Ensinando seu filho a comer, ou Os benefícios do Baby Led Weaning

Faz algum tempo que não rola nada diferente do habitual aqui no Blog. Para sair da mesmice, portanto, vamos retomar uma das seções mais mal incompreendidas deste espaço: as Variedades. E, para estabelecer um retorno em grande estilo, abordaremos um dos assuntos mais controversos do mundo materno: o chamado Baby Led Weaning.

Baby Led Weaning, ou, para os íntimos, simplesmente BLW, é um conceito de alimentação infantil bastante difundido mundo afora, mas virtualmente inexistente no Brasil velho de guerra. Traduzido, o termo equivale a algo como “desmame guiado (ou liderado) pelo bebê”. Mas como funciona isso?

Todo mundo que foi ou sonha ser pai ou mãe um dia conhece as regras do aleitamento materno. Recomenda-se que o bebê seja alimentado pelo leite da mãe até pelo menos os dois anos de idade, com exclusividade total nos primeiros seis meses. Até aí, tudo bem; a maioria mais ou menos entende. O problema começa a partir do fim do aleitamento  exclusivo. Quando o leite começa a não suprir integralmente as necessidades alimentares do bebê, como fazer para alimentá-lo?

Nove em cada dez mães brasileiras dirão, com um olhar a um só tempo incrédulo e de condenação, o que ouviram de seus pediatras: “Ora, dá papinha pro bebê crescer”. Embora essa seja de longe a alternativa preferida nos lares brasileiros, não seria exagero dizer que, provavelmente, ela é também a pior para o desenvolvimento da criança.

Em primeiro lugar, as papinhas elaboradas nas cozinhas brasileiras, de maneira geral, são radicalmente pobres do ponto de vista alimentar. A maioria se dá à base de farinha láctea ou maisena, o que reduz de forma severa o leque de nutrientes ingerido pelo bebê. Pior ainda são as exóticas papinhas feitas a partir das famosas “fórmulas”, que nada mais são do que um substituto artificial (e incompleto) do leite materno. Elas tornam a criança escrava de refeições redundantes: leite da mãe (isto é, quando o aleitamento prossegue após os seis meses) e fórmula empapada (que é um genérico piorado do leite materno).

Em segundo lugar, as papinhas são anti-naturais, do ponto de vista da evolução humana. Alguém por aí pode imaginar uma mãe há 10 mil anos pegando água e misturando com algum tipo de farinha para dar ao seu bebê? Bom, se chegamos até aqui, é porque as mães pré-industriais desenvolveram algum método de alimentar as suas crias para além do leite materno.

E é justamente aí que entra o Baby Led Weaning. Restaurando alguns conceitos que parecem ter se perdido em meio às “facilidades” do mundo moderno, o BLW prega uma introdução alimentar radicalmente diferente daquela a que estamos acostumados no Brasil. Ao invés de papinhas, alimentos de verdade. No lugar das colheres de plástico, as mãos do bebê. Em vez de uma mãe descabelada gritando porque a criança não quer comer, um bebê que leva sozinho os alimentos à sua boca, saboreando cada momento da refeição. Para quem já reclamou inúmeras vezes à família e aos vizinhos dizendo que “o meu filho não come”, pode parecer coisa de ficção.

Mas não é. O grande lance do BLW é que ele funciona. Ao deixar a própria criança liderar o processo de alimentação, restabelece-se algo fundamental em qualquer ser humano: a autonomia. Quando o bebê é colocado de frente a vários alimentos diferentes, ele pode experimentar vários sabores sem se sentir forçado a fazê-lo. Mais importante, ao usar as mãos, a criança pode sentir a textura e a consistência dos mais variados alimentos, habituando-se a saber o que esperar de todos eles.

Em verdade, quando os pais decidem trocar esse tipo de experiência sensorial pela famigerada papa, está-se ceifando ao bebê a possibilidade não só de sentir prazer ao comer, mas de poder decidir o que comer e quanto comer. Não por acaso, na imensa maioria dos casos, as refeições tornam-se um momento de suplício, tanto para os pais, quanto para os bebês. Afinal, quem gosta de comer forçado?

A melhor maneira de dar início ao BLW é através dos legumes: brócolis, cenoura, beterraba, vagem…qualquer coisa vale, desde que esteja bem cozida e cortada em um formato que a criança possa manipular (os “palitinhos” são a preferência). Depois e com o tempo, pode-se passar a coisas mais elaboradas, como pequenas tirinhas de frango, carne ou peru.

Haverá, claro, dias ruins, em que nada parece apetecer ao miúdo. Nesses dias, recorrer à velha e boa carne moída com purê não será nenhum pecado. E, obviamente, a sujeira será sua companheira de refeições por bastante tempo. Mesmo assim, vale a pena insistir. Acredite, seu filho vai agradecer quando ficar mais velho.

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