11 em cada 10 políticos adoram se sair com essa, quando confrontados com estatísticas assustadoras acerca da violência urbana: “A violência não aumentou. O que aumentou foi a percepção de insegurança. O número de ocorrências é maior porque, agora, a polícia está trabalhando mais”.
Noves fora o blá-blá-blá barato de quem não tem criatividade para inventar novas desculpas a justificar a própria incompetência, a única coisa correta na frase é a constatação de que a sensação de insegurança aumentou. E, obviamente, não foi porque a polícia passou a atuar mais, mas porque o nível de violência aumentou de forma dramática nos últimos anos.
O grande problema por trás do argumento da “percepção de insegurança” é o fato de atribuir-se à população a responsabilidade pelo medo de andar na rua. É dizer: quando se diz que a “percepção de insegurança” aumentou, está-se, por via transversa, querendo dizer que a violência é algo imaginário.Na esclarecida cabeça dos governantes, andar na rua seria seguro. O povo não anda porque é besta, ou, mais especificamente, porque tem algum tipo de transtorno mental que o impede de enxergar a doce realidade, na qual as cidades são seguras, os crimes são poucos e, quando acontecem, os responsáveis são punidos.
No mundo real, no entanto, o buraco é mais embaixo. Além do efetivo aumento dos números da violência Brasil afora, a tal da “percepção de insegurança” aumentou porque boa parte da violência não está registrada em estatísticas. Levante a mão quem não conhece alguém que foi vítima de um furto ou de um assalto e não foi à delegacia registrar o Boletim de Ocorrência. Isso para não falar nas tentativas, situação na qual mais de 90% das ocorrências passam ao largo dos números oficiais.
A bem da verdade, é estatisticamente desprezível o número de pessoas que vai à delegacia denunciar um crime na intenção de que a polícia descubra e prenda seu autor. A descrença na eficácia do aparato policial é tal que o sujeito só vai à polícia quando é o jeito, seja porque houve um crime mais grave – homicídio, por exemplo -, seja porque precisa do B.O. para se livrar das fraudes dos estelionatários com cartões e cheques. Fora esses casos, ninguém se dispõe a enfrentar uma fila enorme para, na maior parte das vezes, não dar em nada. É essa “violência escondida” que faz com que as pessoas cada vez mais evitem sair à rua, contratem seguranças e blindem seus carros. Ninguém quer virar mais um número na estatística.
Ao invés de ficarem repetindo as mesmas desculpas de sempre, os governantes deveriam parar de transferir as suas neuroses para o povo que governam. Quando isso acontecer, enxergarão a dura realidade, na qual o governo não faz nada, a violência só aumenta e a população, cada vez mais amedrontada, trancafia-se dentro de casa.
Por parte meu caro Senador. A percepção irreal de aumento de insegurança poderia ser alegada se há dez anos já não existissem os nossos “barrapesadas”( acho até que esse não´é dos mais sensacionalistas), se a imprensa fosse amordaçada ou se as pessoas as pessoas f.
O primeiro comentário saiu truncado
Por parte meu caro Senador. A percepção irreal de aumento de insegurança poderia ser alegada se há dez anos já não existissem os nossos “barrapesadas”( acho até que esse não´é dos mais sensacionalistas), se a imprensa fosse amordaçada ou se as pessoas as pessoas fossem vítimas de assalto, mas não divulgassem. Como nada disso é verdade, a alegação é uma tola evasiva. Na verdade o que tem aumentado a sensação de insegurança é o fato de os crimes( particularmente roubos e, bem menos) furtos estão batendo às portas da clsse média, em que quase todas as famílias têm uma história de algum ou alguns dos seus haverem sido roubados (assaltados). A Ação policial tem sido visível, é só atentar para o número imenso de criminosos presos todas as semanas. Porém, o que não se vê é a celeridade e energia da Justiça, pois assassinos plenamente identificados, estão soltos, ou pela falta de julgamento ou inexplicáveis mandados de soltura ou relaxamento de prisões preventivas. Afora isso, os presídios constituem, não raras vezes, redutos privilegiados do crime organizado.
É necessário que todos os segmentos que lidam diretamente com a Segurança Pública, com ou sem o apoio de organizações não governamentais, assumam posturas vigorosas contra a criminalidade, deixando de lado os paliativos e as demagogias que não apenas irritam,porém muito mais do que isso, estão arrasando grande parte da juventude, em especial a que vive na pobreza, e tornado a classe média refém aterrorizada da criminalidade
É isso mesmo, Comandante. O argumento do aumento da “percepção de insegurança” não passa de uma tola evasiva. No entanto, discordo quando o senhor afirma que “a ação policial tem sido visível, é só atentar para o número imenso de criminosos presos todas as semanas”. Na verdade, a ação governamental – para além apenas da ação policial – tem sido extremamente deficiente. É evidente que o Poder Judiciário tem sua parcela de culpa, mas a morosidade sozinha não explica o aumento da violência. A Justiça é lenta desde sempre, e os índices atuais de violência não se comparam aos índices de 20, 30 anos atrás. Além disso, há de se recordar que quem faz as leis é o Legislativo e, de forma lateral, o Executivo. Se a lei penal é frouxa e cheia de brechas, é porque, de alguma forma, boa parte da classe dirigente tem interesse em que ela se mantenha assim. De resto, assino embaixo quanto ao diagnóstico do tamanho do problema que estamos cevando. Um abraço.