A solenidade de Corpus Christi

Como todo mundo sabe, amanhã é feriado. Embora a maioria saiba até dizer qual é a data comemorativa (Corpus Christi), ninguém dá a mínima para a importância religiosa do dia. De resto, com a maior parte do Brasil é composta por católicos apostólicos romanos não praticantes, o que importa é o dia de folga; danem-se as doutrinações da Igreja. É uma pena porque, do ponto de vista eclesiástico, essa é uma das principais celebrações do mundo católico.

Pra começo de conversa, Corpus Christi é uma definição quase informal da data. Na verdade, o nome oficial da tradição litúrgica é Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Do ponto de vista prático, a diferença nem importa tanto, já que a referência ao “Corpo de Cristo” conduz, de maneira intuitiva, à razão pela qual a solenidade existe: a instituição da Eucaristia por Jesus Cristo.

Mesmo quem nunca leu a Bíblia sabe que Jesus ceou com seus apóstolos na quinta-feira santa. Durante a Santa Ceia, Jesus diz aos seus discípulos: “O que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e, eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne é verdadeiramente comida e o meu sangue é verdadeiramente bebida. O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. O que come deste pão viverá eternamente” (Jo 6:55 – 59). Por isso mesmo, Jesus explica aos seus apóstolos que  “Isto é o meu corpo oferecido em favor de vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22:19).

A celebração do Corpo e do Sangue de Cristo, em suma, remonta à idéia de que Jesus está conosco. Não se trata, por óbvio, de uma presença física, como erroneamente difundem os ateus. No limite, a pessoa nem precisaria acreditar que a hóstia se converte no corpo e o vinho se converte no sangue de Cristo (a tal da transubstanciação). Basta compreender que, ao comungar, o fiel está a demonstrar ao mundo que quer comungar dos ensinamentos de Jesus. E, do ponto de vista teológico, isso é o que basta.

Em razão disso, pode-se dizer que a eucaristia é o primus inter pares dos sacramentos cristãos. Mais até do que o batismo, que significa a entrada da pessoa no corpo da Igreja. É através da eucaristia que o católico aceita os mandamentos determinados por Jesus Cristo e reafirmar a sua fé nos valores difundidos pelo catolicismo. Por isso mesmo, o sujeito que não comunga pode ser tudo, menos católico.

Em função da própria celebração, a data é sempre comemorada numa quinta-feira, o mesmo dia em que Jesus ceou com seus apóstolos. A semelhança com a Semana Santa, contudo, pára por aí, já que a data ocorre 60 dias depois da Páscoa e mesmo depois do fim do período pascal, que se encerra no Domingo de Pentecostes. Mesmo assim, por marcar a instituição de um dos mais importantes sacramentos da liturgia eclesial, não há razão para acreditar que a data representa algo menor no calendário religioso. Muito pelo contrário. Ao lado da Páscoa, ela talvez seja a mais importante celebração da Igreja de Cristo.

A Solenidade do Sangue e do Corpo de Cristo, portanto, traduz o verdadeiro sentido da comunhão católica. Quem quiser seus ensinamentos, tome a sua cruz e o acompanhe. Quem não quiser, pode aproveitar o feriado instituído em razão da data. Não haverá quem o recrimine por isso.

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