Não é segredo pra ninguém que as obras públicas no Brasil andam a passo de tartarura manca. Entra governo, sai governo, e as mesmas obras estão lá, frágeis e fracas.
Pra quem não sabe, a Prefeitura de Fortaleza tenta a todo custo “inaugurar” a reforma do Estádio Presidente Vargas. Prometida para agosto do ano passado, já foi adiada oito vezes. Num dos últimos adiamentos, a Prefeita de Fortaleza, Luiziane Lins, disse que inauguraria o Estádio, “com tudo pronto”, no dia 20 de março. O ano? Não disse.
O fato é que, passados mais de dois anos de começo da reforma, o Estádio ainda não está pronto. Como lhe parecesse difícil inaugurá-lo “com tudo pronto”, Luiziane resolveu fazer uma “inauguração parcial” no próximo dia 20 de abril, mesmo com o Ministério Público advertindo que a obra não pode abrigar jogos ainda. Os banheiros não estão prontos, e há pontos de construção que colocam em risco a integridade física dos torcedores. Tudo isso e mais as cabines de imprensa inconclusas. Jogo haverá, mas quem quiser vai ter que ir ao estádio. Ouvir pelo rádio, nem pensar.
O Inacreditável Fábio Campos – “maior” colunista político destas terras – afirmou outro dia que o PV está sendo concluído em um “prazo razoável”. Um ano e quatro meses, diz ele. Isso porque ele faz a contagem só a partir do início efetivo das obras. Desconsidera por completo o prazo em que o PV esteve fechado sem nada a acontecer, só esperando a boa vontade de fazerem o projeto executivo.
Pra não dizer que estou implicando com o governo municipal, peguemos uma obra federal. A ponte Juscelino Kubitscheck, em Aracati, litoral do Ceará. É por ela que os cearenses saem em direção ao Rio Grande do Norte. A ponte tem escassos 800 m. Construída há mais de 50 anos, há quase 10 está em reformas. E nada de acabar.
Só pra fazer uma comparação boba, pegue-se a ponte Vasco da Gama, em Lisboa.
![]()
Ligando a parte nova de Lisboa a Alcochete e ao litoral sul de Portugal, a ponte Vasco da Gama tem mais de 17 km de extensão. A ponte é a mais longa da Europa e está entre as dez maiores do mundo. Seu projeto consumiu 18 meses – sem que se tivesse que interditar qualquer rua. A construção durou outros 18 meses. Nenhum atraso foi registrado.
Pra melhorar, a construção da ponte teve custo zero – isso mesmo, ZERO – para o Estado português. A Governo concedeu uma concessão à iniciativa privada, que ficou encarregada da construção e ganhou o direito de explorar o pedágio por 40 anos.
Além de ser uma solução viária, a ponte é uma beleza arquitetônica. Não só pelas dimensões, mas pela arquitetura arrojada de seus pilares, perfeitamente integrados à paisagem de Oriente, a parte nova de Lisboa, reformada para abrigar a Expo 98.
E veja que estamos falando de Portugal; não de França, não de Alemanha, nem mesmo da China. Portugal, terra dos portugueses, rica fonte do anedotário nacional (deve-se registrar que, no anedotário lusitano, nós desempenhamos o papel dos portugueses no nosso).
A questão é: olhando os fatos, quem tem razão para fazer piada com o outro?
acho que por estas e outras nós temos, no anedotário portugues, a fama de preguiçosos. 😛
Não só de preguiçosos, hehehe. Abraços.