O balanço esportivo da Copa

Bem, meus amigos. A Copa acabou. Quem queria chorar, já chorou. Quem tinha o que comemorar, já comemorou. E quem queria sacanear a Argentina, tá sacaneando até agora. O momento, pois, é propício para avaliar o que efetivamente representou esta Copa em termos esportivos.

Antes de se iniciar o Mundial, este que vos escreve apresentou um panorama sobre o que se poderia esperar da Copa do Mundo em termos futebolísticos. Ao contrário do oba-oba geral, que predizia uma Copa de excelente nível técnico, dizia que não se podia esperar lá muita coisa. As principais estrelas ou estavam bichadas (caso de Cristiano Ronaldo), ou estavam em má fase técnica (caso de Messi). Neymar era uma grande incógnita, pois acabara de sair do estaleiro, e não era certo se renderia no Mundial o mesmo que vinha rendendo no Barcelona.

Nesse particular, o Blog acertou em cheio. Cristiano Ronaldo, o grande poser do seleto grupo de “melhores jogadores do Mundo da última semana”, foi um verdadeiro fiasco. Tudo bem que a seleção de Portugal não ajuda, mas craque não é o que carrega o time nas costas? C. Ronaldo ficou longe disso, com sua seleção rodando na primeira fase.

Messi, por sua vez, foi um bocadinho melhor. Decidiu alguns jogos no final, em lances de pura individualidade. Mesmo assim, no geral, deixou a desejar. Na África do Sul, por exemplo, jogou na média muito mais. Além disso, o desempenho pífio na final sacrifica de forma irremediável o saldo do craque argentino.

Neymar, por sua vez, revelou-se melhor do que o esperado. Fez o que dele se esperava – resolver -, em um time que sempre esteve abaixo da crítica. Sem ele, dificilmente teríamos passado da primeira fase. É certo que sua presença em campo não alteraria o resultado da surra tomada à Alemanha, mas talvez o placar fosse um pouco mais elástico para o nosso lado.

 No apanhado geral, a Copa apresentou um futebol mais ofensivo do que nos últimos mundiais. Conseguiu-se igualar a média de gols do Mundial da França, em 1998, recordista até então. Levando-se em consideração que a média de gols enfrentava um perigoso declínio desde 2002, chegando-se a um patético 2,26 gols por jogo em 2010, não é pouca coisa.

Por outro lado, o nível técnico não foi exatamente a coisa mais sensacional do Universo. Conforme explicado aqui, muitos gols não significam necessariamente excelência técnica. Vários jogos foram verdadeiras peladas – e olha que nem estou falando da goleada pornográfica sofrida pelo Brasil. Rússia x Coréia do Sul, Costa Rica x Grécia, Bósnia x Irã, enfim… A lista é grande. Jogos com boa média de gols, mas com qualidade técnica sofrível.

Alguns jogos, contudo, deram a esta Copa um nível técnico bem razoável, saindo da pasmaceira geral. Foram os casos de Inglaterra x Itália, Colômbia x Uruguai e Austrália x Holanda, por exemplo.

Mas, o que realmente deu a esta Copa um brilho especial, diferente, foi a emoção. Poucas copas podem se orgulhar de ter sediado embates tão épicos como o Mundial do Brasil. Vários jogos definidos nos minutos finais, inúmeras prorrogações, incontáveis decisões nos pênaltis, tudo aquilo que faz a festa da audiência e o terror dos consultórios cardiológicos.

Dentre todos, nenhum foi mais emocionante do que Alemanha x Argélia. Na minha opinião, os argelinos reinventaram o conceito de “cair em pé”, ao perder por da futura campeã do mundo após 120 minutos, com o time esgotado fisicamente, caindo como mangas maduras no campo por conta das cãibras nas pernas. Tudo isso e mais o direito a fazer um gol nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação, depois de ter levado o segundo no último minuto regulamentar.

Embora tenha torcido para a Argentina na final, acredito que o título realmente ficou com a Alemanha. Se os hermanos ganhassem, seria possível ainda defender a tese de que é possível ter campeonatos fracos, ser apenas um exportador de pé-de-obra e uma estrutura esportiva carcomida e, ainda assim, ser campeão do mundo. No final, o craque resolveria tudo.

Para o bem do futuro do futebol brasileiro, o empenho tático, a organização e a consistência alemãs passaram agora a ser o padrão vigente no futebol mundial. Resta, agora, saber se teremos capacidade para transformar a surra que levamos em uma mudança efetiva no nosso principal esporte. Ou, se no final das contas, tudo não vai acabar se perdendo como as campeãs do último Carnaval.

Quem viver, verá.

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