Pensamento do dia

O segredo da juventude é sempre mentir a idade.

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Trilha sonora do momento

Entendedores entenderão.

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Pensamento do dia

Estamos todos enlouquecendo. Mas, como todo mundo está enlouquecendo ao mesmo tempo, acaba parecendo normal.

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Recordar é viver: “A desintegração ucraniana”

Dez anos depois, cá estamos, mais ou menos no mesmo cenário.

É o que você vai entender, lendo.

A desintegração ucraniana

Publicado originalmente em 8.4.14

Já faz algum tempo que a crise na Ucrânia tinha deixado de ser assunto no noticiário internacional. Depois da derrubada de Yanukovich e o referendo na Criméia, parecia que as potências ocidentais e a Rússia haviam firmado um acordo tácito: vocês levam a Criméia e deixam o resto do país em paz. Não era o melhor dos mundos para nenhum dos lados, mas, ainda assim, permitia a ambos sair-se com o discurso vitorioso. “Ganhamos a Criméia”, diziam os russos. “Salvamos a maior parte da Ucrânia”, gabavam-se os ocidentais.

Pois justo agora que as coisas pareciam caminhar para um processo natural de acomodação, eis que irrompe um projeto de rebelião popular no leste da Ucrânia. Milícias armadas tomaram parte dos edifícios do governo em Donetsk e proclamaram a “independência” da região. Agora, para darem fumos de legalidade à sedição, reivindicam a realização de um referendo à moda da Criméia.

Como seria de se esperar, o lado ocidental da pendenga chiou, enquanto os russos reclamavam por levarem a culpa por tudo que acontece na Ucrânia. Até aí, nada de demais, pois ambos os lados estão apenas recitando o papel que lhes cabe no teatro farisaísta das relações internacionais.

Por óbvio, pode-se concluir que, se a Rússia não está diretamente ligada à revolta no leste ucraniano, está no mínimo incensando a revolta. Afinal, o objetivo dos rebeldes não é propriamente se tornarem um país independente, mas se anexarem à Mãe Rússia. A dúvida é saber se o estímulo à convulsão social envolve uma estratégia maior de anexação de todo o leste da Ucrânia, ou se os russos estão apenas esticando a corda para ver até quando os americanos aguentam.

Observando-se o cenário através do fígado, é possível imaginar que a estratégia russa envolva algum sentimento de vingança. O raciocínio seria mais ou menos o seguinte: “Já que quiseram tomar a Ucrânia da gente durante as Olimpíadas de Sochi, agora vamos tomá-la toda para nós”. O problema, no entanto, é que as coisas na política internacional não se resolvem à base de bílis, e é difícil acreditar que um sujeito calculista como Putin tome uma decisão dessa natureza para atender a questões emocionais.

Do lado ocidental, a margem de manobra é pequena. Como as potências da OTAN perderam o argumento moral quando insuflaram a deposição de Yanukovich, restaram-lhes apenas duas opções: ou pagam pra ver e se arriscam a entornar de vez o caldo da crise; ou se retiram da mesa e dão o jogo por perdido.

Nenhuma das duas hipóteses é satisfatória, mas a segunda traz consequências ainda piores do que a primeira. Com a anexação do leste ucraniano ou do país inteiro, o projeto de soerguimento da “Nova Mãe Rússia” estaria pronto e acabado. No leme, um ditador bilionário e poderoso sentado em cima de um arsenal atômico, pronto a estender sua influência para as áreas a oeste do rio Volga.

Quando os ocidentais pensaram em derrubar o presidente eleito da Ucrânia, o intuito era o de enxotar a Rússia para as pradarias ao leste. Agora, arriscam-se a ver os russos avançando sobre áreas outrora libertadas da Cortina de Ferro. Pior. Sem querer, pode ser que esse movimento impensado acabe desembocando numa nova Guerra Fria.

Dias difíceis se avizinham para o mundo…

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Trilha sonora do momento

There’s nothing you can do when you’re next in line.

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Pensamento do dia

Sometimes you have to give up people not because you don’t care, but because they don’t.

#FicaaDica

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As tarifas de Donald Trump contra o Brasil, ou O falso patriotismo bolsonarista

No Brasil das correntes de Zap, das bandeiras hasteadas em carros de luxo e dos discursos inflamados sobre “amor à pátria”, existe uma regra não escrita: quanto mais alguém grita “Brasil acima de tudo”, mais provável é que esteja prestes a vender o país por um punhado de likes. Tal é a sensação de quem observa o comportamento dos bolsonaristas após a imposição de tarifas de importação a produtos brasileiros por Donald Trump.

