Recordar é viver: “Picasso e sua Guernica”

Aproveitando a deixa da exposição de Pablo Picasso em São Paulo, vamos relembrar um dos primeiros posts de Artes neste espaço.

Porque a história do grande pintor espanhol, por mais que seja conhecida, sempre merece ser recordada.

Picasso e sua Guernica

Publicado originalmente em 4.5.11

Arte tipo abstrata não faz muito meu gênero. Tem gente que gosta, eu sei. Mas prefiro ficar com os retratistas, mesmo. O máximo de distorção que consigo alcançar é o impressionismo. Daí pra frente, quase tudo é rabisco pra mim.

Mas há um quadro especificamente que, mesmo moderno, acho muito interessante. Trata-se da obra mais famosa de Picasso: Guernica.

Guernica

Guernica é uma cidadezinha miúda do País Basco, uma região separatista da Espanha. Na época, vivia-se a Guerra Civil Espanhola. Os franquistas lutavam contra os comunistas, os anarquistas e mais um monte de “istas”. Uma verdadeira balbúrdia.

De certo modo, a Guerra Civil Espanhola serviu de avant-première para a II Guerra Mundial. Quase todas as partes envolvidas apoiaram um ou outro lado na guerra civil. Os nazistas apoiaram os franquistas; os soviéticos apoiavam os comunistas. Até mesmo escritores como Ernest Hemingway, George Orwell e Saint-Exupéry chegaram a lutar na guerra civil espanhola.

Aproveitando-se do palco montado, os alemães começaram a ceder aos franquistas parte das armas desenvolvidas para uso futuro na II Guerra. Dentre essas armas, os futuramente temidos caças Messercheschmit.

Pra mostrar o poderio de suas forças, Franco mandou bombardear Guernica. Não havia uma única guarnição militar na cidade. Só civis. Seu único objetivo era intimidar os adversários do futuro regime. Uma carnificina gratuita para servir à propaganda de guerra. Não contavam, porém, com a genialidade da contrapropaganda.

Guernica retrata o horror da guerra. Típica expressão cubista, o quadro mostra a cidade após o bombardeio. São nítidos o desespero e aflição dos personagens. Uma mãe grita aos céus na esquerda, com seu filho morto nos braços. À direita, um personagem debate-se dentro da casa em chamas. No centro, os animais juntam-se a uma pilha de mortos, agonizando de dor, enquanto uma mulher aparentemente carrega um pedaço de sua perna dilacerada pelas bombas.

A intenção do artista é uma só: chocar quem o vê e, na medida do possível, reproduzir no espírito de quem o veja os mesmos sentimentos dos habitantes de Guernica. Nessa tarefa, acho que Picasso alcançou seu objetivo com sobras.

O quadro toma uma parede inteira do Museu Reina Sofia. Assemelha-se mais a um painel, na verdade. Mas é impossível não passar hora e meia, ou uma tarde inteira, somente a apreciá-lo.

Graças a Picasso, Guernica passaria à história como sinônimo de infâmia. Reza a lenda que, durante uma exposição em Paris, um dos generais de Franco, ao ver o quadro, teria perguntado a Picasso:

“Foi você que fez isto aqui?”

Ao que o pintor espanhol respondeu:

“Não. Foram vocês”.

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