As pirâmides na economia

Há pouco tempo, explodiu um esquema de ganho rápido e fácil através de um sítio eletrônico cujo nome não vou revelar. Denunciado principalmente pelo jornalista Luís Nassif, os anunciantes prometiam fortuna fácil e rápida a quem ingressasse no miraculoso sistema de repartição infinita de lucros. Como sempre acontece nesses casos, os mais incautos acabam caindo no conto do Vigário e só depois descobrem o tamanho da roubada na qual entraram.

Já que uma das funções deste espaço é servir como utilidade pública aos seus visitantes, convém deitar algumas linha sobre os famosos esquemas de pirâmide, que, tal qual camaleões, continuam a se metamorfizar por aí, fabricando uns poucos ricos e espalhando desgraça e vergonha por onde passam.

A “pirâmide” e seus derivados, como o Esquema Ponzi, funciona de forma relativa simples. Os arquitetos da fraude elaboram um projeto comercial, de grande apelo publicitário. O produto supostamente vendido pode ser qualquer coisa: bois, avestruzes, telefones e até mesmo carta pelos correios; os exemplos são vários. Com algumas diferenças de marketing e de estilo, a promessa é uma só: dinheiro fácil e rápido para quem entrar na jogada. E é ela que faz toda a diferença.

Aos candidatos à vítima promete-se que, com um único pagamento inicial, a título de “ingresso”, “investimento” ou “jóia”, o dinheiro retornará para seu bolso de forma exponencial, garantindo um lucro sem paralelo no mercado financeiro tradicional. Veja-se o seguinte exemplo:

Estelionatário profissional, eu monto um esquema de venda de bolinhas de gude. Para entrar no meu clube, o sujeito tem de desembolsar R$ 1.000,00, a título de compra de 50 bolinhas de gude especiais. Em compensação, prometo um retorno anual de 50% sobre o dinheiro investido. Com minha lábia, convenço 10 ingênuos a entrarem no negócio, o que me garante, desde já, um lucro de R$ 10.000,00.

Mas a minha lábia é muito sedutora. Excitados pela possibilidade de lucro fácil, os 10 incautos fazem a propaganda do meu negócio para seus amigos e parentes. Cada um deles consegue convencer outros 10 sujeitos desprevenidos a entrarem na roubada. Com isso, são mais R$ 100.000,00.

Com os R$ 100.000,00 que ganhei da segunda leva de vítimas, consigo pagar os 10 primeiros ingênuos com o lucro prometido. Saindo a R$ 1.500,00 (R$ 1.000,00 +50%) cada, gastarei R$ 15.000,00. Descontando-se desse valor o que já recebi, ainda fica pra mim R$ 95.000,00 (R$ 110.000,oo – R$ 15.000,00).

Seguindo-se numa progressão geométrica, a quantidade de vítimas cresce exponencialmente, aumentando de forma violenta o dinheiro que recebo pelas bolas de gude. Por outro lado, como o sistema é endógeno, isto é, o dinheiro que circula nele é somente o que os coitados colocaram dentro, o passivo aumenta de forma dramática. Exatamente por isso, para manter-se de pé, o esquema precisa de mais e mais pessoas entrando para pagar àqueles que já se encontram dentro dele.

Obviamente, o esquema não é sustentável. Como mostra essa pequena ilustração, mais hora, menos hora, não haverá gente suficiente para bancar os pagamentos de quem já está dentro do sistema. É nesse momento que tudo desmorona:

Pirâmide

O problema é que, a essa altura, prevendo a débâcle, eu – o dono do esquema – já piquei a mula faz tempo. Juntando os milhões que ganhei dos pobres coitados, levo meu dinheiro para algum paraíso fiscal, me escondo atrás de uma identidade falsa e uma conta secreta numerada, e passo muito bem o resto da minha vida. Atrás de mim, somente o rastro de prejuízo e vergonha para aqueles que foram ludibriados.

Para escapar de um esquema de pirâmide, não é muito difícil. Basta reger-se por um único mandamento: a cobiça é sempre má conselheira. Se você entender isso, compreenderá também que dinheiro não nasce em árvore. E que esquemas que prometem lucros fantásticos em pouco tempo não são mais do que fraudes bem elaboradas. Na dúvida, fique de fora.

Porque prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém…

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