Despontando para o anonimato: Semana Especial – Tênis

Para terminar esta semana de Despontando para o anonimato especial do tênis, nada melhor do que recorrer ao mais absurdo, ao mais bizarro e ao mais inacreditável caso de título único de Grand Slam de todos os tempos: the one, the only Goran Ivanisevic!

Goran Ivanisevic

Goran Ivanisevic foi um dos jogadores mais toscos da história. Muitos tiveram no saque seu ponto forte. Ivanisevic tinha no saque o seu único ponto forte. A coisa era tão assustadoramente bizarra que ele sacava arriscando os dois saques a que tinha direito. Se por um lado tornou-se um dos recordistas de aces em todos os tempos, por outro ostentava-se um dos maiores índices de duplas faltas de história do tênis.

Logo no começo da carreira, Goran parecia que tinha mais a apresentar. Ganhou de cara dois títulos de Masters 1000 (Estocolmo em 92 e Paris em 93). No entanto, depois disso, amargou uma seca que parecia sem fim.

No final dos anos 90, uma série de lesões tiraram dele a chance de competir em alto nível. Seu ranking despencou do número 2 para o número 125. A coisa tinha ficado tão feia que, para competir na grama de Wimbledon em 2001, seria necessário um convite para que ele participasse, pois só pelo ranking ele não entraria na chave.

Mas o convite veio. E, como um trator desembestado, Ivanisevic foi passando por cima dos adversários com seu saque estranho e potente (sua posição de arquear as pernas ao sacar foi provavelmente a única do gênero).

Na final, Goran enfrentaria Patrick Rafter, um australiano gente boa de jogo elegante. Criado na grama, Rafter tinha dois US Open no currículo, fizera a final em Wimbledon no ano anterior e, mais do que isso, fora número 1 do mundo.

Ivanisevic não quis nem saber. Em um jogo extenuante de 5 sets, com o último decidido apenas no 9×7, Goran tornou-se o primeiro – e, até hoje, único – caso de vencedor de Grand Slam que entrou no torneio por convite.

Abaixo, o game final da partida, na estranhíssima língua croata:

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