A mais espetacular operação militar da história

A imprensa anda fazendo muito oba-oba com essa operação de assassinato do Osama. Memória curta. É só voltar um pouquinho no tempo pra ver o que juntar três helicópteros em um país aliado para atacar uma única casa em que estavam, no máximo, 10 pessoas, é pinto perto de uma operação militar realmente espetacular.

O ano era 1976. Um avião da Air France partira de Tel-Aviv com destino a Paris e escala em Atenas (vôo AF 139). Em Atenas, alguns passageiros desembarcaram e outros subiram no avião. Dentre eles, os terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).

Alguns minutos após a decolagem, os terroristas deram início à ação e anunciaram o seqüestro. Pouco tempo depois, franceses e israelenses foram avisados de que algo de errado acontecera. O vôo AF 139 havia sido desviado para Benghazi, na Líbia. 258 passageiros estavam a bordo.

Os terroristas recolheram todos os utensílios domésticos e objetos que pudessem ser usados como arma. Recolheram também os passaportes dos passageiros, de modo a identificar os judeus a bordo (77).

Na Líbia, os membros da FPLP libertaram uma mulher em estado avançado de gravidez. Aproveitaram para reabastecer o avião e anunciar as suas exigências: a libertação de 53 terroristas, 13 em prisões do mundo ocidental (Alemanha, França e Suíça) e 40 em Israel. Do contrário, mandariam o avião e a sua tripulação pelos árabes.

Com a gasolina de Kaddhafi, os terroristas rumaram de Benghazi para Entebbe, cidade de Uganda. À época, reinava naquelas terras o “último rei da Escócia”: Idi Amin Dada, o “Açougueiro de Kampala”, por sua fama de mandar serrar e retalhar seus inimigos.

Oficialmente, Idi Amin declarou-se neutro – recebera os terroristas apenas por “questões humanitárias”. Na prática, atuava em favor dos terroristas, dando-lhes abrigo contra eventuais incursões israelenses.

Para mostrar “boa vontade” e tentar atrair a simpatia do restante do mundo, os terroristas libertaram todos os passageiros não-judeus, mantendo em cativeiro somente os israelenses. Mal sabiam eles o tamanho do erro que haviam cometido. Se os passageiros de outros países houvessem permanecido, seria difícil para os israelenses convencê-los a concordar com uma estratégia ousada de resgate. Mantendo em cativeiro somente judeus, Israel tornava-se senhor absoluto da decisão de tentar resgatar ou não os passageiros.

As horas se passavam, e o gabinete do primeiro-ministro Yitzhak Rabin via suas opções ficarem cada vez mais estreitas. Era hora de agir.

Pra sorte dos judeus, o aeroporto havia sido construído por uma empresa israelense. Servindo-se de um magnífico trabalho de inteligência, uma equipe especial foi treinada em tempo recorde para uma operação no aeroporto de Entebbe.

O plano era basicamente o seguinte: quatro aviões Hércules c-130 decolariam de Israel em direção a Entebbe. Voariam em baixa altitude, para evitar os radares das nações (amigas e inimigas). Além disso, o primeiro avião deveria chegar “colado” num avião de carga inglês que era esperado para a noite do dia 3 de julho, para enganar o radar do aeroporto.

O plano foi executado com precisão cirúrgica. Além de pousarem exatamente atrás do cargueiro inglês, o primeiro Hércules trazia dois jipes e um Mercedes preto, réplicas do comboio normalmente usado por Idi Amin Dada. Os carros eram necessários para levar a tropa especial dos Hércules até o prédio do aeroporto, onde estavam os reféns israelenses. Pouco tempo depois, pousaram os demais Hércules. Até agora, a ação tinha transcorrido como planejado. O elemento surpresa fora assegurado. Mas o mais difícil ainda estava por vir: a ação em solo.

Usando silenciadores e uma articulação de quatro grupos de assalto, os israelenses conseguiram chegar ao terminal onde estavam os israelenses e libertá-los. Outro grupo encarregou-se de explodir os 11 Mig´s ugandenses no solo, a fim de evitar uma eventual perseguição aos C-130 na fuga.

Da torre de controle, uma patrulha disparou contra os soldados israelenses no solo. Dessa rajada resultou a única vítima fatal do lado israelense: Yoni Netanyahu, comandante da operação, irmão do atual primeiro-ministro do Israel, Benjamin Netanyahu.

90 minutos depois, com o corpo de Yoni Netanyahu e todos os reféns a salvo, decolava o último dos Hércules do Aeroporto de Entebbe. A missão tinha sido um sucesso.

Ciente do potencial cinematográfico da ação, Hollywood não tardou em transformá-lo em filme. Raid on Entebbe (no Brasil, Resgate Fantástico) teve a direção de Irvin Kershner, o mesmo diretor de O Império Contra-Ataca.

Abaixo, o filme por inteiro, direto do Youtube. Recomendado para quem gosta de ações espetaculares, à la Ethan Hunt, só que sem dublês:

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