Para quem não sabe, o Nero dos nossos tempos resolveu aplicar uma tarifa de 25% sobre alumínio, chapas de aço e produtos metalúrgicos em geral exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. Mesmo que a corrente de comércio entre os dois países seja largamente superavitária para os ianques, ainda assim o Brasil entrou de roldão no bolo das tarifas retaliatórias do Laranjão. Com dinheiro e, mais importante, empregos brasileiros em jogo, os “patriotas” da Bozolândia saíram em defesa de….Donald Trump.

Até aí, nada de novo. Jair Bolsonaro e sua trupe transformaram o “patriotismo” em um triste espetáculo de hipocrisia. E isso não é de agora. Quando assumiu como presidente, o primeiro lugar para o qual o ex-presidente se abalou foi justamente os Estados Unidos. Tal qual um fanboy diante de um ídolo de reality show – o que, ironicamente, não estava muito distante da realidade –, Bolsonaro sorriu e tirou fotos ao lado do seu “amigo”.

E qual foi a retribuição de Trump a esse espetáculo grotesco de tietagem explícita? Impor tarifas sobre a importação do alumínio brasileiro. O que faria um verdadeiro patriota diante de um escárnio desses? No mínimo reclamar, né? Bolsonaro, ao revés, preferiu manter-se em obsequioso silêncio, com receio de contrariar seu ídolo. O mesmo homem que acusa esquerdistas de “entreguismo” não titubeou em entregar nosso alumínio — e nossa dignidade — a um governo que enxergava o Brasil como mero fornecedor de commodities baratas.

Não espanta, portanto, que agora, quando o Laranjão volta a impor tarifas de importação contra produtos brasileiros, Bolsonaro venha a público defendê-lo. Ao ser questionado sobre seu “patriotismo” depois de mais esse ataque de Donald Trump ao país que supostamente ele defende, Bolsonaro – com todo seu “conhecimento” de economia – tuitou que os Estados Unidos estavam “taxando empresas estrangeiras, não o próprio país”.

Se o pai continua um mestre na arte da subserviência, o filho Bananinha, Eduardo Bolsonaro, elevou o nível da bajulação à décima quinta potência. Enquanto o Brasil tenta reconstruir sua imagem após os anos de negacionismo e ataques à democracia, o deputado federal decidiu fazer uma turnê pelos EUA para difamar as próprias instituições brasileiras. Sim, você leu certo: um representante eleito do Brasil viajou ao exterior – com despesas pagas pelo Congresso – para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e qualquer órgão que tenha se insurgido contra os desmandos do desgoverno bolsonarista.

Em eventos ao lado de figuras da extrema direita americana — incluindo adeptos de teorias conspiratórias e negacionistas —, Eduardo transformou-se em um lobista da desordem. Seu discurso? Um mix de vitimismo, fake news e ataques à Justiça brasileira, apresentada como “ditatorial” simplesmente porque não se curvou aos interesses da família Bolsonaro. É como assistir a um filme de terror onde o vilão é o próprio protagonista, que sabotou a casa onde mora e depois culpa os bombeiros pelo incêndio.

O mais grotesco é que essa campanha de difamação ocorre em solo estrangeiro, alimentada por dinheiro público e apoio de grupos que desprezam a soberania nacional. Enquanto Eduardo acusa o STF de “ativismo”, ele mesmo pratica o ativismo mais sujo: o de quem mina a credibilidade do país lá fora para alimentar teorias fantasiosas sobre uma suposta perseguição. Supondo que houvesse de fato uma perseguição injusta aqui dentro, um patriota de verdade lutaria por reformas dentro das regras do jogo, não participando de conferências de teóricos da conspiração contra o “globalismo” e o “marxismo cultural”.

É nesse contexto que se conclui que o núcleo duro do bolsonarismo ama símbolos nacionais, desde que sejam vazios de significado. Bandeiras do Brasil são usadas como cortinas para esconder a falta de políticas públicas; hinos são entoados para calar críticos; verde e amarelo viram cores de um clubismo que exclui quem ousa pensar diferente. Mas quando a questão é defender interesses reais do povo brasileiro, a retórica patriótica se transmuta em claque para o Nero Laranja dançar.

No fundo, Bolsonaro e sua trupe transformaram o Brasil num reality show de hipocrisia, onde o enredo é sempre o mesmo: gritar “ame-o ou deixe-o” enquanto sabotam o que há de mais valioso no país. Resta aos verdadeiros patriotas — aqueles que trabalham, protestam e acreditam na democracia — limpar a sujeira deixada por quem confunde nação com ego e proselitismo político.

