A Ópera Garnier

Já foi dito neste espaço que Paris é a cidade mais bonita do mundo. Uma das razões disso é sua arquitetura única, um magnífico e harmonioso conjunto arquitetônico a reunir, numa só cidade, uma quantidade absurda de belíssimas construções.

Para quem gosta de arquitetura e é fã de música clássica, uma visita obrigatória na cidade é a Ópera de Paris, ou, para os íntimos, a Ópera Garnier.

Dentro do espírito de remodelação da cidade idealizado por Napoleão III, Georges Haussmann idealizou para aquela área da cidade um enorme palácio para abrigar a Academia Nacional de Música. No meio do caminho entre o Sena e Montmarttre, a Ópera forma uma espécie de triângulo urbanístico de primeira classe, ficando no ápice enquanto as outras pontas são integradas pelo Palácio das Tulherias (hoje o Museu do Louvre) e o Pallais Royal (hoje sede do Conselho de Estado).

Para erguê-lo, Haussmann organizou um concurso público. Queria o desenho mais bonito e mais integrado à metrópole suntuosa que trazia em mente. De forma surpreendente, um desconhecido arquiteto de 35 anos, que jamais fizera coisa alguma digna de nota, foi o vencedor.

Charles Garnier projetara um edifício em estilo neoclássico. Com colunas e mármores multicoloridos, a fachada impõe-se sobre um cruzamento aberto. Quem vem do Louvre pela Avenue de L’Ópera avista desde logo aquele prédio majestoso, que fica cada vez maior à medida que você se aproxima dele.

Mas é por dentro que a Palais Garnier se destaca. O palco recebe até 450 artistas simultaneamente, uma boçalidade mesmo para os dias de hoje. Na platéia, acomodam-se até 2200 pessoas, a maioria com grande conforto. Quem paga menos e fica no “telhado”, no entanto, sofre um pouco para assistir às apresentações.

Ricamente decorado, seu interior é revestido com veludo vermelho, acessórios folheados a ouro, madeira de lei, e um lustre no centro do auditório que pesa mais de seis toneladas. Quem vai vestido a rigor para uma apresentação pode sentir a curiosa sensação de ter voltado no tempo e estar em plena Belle Époque, com homens de fraque e cartola e mulheres de chapéu e espartilho.

Na construção, Charles Garnier deparou-se com um problema inesperado. Havia um lago e uma nascente abaixo do terreno onde seria construída sua obra-prima. Parada, a obra só foi retomada quando os engenheiros conseguiram rebaixar ambos, que permanecem até hoje sob o imponente edifício.

Quando a construção terminou, Charles Garnier foi subitamente catapultado à condição de um dos arquitetos mais requisitados da época. Não é pra menos. O prédio em seu conjunto é de deixar qualquer um boquiaberto. Depois dele, Ccarles Garnier foi chamado para projetar do Observatório de Nice e também da Ópera e do Grand Hôtel de Paris em Monte Carlo.

Até 1989, o prédio era conhecido simplesmente como Ópera de Paris, por abrigar a Companhia de Ópera da Cidade. No entanto, após a inauguração da Ópera de Bastilha, o prédio acabou ficando conhecido – merecidamente – pelo nome de seu criador.

Até onde sei, não existem visitas guiadas ao conjunto arquitetônico. Se você quiser conhecê-lo por dentro, deverá adquirir um ingresso e assistir a uma apresentação. É possível comprar pela internet clicando aqui, embora eu recomende fazê-lo com bastante antecedência, pois os melhores lugares das apresentações mais concorridas esgotam-se meses antes delas acontecerem.

Se não quiser gastar dinheiro com isso, não deixe de fazer uma visita, porém. De certo modo, é uma forma de reviver a Paris em seu apogeu.

E de sentir saudades de um tempo em que você não viveu…

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