Recordar é viver: “A origem da vida, ou O ensinamento da Quarta-feira de Cinzas”

E já que começou o Carnaval, boa hora para lembrar do que se trata o começo da Quaresma…

 

O ensinamento da Quarta-feira de Cinzas

Publicado originalmente em 22.2.12

 

Como todo mundo sabe, hoje é Quarta-feira de Cinzas. A data marca o fim do carnaval para os pagãos e o início da quaresma para os católicos. Em muitas paróquias, durante a missa, os sacerdotes fazem a imposição das cinzas; molham um dedo num recipiente com restos queimados e, na testa dos fiéis, inscrevem um sinal da cruz.

A quaresma está para os católicos como o ramadã está para os muçulmanos. É um tempo de reflexão, contrição e misericórdia. Tempo de jejuar e de se abster, embora hoje em dia ninguém leve isso tão a sério como o fazem os islamitas. Dentro do ano litúrgico, representa a preparação dos fiéis para a data mais importante do calendário católico: a Páscoa, a celebração da ressurreição de Cristo.

Além de marcar o início da quaresma, a data tem para os cristãos uma mensagem clara: lembrar-lhes a finitude da vida. Somos pó, e ao pó haveremos de voltar. A cerimônia não deixa de ser uma manifestação difusa do mito do homem surgido do barro, trazido à vida pelo sopro divino.

Obviamente, nem o mais fervoroso dos católicos acredita na lenda de que Deus formou o homem com as mãos a partir do barro e, com um sopro, tornou-lhe um ser vivente. Pesquisar e explicar a origem da vida, no entanto, é um mistério até hoje para os cientistas. Quando, como e onde surgiu a vida?

Todo mundo está mais ou menos de acordo que a vida deriva de uma mistura de elementos químicos. É dizer: a química precede a biologia. Mas quando e de que maneira uma poça de elementos inorgânicos uniu-se para formar um composto que pudesse ser chamado de orgânico? Quando e em que circunstâncias evoluiu-se de uma química inorgânica para uma química orgânica?

As hipóteses são as mais variadas. Desde o surgimento de reações químico-elétricas em sopas primordiais eletrificadas por raios até o transporte de material orgânico do espaço para a Terra em cometas e meteoros. Qualquer investigação dessa natureza, contudo, esbarra num problema fundamental: é muito difícil e quiçá impossível recriar as condições geotermais do planeta há 3 ou 4 bilhões de anos, quando mais ou menos as primeiras moléculas orgânicas tomaram forma.

Dois sujeitos tentaram recriar esse ambiente primitivo, entretanto. Stanley Miller e Harold Urey inseriram num sistema fechado vários gases atmosféricos que se acreditam presentes   desde sempre na Terra, como hidrogênio, amônia, metano e vapor d’água. Depois de várias descargas elétricas, eles conseguiram obter alguns aminoácidos, moléculas orgânicas que compõem a estrutura básica do DNA. Isso poderia explicar a origem da vida na Terra.

Além de diversos furos posteriormente apontados por vários cientistas, o experimento de Miller-Urey não explica como os aminoácidos se juntaram a outras partículas e compuseram a estrutura helicoidal do DNA. É a mesma coisa de explicar a origem de uma casa a partir da explicação da origem dos tijolos. Não que isso seja negligenciável, mas resolve apenas parte do problema; não o resolve por completo.

E, presumindo que a ciência consiga um dia descobrir toda a cadeia de formação da vida, restará ainda uma pergunta fundamental: por que a vida surgiu?

Para essa pergunta, dificilmente algum cientista conseguirá formular uma resposta aceitável.

De minha parte, prefiro acreditar que, por trás da junção aleatória de elementos químicos, há algo que as move e as direciona a se encontrarem. Uma força a dar uma mãozinha para que a vida brote da não-vida. Há uma mão divina a guiar todas as partículas.

Loucura? Pode ser. Mas não será loucura também relegar a existência de todo o universo ao acaso?

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