Se há uma coisa que quase todo político detesta é marcar posição. Assumir claramente um lado em determinada controvérsia significa comprar briga com a outra parte que não compartilha da mesma opinião. E, como comprar briga resulta quase sempre em menos votos, ficamos aí a vagar com a “pausterização” dos discursos.
Uma das saídas mais comuns para um político enganar o povo dizendo que vai resolver um problema sem solucioná-lo é dizer que vai “regulamentar” a questão. Quer um exemplo? A praga das flanelinhas.
Em quase todas as cidades do país e, agora, até em outras partes do mundo (viva a Globalização), as ruas da cidade foram “privatizadas” à força pelos flanelinhas. O sujeito que não tem mais o que fazer e nem está a afim de ralar em busca de um emprego honesto sai à rua, recebe uma inspiração divina e, de repente, “esta rua aqui é minhazária“. Ninguém tasca. A partir de então, passa a cobrar de nós, pobres mortais sem contato direto com os céus, o “uso” daquele espaço que a Providência reservou para ele. Além da suprema benevolência de ceder o espaço que lhe pertence a uso alheio, faz ainda o favor de “vigiar” o carro para que “ninguém” risque, quebre o vidro ou leve o som.
Sem meias palavras: a cobrança feita pelos flanelinhas é extorsão. É um caso que reclama intervenção direta do Poder Público para impedir, primeiro, a expropriação do público (espaço) e, em seguida, do privado (o dinheiro cobrado do particular). No limite, é pura e simplesmente um caso de polícia.
Entretanto, toda vez que um político é confrontado com uma pergunta sobre o que fazer para minimizar o problema, ou desvia-se da resposta, ou então sai-se com o fatídico “temos que regulamentar a atividade”. Ou seja: farei nada.
“Regulamentar”, nesse caso, significa criar normas para ordenar o exercício de alguma atividade econômica. Pressupõe-se, com isso, que a atividade seja lícita. Ou você já ouviu alguém dizendo que se deve “regulamentar” o tráfico para garantir os direitos trabalhistas dos “vapores” e das “mulas”?
A “atividade” dos flanelinhas é completamente ilícita. Em primeiro lugar, do ponto de vista puramente legal, significa a apropriação de um bem de uso comum do povo – cujo usufruto gratuito é assegurado pela Constituição – para exploração por um particular. Em segundo lugar, um bem que não poderia ser explorado comercialmente é “cedido” a alguém sem nenhum critério, exceto a força (não há licitação). Em terceiro lugar, dessa “atividade” não resulta qualquer benefício para a população (não há pagamento de impostos). Em quarto e último lugar, o “consumidor” é obrigado a pagar por uma “serviço” que não pediu. Isso quanto ao aspecto legal.
Quanto ao aspecto prático, todo mundo sabe pelo que você paga ao flanelinha: paga-se para não ter seu carro danificado por ele mesmo. Pneus furados, lataria riscada e som de carro furtado, tudo isso é o que lhe espera caso você “frustre” o pagamento, exigido, no mais das vezes, “adiantado”. Em uma só palavra: extorsão.
Flanelinha não tem que ser regulamentado. Tem que ser banido. No dia em que aparecer um candidato a prefeito dizendo que vai limpar as ruas dessa praga, significa que alguma coisa mudou na política deste país. Pra melhor.
Sobre a máfia dos flanelinhas: http://www.youtube.com/watch?v=r-bWdRyoo2Y
Bjos
Muito bom o vídeo, Kellyne. Só deixa ainda mais clara a empulhação da “segurança” que os flanelinhas vendem. Beijos.
só na beira mar ele teria feita mais do que os 14min de video. se rodar fortaleza dá pra fazer um programa de mais de 1h.
Oh, yeah. Concordo inteiramente, Rômulo. Aqui, a praga está completamente fora de controle. Abraços.