Crônica de uma vingança imaginária

Esta crônica é baseada numa história irreal.

Consumidor incauto prepara o almoço em casa. Súbito, toca o telefone.

“Alô, pois não?”, fala o consumidor.

“Bom dia, eu gostaria de falar com o senhor Fulano”, diz a atendente do outro lado da linha.

“É ele”.

“Sr. Fulano, o motivo do meu contato é para tratar do pagamento da mensalidade de sua TV a cabo”.

“Pagamento da mensalidade da TV a cabo?”

“Sim, consta no sistema que sua mensalidade não foi paga”.

“Aguarde na linha, por gentileza”.

No rádio, toca Für Elise. O consumidor aumenta o volume.

5 minutos depois:

“Sim, pois não?”

“É o Sr. Fulano?”

“Sim, é ele”.

“É a respeito da fatura de sua assinatura da TV a cabo”.

“Sim, qual o problema?”

“Consta no nosso sistema uma fatura em aberto”.

“Ah, sim. Deixe-me verificar, por favor. Aguarde um momento, por gentileza”.

Na rádio, Für Elise toca em loop contínuo. O camarada aumenta o volume novamente.

5 minutos depois:

“‘Sênhóra’ (assim mesmo, com a voz anasalada), eu estou verificando aqui que o pagamento da TV a cabo se dá por débito automático na fatura do meu cartão de crédito”.

“Sim, senhor, mas acontece que a fatura aqui está constando como em aberto”.

“Eu lamento, ‘Sênhóra’, mas o meu sistema aqui indica que o pagamento foi efetuado”.

“Ma…Ma…Mas o meu sistema aqui está informando que não foi feito o pagamento”.

“Então, ‘Sênhóra’, deve ter ocorrido algum problema. Aguarde um momento na linha que eu vou estar consultando o setor responsável”.

Nem Beethoven aguenta mais Für Elise . Mas ela segue tocando no rádio.

5 minutos depois:

“Sim, em que posso ajudar?”

“Meu senhor, eu já lhe disse. É sobre uma fatura em atraso de sua TV a cabo”, responde exasperada a mulher.

“Ah, tá. Só um instante, por favor”.

O consumidor aperta com força algumas teclas de seu computador. 30 segundos depois, volta à linha.

“‘Sênhóra’, eu estive verificando aqui que houve uma divergência no sistema. Por isso, vou precisar abrir uma ocorrência”.

“Senhor, não há divergência no sistema! Eu já disse! A fatura não foi paga! Está aqui a tela aberta na minha frente dizendo que a fatura não foi paga!”, argumenta em desespero a atendente.

“‘Sênhóra’, eu peço que a ‘sênhóra’ se acalme. O seu sistema não diz que está em aberto?”

“Sim!”, responde impaciente a atendente.

“Pois o meu sistema diz que está pago. Daí a divergência. Por isso, vou ter que estar abrindo uma ocorrência para verificar”.

“….”

“‘Sênhóra’, a ‘sênhóra’ ainda está na linha?”

“Sim”, diz a atendente, já com certo ar de desdém.

“Eu vou precisar confirmar alguns dados por questão de segurança”.

“Dados?!?”

“Sim. Nome completo, CPF, matrícula e data de admissão na empresa, por favor”.

“Ma..ma…mas meu senhor, eu não estou autorizada a dar esse tipo de informação por telefone”.

“Eu preciso desses dados para abrir a ocorrência, ‘Sênhóra'”.

“Mas a empresa não me autoriza a a dar esse dados, senhor”.

“Por razões de segurança, a ligação será descontinuada, ‘Sênhóra’. Algo mais em que posso ajudá-la?”

“Ma…ma….ma….ma….”

“Boa tarde”.

Tu-tu-tu-tu-tu-tu….

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2 respostas para Crônica de uma vingança imaginária

  1. Mourão disse:

    Melhor não poderia deixar de ser se verdade fosse…E repetida por muitos em diversas oportunidades. Esses babacas(não propriamente os operadores e operadoras) acabariam respeitando um pouco mais nosoutros, os clientes.

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