinantes para a farsa?”

Não sei. Mas, se forem investigar a fundo, boa coisa é que não vão achar.

Esta entrada foi publicada em Política internacional. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

4 Responses to Strauss-Kahn e a volta dos que não foram

  1. Avatar de rodriguesjr rodriguesjr disse:

    sempre achei esquisito as acusações da camareira e MAIS esquisito a reporter francesa que aproveitou pra acusa-lo por um estupro supostamente ocorrido mais de 10 anos antes. no minimo, tinham interesse em outro canditado na presidencia francesa e/ou na direção do FMI. mas como quem manda impõe uma suposta tradição, manteve-se um europeu e como vingança é prato que se come frio (os melhores pratos são frios, diga-se de passagem) outro frances mandando no FMI.

    • Avatar de arthurmaximus arthurmaximus disse:

      Só acho que, no final das contas, o “acerto de contas” era entre franceses, mesmo. Os EUA acabaram ficando como pastelões nessa história. Compraram a acusação, fizeram a maior balbúrdia e, agora, tem a credibilidade de sua polícia e de seu sistema judicial colocada em xeque. Abraços.

  2. Avatar de Kellyne Kellyne disse:

    Elementar, meu caro Arthur! Ao ver as novas notícias sobre o caso DSK não tive como não lembrar aquela conversa no novo refeitório da FDUL em que você levantou a hipótese da conspiração. Li ontem na Veja que já descobriram uma ligação da suposta vítima com um traficante de drogas que se encontra preso e que mensalmente enviava para ela grandes quantias em dinheiro, além de bancar várias linhas de telefone celular, todas com contas de valores altíssimos. Também comentaram de conversas que ela manteve com esse traficante antes de fazer a denúncia contra DSK. O que isso tem a ver com a corrida presidencial francesa ou com o FMI não sei, mas que é esquisito, isso é… Bjos

    • Avatar de arthurmaximus arthurmaximus disse:

      E bota esquisito nisso, Kellyne. Essa história do traficante tá muito mal contada. Pra mim, não passa um laranja. Quero saber é quem está por trás provendo-o com o dinheiro repassado à “camareira violentada”. Beijos.

Deixar mensagem para Kellyne Cancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.