No século XVIII, o escritor inglês Samuel Johnson escreveu que o “patriotismo é o último refúgio do canalha”. Não contava ele, contudo, que o adágio seria complementado aqui no Brasil pelo genial Millôr Fernandes, que acrescentou:

“Mas no Brasil é o primeiro”.

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Trilha sonora do momento

E não pára… :-/

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Pensamento do ida

Inteligência emocional é a capacidade de mandar alguém ir à merda de tal forma que a pessoa fique entusiasmada com a viagem.

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Prioridades – III

Dona Florinda sempre foi aquela pessoa que cuidava de todo o mundio. Da tia ao sobrinho, do gato ao cachorro, praticamente nenhum membro da família deixava de estar ao seu abrigo. Não porque a família a explorasse, nem tampouco ela se sentia explorada. Os cuidados eram mais uma manifestação de afeto, dada de bom grado em troca de um sorriso no rosto e um abraço ao final do dia.

Seu temperamento, contudo, não era exatamente dos mais dóceis. Criada no interior do Ceará, Dona Florinda conhecera a fundo o que era uma a sociedade patriarcal e machista que imperava no Brasil até os anos 60. Ela não desapareceu de lá pra cá, mas se insurgir contra esse status quo deixou de ser tabu e encarado com preconceito desde pelo menos a década de 90. Por isso mesmo, sempre aprendeu a responder na lata e a não deixar que homens (logo eles!) viessem a tentar cantar de galo sobre ela.

Mãe de três filhas, Dona Florinda convocou a caçula, Gena, para levá-la ao supermercado. Não, não era para fazer as compras do mês, mas para aproveitar uma promoção de sabão líquido em um estabelecimento específico. A oferta era de um galão de 5 litros por apenas R$ 15,00. O estoque se esgotaria rápido, obviamente. Dona Florinda, contudo, ainda chegou a tempo de alcançar a quantidade de galões suficiente para encher o porta-malas da filha com a preciosa composição utilizada nas máquinas de lavar roupa.

“Pra que tanto sabão?”, deve estar se perguntando você.

Apesar de todas as filhas estarem criadas, Dona Florinda ainda mantinha por hábito lavar as roupas de todas em casa. Depois de limpas, as roupas eram passadas e devolvidas às filhas limpinhas e cheirosas. Tanto era uma forma de ajudar as filhas, como também um pretexto para estar sempre nas casas delas a visitar os netos. A disposição era tanta que até duas irmãs mais novas de Dona Florinda tinham entrado no esquema de “delivery” e despachavam a roupa suja para que ela as lavasse.

Ao chegar em casa, o problema: era preciso levar aquele sabão todo para o apartamento. Como ambas só contavam cada uma com duas mãos e como cada galão pesava pouco mais de 5kg, era preciso pedir ajuda. Muito simpática, Gena conhecia todo mundo no prédio e pediu ajuda a um dos vizinhos. Muito solícito, o vizinho imediatamente se dispôs a ajudar a subir aquele horror de sabão. Com dois galãos em cada mão, lá foi o rapaz ajudar mãe e filha.

Todavia, enquanto caminhavam para o elevador, o vizinho – que calçava sandálias – acabou por tropeçar e fazer com que o pé se retorcesse por sobre o tornozelo. Embora desequilibrado, o moço ainda conseguiu se segurar numa coluna, evitando uma queda potencialmente mais perigosa. Assustada, Gena foi logo perguntando:

“Você tá bem?!? Eu vi o teu pé virando! Torceu?!?”

Recuperado do desequilíbrio, o vizinho tratou de acalmar a amiga:

“Não, não foi nada, não. Só virei o pé, mesmo, mas não chegou a torcer”.

Assistindo impávida a tudo que se passara, Dona Florinda apenas comentou:

“Ainda bem que ele não caiu. Imagina o tamanho do prejuízo que eu ia ter se ele derrubasse esses galões!”

Sem saber onde enfiar a cara, Gena limitou-se a retorquir:

“Mas, mãe, pelo amor de Deus! O rapaz quase que quebra o pé e a senhora preocupada com o galão de sabão líquido?!?”

A velha não se deu por achado:

“Mas é claro! O que é que eu vou fazer com esse pé dele? Cada galão desses são vinte rodadas de máquina com roupa suja”.

E foi assim que o vizinho descobriu que, entre os afazeres domésticos e a sua saúde ortopédica, Dona Florinda não hesitaria em sacrificar esta última…

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