Deus não joga dados. Ou será que joga?

A frase acima foi enunciada por um sujeito chamado Albert Einstein. Ela foi pronunciada num momento de fúria, raiva mesmo, durante a efervescência científica do começo do século XX.

Tendo apresentado sua Teoria da Relatividade e subitamente catapultado à condição de maior físico vivo do planeta, Einstein era chamado a opinar em todo tipo de coisa (incluindo aquelas com as quais ele não tinha nada a ver).

Apesar de brilhante, a Teoria da Relatividade deixava muitas perguntas sem resposta. Na verdade, a teoria de Einstein explicava magnificamente bem o comportamente das coisas muito grandes do Universo (constelações, planetas, estrelas, etc.). Mas, quando o caso era tratar das coisas infinintesimalmente minúsculas, a porca entortava o rabo: os enunciados de Einstein de nada valiam.

Inquietos, muitos físicos – incluindo o próprio Einstein – passaram a tentar elaborar um modo de compreender as partículas subatômicas, como prótons, elétrons, nêutrons, etc. A resposta para eles veio com a mecânica quântica, uma tentativa de transportar os conceitos da mecânica clássica (aquela que a gente estuda na escola, tipo: um automóvel que vem a uma velocidade de 100km/h e se choca com outro, que vem a 80km/h, o resultado é uma colisão equivalente a um choque de 180km/h) para as partículas menores que um átomo.

Até aí, tudo bem. Com muitos dos enunciados da mecânica quântica todo mundo concordava. Na verdade, procurava-se – e ainda se procura – um meio de unir as duas teorias (relatividade e quântica) em uma só. Só que apareceu um sujeito chamado Heisenberg. Aí o bicho pegou.

Heinsebger observou que, para definir a posição de um elétron, seria necessário se vale de um instrumento de medida (óbvio). Só que, no caso do elétron, o instrumento de medida interage com o elétron, alterando a real percepção de onde ele se encontra no momento em que foi feita a medição. Pior. O instrumento utilizado na medida ainda interfere na velocidade do elétron.

Tente imaginar o seguinte: o elétron está num lugar escuro. Você “joga” luz em cima dele pra saber sua real posição, certo? Em tese, quanto mais luz você jogar, com maior precisão você saberá a posição do elétron. Beleza.

Só que, quando você “joga” luz sobre o elétron, o fóton da luz interage com ele, seja aumentando sua velocidade, seja diminuindo-a.

Você fica, então, numa sinuca de bico: se quiser saber a real posição do elétron, você não conseguirá medir com precisão a sua velocidade. Se quiser saber a real velocidade dele, vai ter que fazê-lo “no escuro”, ou seja, sem saber com precisão qual é a sua posição.

Ou seja, você jamais poderá identificar, com precisão absoluta, as duas medidas: velocidade e posição. Na verdade, quanto mais você quiser medir com precisão uma delas, menor será a precisão da outra.

Esse é o princípio da incerteza de Heisenberg.

Einstein não engoliu bem essa história: “Deus não joga dados!”, disse ele em uma carta a Max Borm. Einstein não aceitava que o Universo ficasse à mercê de cálculos estatísticos. Aceitar isso equivaleria a dizer que o destino estava nas mãos do acaso.

Para Einstein, deveria haver, necessariamente, uma ordem por trás de tudo isso (mesmo que não fosse Deus, suponho eu). Todo fenômeno – pela própria definição científica – poderia ser objeto de um experimento. Através do experimento, seria possível obter e medir os resultados dele – TODO ele. E é exatamente isso o que o princípio da incerteza renega.

Não sou físico e – como diria Ferris Büeller – não pretendo me tornar físico. Mas, trazendo essa discussão toda pra vida comum, é o caso de se pensar: será que não é verdade que, ao observarmos alguma coisa,  trajetória ou a posição do que está sendo observado não muda pelo fato de o estarmos observando? Não vemos isso acontecer a toda hora?

Você nunca ficou na escola olhando pra aquela(e) menina(o) e esperando que ela(e) olhasse pra você e, de repente, ela(e) olha? Você nunca ficou olhando um transeunte andando na calçada e, de repente, logo depois que você começou a olhar, ele tropeça?

Não sei, não…Talvez seja melhor repensar essa história de não ligar pra sorte.

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